IGNOTI NULLA CUPIDO – "Ninguém ama o que não conhece". (Ovídio – poeta romano)

Formação: o Povo de Deus

O POVO DE DEUS NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO

A imagem do Povo de Deus ganhou maior destaque a partir do Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, trazendo a tona uma imagem bíblia a respeito da Igreja de Cristo. O termo “Povo de Deus” não é tão presente nos textos das Sagradas Escrituras, porém a palavra “Povo” aparece inúmeras vezes tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Ao analisarmos a tradução grega, vemos que os tradutores utilizaram o termo “laós” para designar Israel enquanto utilizaram o termo “éthne” quando se referiam aos povos pagãos. Esta mesma diferenciação entre Israel e os povos pagãos encontra-se na tradução hebraica do Antigo Testamento, pois usam o termo “am” para referir-se a Israel e “gojîm” para os povos pagãos. Algumas considerações devem ser feitas:

  1. Os escritores procuraram diferenciar o conceito de povo aplicado a Israel do que era aplicado aos pagãos, principalmente no que diz respeito à relação do povo com Deus;
  2. O termo “am” indica parentesco, ligação tribal por parte de pai. Exprime a comunhão de vida e de destino de um mesmo povo. Daí era normal que compatriotas se chamassem de irmãos, pois eram todos filhos do mesmo pai;
  3. Havia uma comunhão do povo em torno de um centro divino;
  4. Essa união dizia respeito a duas grandezas: filiação divina e fraternidade, ambas características do Reino de Deus.

Há, pois, uma ligação entre o Povo de Deus do Antigo Testamento e o povo da Nova Aliança do Novo Testamento. Essa ligação é demonstrada pelos seguintes fatos: (1) sempre que se fala no “Povo de Deus” da Nova Aliança, são usadas passagens do Antigo Testamento e (2) sempre é usado o termo “laós” para se referir ao povo neotestamentário. A Igreja do Novo Testamento é vista como o cumprimento das promessas feitas à Israel no Antigo Testamento,  novo “Povo de Deus”: a Nova Aliança, instituída por Jesus Cristo, é o novo Povo de Deus (cf. LG 9).

CARACTERÍSTICAS DA IGREJA DA NOVA ALIANÇA

A Nova Aliança possui três características:

  1. O enraizamento da Igreja no Antigo Testamento;
  2. A novidade radical em Jesus Cristo; e
  3. A sua abertura para todas as pessoas, tanto judeus quanto gentios.

Esse novo povo passa a ter novas formas de celebração que evoluíram com o tempo, o que levou gradualmente a uma total separação dos judeus por parte desse grupo liderado pelos Apóstolos. Houve uma mudança na formação do povo cristão e essa mudança passou por etapas, que são:

  1. Igreja formada só por judeus;
  2. Igreja formada por judeus e gentios; e
  3. Igreja formada só por gentios.

Nota-se que não havia distinção entre judeu ou pagão. Só não eram aceitos como membros da comunidade aqueles que expressamente não queriam fazer parte dela. Este Povo passou a representar todas as nações, pois foi tirado de dentro delas e estava aberto a todas elas.

O DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA DE IGREJA COMO “POVO DE DEUS”

Os primeiro padres da Igreja não faziam conexão entre o Povo de Deus da Nova Aliança com o Antigo Testamento, apesar das evidências bíblicas:

  1. Os judeus, tal qual Esaú, teriam perdido o direito de primogenitura;
  2. Os justos do Antigo Testamento eram vistos como pré-cristãos, que se salvaram mediante a sua fé e não por meio de Israel, que passa a ser visto como povo rejeitado; e
  3. Santo Agostinho disse que houve a passagem do povo histórico para o povo espiritual, ignorando qualquer ligação que existisse entre os cristão e o povo veterotestamentário.

Houve com o tempo a mudança do conceito de “Povo de Deus” para o âmbito jurídico-romano, englobando todos aqueles que faziam parte do Império Romano. Houve nessa época um desenvolvimento hierárquico na Igreja, formando-se uma visão do povo como leigo frente aos bispos. A visão de Igreja de Cristo como continuidade histórica do povo do Antigo Testamento foi aos poucos se perdendo. Não se conseguia mais enxergar o Novo Testamento como continuidade do Antigo. Essa visão começou a ser revivida a partir do século XIX, com o desenvolvimento da visão de Igreja como Corpo Místico de Cristo.

Foi então que, após a Primeira Guerra Mundial, a Igreja passou a ser vista como rocha de Salvação. Houve a redescoberta da figura de Igreja como Povo de Deus a partir do surgimento da nova visão do sacerdócio universal dos batizados. Dessa forma antes de serem bispos ou leigos, todos estão unidos pelo Batismo formando um único povo onde seus membros são todos filhos adotivos de Deus. Newman fala da união dos cristãos com Cristo, que os leva a ter forças para conservar a reta doutrina. Passa-se a criticar a imagem da Igreja como Corpo Místico de Cristo e a vê-la como Povo de Deus (elemento histórico-salvífico). Nesse período a teologia protestante passa a desenvolver seu conceito de Povo de Deus e fala de uma Igreja histórica visível na qual está presente uma Igreja invisível como Reino de Deus no Reino de Cristo.

Toda essa alteração na visão de Igreja confirma o caráter de mistério da mesma. Não há como se ter uma definição lógica para ela. A visão de Igreja como Povo de Deus é apenas uma das várias interpretações existentes, exprimindo um caráter histórico, uma ligação entre Igreja da Antiga e da Nova Aliança.

CARÁTER ESCATOLÓGICO DO POVO DE DEUS

A Igreja é a consumação final da aliança com o Povo de Deus, enquanto sacramento universal de salvação. Ela realiza um importante papel no desenvolvimento histórico da humanidade, antecipando aqui neste mundo a cidade celeste que se dará no céu. O Povo de Deus forma a Igreja Militante que é aquele que está em marcha rumo à glória que se dará na consumação dos tempos.

Um caráter importante relacionado com a imagem de Povo de Deus é a eleição.  Assim como Israel foi o povo eleito do Antigo Testamento – “Não é porque sois mais numerosos que todos os outros povos que o Senhor se uniu a vós e vos escolheu; ao contrário, sois o menor de todos. Mas o Senhor ama-vos e quer guardar o juramento que fez a vossos pais. Por isso a sua mão poderosa tirou-vos da casa da servidão, e livrou-vos do poder do faraó, rei do Egito” (Dt 7,7-8) –, Paulo caracteriza os cristãos como “Assembléia dos chamados”.

Eleição e salvação são duas realidades sucessivas. A salvação parte da vontade e da misericórdia de Deus. Ela se apresenta sempre sob duas faces: a opressão e a libertação. Essa salvação foi realizada por Jesus Cristo na Sua morte de cruz, entregando ao Pai a Igreja pelo Seu sangue. Para que essa tenha efeito, deve haver por parte das pessoas uma participação na vida e na intimidade de Deus. O Povo de Deus é um povo peregrino, que segue rumo à salvação prometida por Deus (cf. Hb 13,14). Em resumo, o Povo de Deus é um povo universal, histórico, unido por uma fé sobrenatural, guiado pelo Sagrado Magistério da Igreja.

A IGREJA E O REINO DE DEUS

A Igreja e o Reino de Deus não se confundem. A Igreja vem para continuar a missão de Jesus Cristo de anunciar a vinda do Reino e de construí-lo, como sinal, aqui na Terra, pois este Reino só será concretizado no fim dos tempos. Não há como compreender a história do Povo de Deus se não se tem uma visão da plenitude celeste dessa idéia, assim como não há como entender a preocupação escatológica se não se entende a realidade histórico-salvífica desse povo.

Stephen Hawking eliminou Deus?

Stephen Hawking, físico teórico e cosmólogo britânico, pode, sem sombra de dúvidas, ser listado entre os maiores gênios da atualidade, porém esse grande gênio cometeu um deslize muito maior que a sua fama: dizer que provou que a existência de Deus é desnecessária à criação do universo na obra “O Grande Projeto” (The Great Design).

Para desmentir essa falsa afirmação, trouxemos a vocês, caros leitores, um video onde o professor Willian Lane Craig, famoso filósofo e apologista cristão, mostra as várias falhas existentes na obra de Hawking, mostrando mais uma vez que tentar provar a não exitência de Deus é um tarefa impossível, afinal não dá para provar a inexistência de algo que existe, não é?

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

7 dias ou 13 bilhões de anos?

Quantas vezes vocês cristãos já não devem ter ouvido críticas do tipo “como é que vocês podem ser ingênuos em acreditar que o universo foi criado em apenas sete dias só porque a Bíblia afirma isso? Se isso fosse verdade, o nosso universo teria cerca de 6.000 anos, e já foi provado pela ciência que o nosso planeta tem cerca de 4 bilhões de anos a o universo tem cerca de 13 bilhões de anos de idade”. A melhor resposta para alguém que fala algo desse tipo é “ingênuo é você em fazer uma leitura tão superficial das Sagradas Escrituras”. Essas pessoas normalmente não têm o conhecimento necessário sobre o que de fato é a Bíblia e de como ela foi escrita, logo é normal que falem essas besteiras, e para responder tais acusações, nós do Quero Saber Sobre Deus trazemos mais um texto para vocês. Boa leitura!

OS TEXTOS BÍBLICOS

Em primeiro lugar temos que entender que a Bíblia possui diversos tipos de textos com os mais diversos estilos literários e, a depender do estilo, a leitura desses textos deverá ser feita sob uma ótica diferente. Os Evangelhos, por exemplo, são livros que contam a história da vida de Jesus, portanto os textos devem ser interpretados tal qual estão escritos. Os quatro últimos livros do Pentateuco (Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), possuem um grande teor legislativo, devendo ser lidos da mesma forma como se lêem os Evangelhos. Quando tratamos dos primeiros capítulos do Gênesis, no entanto, principalmente quando falamos do relato da criação, a coisa muda de figura. Nos deparamos com textos predominantemente poéticos, repletos de símbolos e figuras de linguagem. Sabendo disso, é fácil deduzir que esses escritos não podem ser interpretados ao pé da letra, como fazem alguns de nossos acusadores. O Gênesis, diferente do que muitos pensam, não tem seu foco em como o mundo foi criado, mas em quem o criou: Deus Todo Poderoso!

 ENTÃO O QUE SERIAM OS SETE DIAS?

 “Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pedro 3,8)

O versículo acima da segunda carta de São Pedro já é mais do que suficiente para entender que os sete dias descritos no Gênesis não são necessariamente sete dias. Na verdade esses dias referem-se a sete momentos criativos de Deus, que podem significar dias, meses, anos, séculos, ou, como diz a ciência, cerca de 13 bilhões de anos! Diante disso uma pergunta pode vir a cabeça: então por que a Bíblia descreve a criação em sete dias? Se ela foi inspirada por Deus, ela não deveria ter falhas. Essa descrição, então, não seria um erro? E a resposta para essa pergunta é um grande e firme não! Devemos lembrar que a Bíblia, em especial o Antigo Testamento, inicialmente foi escrita para um povo que viveu milhares de anos atrás e nesse período o desenvolvimento tecnológico que temos hoje ainda não existia. Falar em Big Bang, singularidade, expansão do cosmos, etc., era algo inviável para aquela sociedade, e Deus, sabendo disso, sabiamente inspirou a escrita das Sagradas Escrituras com uma linguagem que fosse de fácil entendimento para aquele povo. Portanto, quando lermos tais textos devemos lembrar que não podemos interpretá-los com a visão de mundo que temos agora, mas eles devem ser lidos tendo em mente a intenção do autor que o escreveu, o público para o qual os textos foram escritos e o nível de conhecimento da sociedade na época.

Lógico que o foco deste texto é o período de tempo levado para que o mundo fosse criado, mas existem muitos outros casos a serem analisados nesses primeiros capítulos da Bíblia, porém isso fica para um próximo encontro.

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que Leva a Jesus!

A Esposa do Cordeiro (1ª parte)

A Esposa de Cristo não pode adulterar, é fiel e casta. Aquele que se separa dela saiba que se junta com uma adúltera, e que as promessas da Igreja já não o alcança. Aquele que abandona a Igreja não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por mãe na terra”. (São Cipriano, Bispo de Cartago, falecido em †258 d.C.). [1]

Damos graças a Deus pelo fato de que os artigos anteriores lançaram luzes sobre a fé de muitos. Já se falou sobre o Papado, sobre a Sagrada Tradição, sobre a Santíssima Virgem, verdadeiramente Mãe de Deus, sobre o culto dos Santos e das imagens… Louvamos a Deus e damos graças à Virgem Imaculada por nos ter concedido a oportunidade de ajudar a responder muitos questionamentos que irmãos e irmãs trazem dentro da alma a respeito da Igreja Católica.

A IGREJA DE CRISTO

Agora, porém, é chegada a hora de respondermos, de maneira clara e explícita, a outros questionamentos que rondam os corações sinceros de quem busca a Verdade: Cristo, afinal, fundou uma Igreja? Se sim, qual? Apenas ela pode ser a verdadeira? As respostas para esses questionamentos são profundas e extensas, de tal forma que dividirão este artigo em três partes, e embora, ao expormos a conclusão da terceira parte, tais respostas sejam suficientes (esperamos e cremos) não terão, de maneira alguma, esgotado toda a matéria.

Antes de mais nada, cumpre perguntarmos: afinal, o que é a Verdade? Verdade… muitos se questionaram sobre o que ela seria, a buscaram com todo o afinco, escreveram sobre ela… mas, na verdade, os homens não conseguiram chegar a seu pleno conhecimento, pois a Verdade está infinitamente acima deles… Contudo, tudo mudou de perspectiva: a Verdade desceu a nós, se encarnou no seio de uma virgem, nasceu em meio aos homens, caminhou com eles, com eles comeu, se deu a conhecer: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,14). Cristo é a Verdade: “Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” Jo 14,6). Portanto, se reconhecemos, com efeito, que Cristo é Deus e que há um único Deus, reconhecemos que só há uma única Verdade!

Cristo, que é a Verdade, disse a Pedro: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Repare o leitor que Cristo disse que edificaria sua Igreja… logo, Cristo fundou, SIM, uma Igreja, edificada sobre Pedro (como já vimos em artigos anteriores). Sobre esta Igreja, São Paulo nos diz que ela é o Corpo de Cristo: “Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele. Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja. Ele é o Princípio, o primogênito dentre os mortos e por isso tem o primeiro lugar em todas as coisas” (Cl 1, 17-18). O Apóstolo também nos diz que foi por ela, a Igreja, que Cristo se entregou: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja – porque somos membros de seu corpo” (Ef 5, 25-27. 29-30). Mais ainda, São Paulo chama a Igreja de coluna e sustentáculo da verdade: “Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15). Que belíssimas as palavras de São Paulo; se Cristo é a Verdade, a Igreja é a coluna e o sustentáculo dessa Verdade, isto é, ela sustenta o Cristo perante o mundo, ela o dá a conhecer, ela o leva a toda a parte!

Se há apenas uma verdade, a fé deve ser apenas uma, como o disse São Paulo: “Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos” (Ef 4, 3-6). Portanto, só deve haver uma coluna e sustentáculo da verdade… só deve haver um corpo… só deve haver uma Igreja! E, de fato, só há uma… mas qual?

A IGREJA DEVE SER UNA

Que estupendo mistério! Há um único Pai do universo, um único Logos do universo e também um único Espírito Santo, idêntico em todo lugar; há também uma única virgem que se tornou mãe, e me agrada chamá-la de Igreja.” (S. Clemente de Alexandria, falecido em † 215 d.C. ). [2]

Com efeito, a Igreja deve ser uma! Se há uma só Verdade que anunciou um só Evangelho, como aceitar, como se fosse perfeitamente coerente, as divergências entre os mais diversos credos? Que o leitor não se espante com a informação que a seguir lhe daremos, mas compreenda a triste situação que se iniciou no século XVI, com a Reforma Protestante:

“Em 1600, devido à reforma protestante, havia mais de 100 divisões em várias seitas. Antes de 1900, havia 1000 ao redor. Antes de 1981 havia mais que 20.700. Hoje há mais de 33.800  dividindo o Corpo de Cristo, sendo fundadas por meras criaturas humanas. As comunidades protestantes aumentaram em número de aproximadamente 65% em só vinte anos. (Dados da Enciclopédia Cristã mundial, abril de 2001), uma publicação protestante.” [3]

Mais de 33.800 denominações protestantes, cada uma em contradição com a outra, todas se julgando corretas… Em sua maioria, nossos irmãos separados têm a mania de dizer que o Espírito Santo é quem os insta, os inspira, os ensina a verdade… neste caso, o Espírito Santo estaria se contradizendo, pois como poderia Ele, por exemplo, ensinar aos luteranos que Cristo está presente na Eucaristia, mas ensinar aos assembleianos que aquilo é apenas um símbolo? Como Ele poderia mostrar aos Adventistas do Sétimo Dia que o dia de adoração é o sábado, mas aí Ele chega para os batistas e diz que é o domingo? Como pode o Santo Espírito dizer às Testemunhas de Jeová que Cristo não é Deus, mas aí Ele diz aos fiéis da Igreja Universal que é sim? Como pode Ele dizer aos Anglicanos que se batizem crianças, e depois chegar para os Presbiterianos e dizer que não façam isso, pois o batismo infantil é inválido? O espírito que reina no Protestantismo, vê-se, é o espírito da confusão, e espírito de confusão não é Espírito de Deus! E olhe que a Reforma Protestante só tem cerca de 500 anos… há igreja protestante que permite o aborto, que casa homossexuais e por aí vai… ladeira abaixo, porque é esta a consequência desta louca aventura chamada Protestantismo!

O Protestantismo, ao querer se aventurar fora da Igreja, tornou-se uma verdadeira Babel: esses nossos irmãos, das mais diversas denominações (Igreja “A” de Amor, Igreja Menina dos Olhos de Deus, Igreja Automotiva do Fogo Sagrado, Igreja Cristo é Show, Igreja Evangélica Mata Minha Saudade, etc, etc, etc) possuem a mesma Bíblia, mas não falam a mesma língua, não se entendem! Assim, o Protestantismo NÃO PODE SER A IGREJA DE DEUS, POIS NELE NÃO HÁ UNIDADE! E mais: nenhuma das Igrejas Protestantes pode ter a pretensão de ser a Igreja de Cristo, pois Ele já tinha subido aos céus há cerca de 1.500 anos quando elas começaram a aparecer!

Interessantes e oportunas são as palavras de Lúcio Navarro:

“S. Clemente de Alexandria (também do século 2º) responde à objeção dos infiéis que perguntam: “como se pode crer, se há tanta divergência de heresias, e assim a própria verdade nos distrai e fatiga, pois outros estabelecem outros dogmas?” Depois de mostrar vários sinais pelos quais se distingue das heresias a verdadeira Igreja, assim conclui S. Clemente: “Não só pela essência, mas também pela opinião, pelo princípio pela excelência, só há uma Igreja antiga e é a IGREJA CATÓLICA. Das heresias, umas se chamam pelo nome de um homem, como as que são chamadas por Valentino, Marcião e Basílides; outras, pelo lugar donde vieram, como os Peráticos; outras, do povo, como a heresia dos Frígios; outras, de alguma operação, como os Encratistas; outras, de seus próprios ensinos, como os Docetas e Hematistas”. (Stromata 1.7. c. 15). Digamos de passagem: o mesmo argumento podemos formular hoje contra os protestantes. Há uma só Igreja que vem do princípio: é a Igreja Católica.

As seitas protestantes, umas são chamadas pelos nomes dos homens que as fundaram, ou cujas opiniões seguem, como: Luteranos (de Lutero), Calvinistas (de Calvino), Zuinglianos (de Zuínglio), Arminianos (de Armínio), Svedenborgianos (de Svedenborg), Socinianos (de Socin), Russelitas (de Russel), Valdenses (de Valdo), Menonitas (de Menno);

outras, do lugar donde vieram: Igreja Livre Evangélica Sueca, Irmão de Plymouth;

outras, de um povo: Anglicanos (da Inglaterra), Irmãos Moravos (da Morávia);

outras, do modo pelo qual se governam, como os Presbiterianos, os Congregacionalistas;

outras, de alguma doutrina que professam, como os Batistas (que rebatizam os que foram batizados em criança ou por infusão), os Adventistas (que anunciam a próxima vinda ou advento do Senhor), os Pentecostais (que pretendem receber os mesmos carismas do dia de Pentecostes), os Ubiquitáios (que dizem que o corpo de Cristo está em toda parte), os Universalistas (que dizem que a predestinação e a salvação são universais);”[4].

Arianismo, Marcionismo, Pelagianismo, Gnosticismo… essas e outras heresias assolaram os primeiros séculos da Igreja, ameaçando sua Unidade. Mas foram vencidas, e a História se encarregou de enterrá-las nas areias do tempo, deixando a Igreja, contudo, de pé, porque o Senhor da História prometeu à sua Esposa que as portas do inferno não prevaleceriam sobre ela! Depois de mais de mil anos, os protestantes resolveram ressuscitar algumas dessas derrotadas heresias. Por exemplo: o Arianismo (de Ário), oficialmente rejeitado pela Igreja no Concílio Ecumênico de Nicéia, em 325 d.C., negava a divindade de Cristo… os Testemunhas de Jeová, surgidos no século XIX, fazem o mesmo! O Nestorianismo (de Nestório), oficialmente condenado pela Igreja no Concílio Ecumênico de Éfeso, em 431 d.C., afirmava que em Cristo haviam duas pessoas: uma humana e uma divina, e que portanto Maria não seria Mãe de Deus, mas sim mãe do “Cristo homem”… A Igreja venceu esta heresia, afirmando que na ÚNICA PESSOA DO CRISTO existem duas naturezas, a humana e a divina, unidas SEM SEPARAÇÃO, sendo o Cristo TODO homem e TODO Deus! E o Nestorianismo foi então esquecido… até que o Protestantismo (não todos, porque eles não têm unidade) o desenterrou sob nova roupagem (podemos chamar de “Semi-Nestorianismo”): Cristo é uma só pessoa (estamos de acordo!); com duas naturezas, humana e divina (ok, perfeito!); Maria não é mãe de Deus, mas sim mãe do “Cristo homem” (hã??? Como é que é o negócio???). Então Maria é mãe da “natureza humana” de uma pessoa e não mãe “da” pessoa? Por essa lógica, minha mãe não é minha mãe, mas mãe da metade de mim, pois para a minha geração contribuiu apenas com 23 cromossomos, e os outros 23 vieram de meu pai. Mas o pior não é isso, mas isto: dividir Cristo ao meio atrai ao Cristianismo uma ruína repentina! Afinal, se Maria é apenas mãe do “Cristo homem” (pois Deus não pode ter mãe), quem morreu na Cruz foi o “Cristo homem” ou o “Cristo Deus”? Se foi o “Cristo homem” então não ocorreu redenção, pois o sacrifício não foi de valor infinito (porque não foi divino) e, se não houve redenção, o Paraíso não está aberto, a graça não nos ajuda na salvação (até porque, se não houve redenção, as comportas da graça estão fechadas), Cristo morreu à toa e o Pai, que prometeu que em Cristo reconciliaria o mundo consigo, ou mentiu, ou ao menos falhou inegavelmente em sua promessa… tudo isso simplesmente por negar que Maria é Mãe de Deus… com isso não concordamos nem em 431, nem 1000 anos depois, nem hoje e nem NUNCA!

Fora da Igreja não há Unidade, pois “Um homem Cristão é Católico enquanto vive no corpo; decepado deste, torna-se um herege. O Espírito não segue um membro amputado.” (Santo Agostinho, falecido em † 430 d.C.)[5]. O próprio Martinho Lutero, pai dos reformadores e o qual, para muitos de nossos irmãos separados, foi inspirado por Deus para fazer a reforma (mas o engraçado é que esses mesmos irmãos não são luteranos) chegou a lamentar o resultado de sua rebelião; ainda no primeiro século da reforma, já dizia: “Este aqui não ouvirá falar do Batismo, e aquele nega o sacramento, outro põe um mundo entre isto e o último dia: alguns ensinam que Cristo não é Deus, alguns dizem isto, alguns dizem isso: há tantas seitas e credos como há tantas cabeças. “Nenhum rústico é tão rude quando ele tiver sonhos e fantasias, e pensar que é inspirado pelo Espírito santo e deve ser um profeta.”
(De Wette III, 61. citado em O’Hare, Os fatos sobre Lutero, 208.)
[6]

A Igreja deve ser Una por vontade do Senhor!

É O QUE AFIRMAM AS SAGRADAS ESCRITURAS

“Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha.” (Mt 12, 30);

Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos” (Ef 4, 3-6);

Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17, 20-21);

Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da doutrina que recebestes. Evitai-os!” (Ro 16, 17);

Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão.” (1 Cor. 10, 17);

A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum.” (At 4,32)

Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento.” (1Cor 1, 10);

Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.” ( Jo 10, 16);

Cântico das peregrinações. De Salomão. Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem. Se o Senhor não guardar a cidade, debalde vigiam as sentinelas.” (Sl 126, 1).

É O QUE AFIRMA A SAGRADA TRADIÇÃO APOSTÓLICA

“É necessário que eu tenha em mente a IGREJA CATÓLICA, difundida desde o Oriente até o Ocidente” (São Frutuoso, falecido em †259 d.C.)(Ruinart. Acta martyrum pág 192 nº 3)[7];

“Só a IGREJA CATÓLICA é que conserva o verdadeiro culto. Esta é a fonte da verdade; do qual se alguém sair, está privado da esperança de vida e salvação eterna” (Lactâncio, falecido em †300 d.C.)(Livro 4º cap. 3)[8];

“Como, depois dos Apóstolos, apareceram as heresias e com nomes diversos procuram cindir e dilacerar em partes aquela que é a rainha, a pomba de Deus, não exigia um sobrenome o povo apostólico, para que se distinguisse a unidade do povo que não se corrompeu pelo erro?… Portanto, entrando por acaso hoje numa cidade populosa e encontrando marcionistas, apolinarianos, catafrígios, novacianos e outros deste gênero, que se chamam cristãos, com que sobrenome eu reconheceria a congregação de meu povo, se não se chamasse CATÓLICA? (São Paciano de Barcelona, falecido em † 392)(Epístola a Simprônio nº 3) [9];

“Se algum dia peregrinares pelas cidades, não indagues simplesmente onde está a casa do Senhor, porque também as outras seitas de ímpios e as heresias querem coonestar com o nome de casa do Senhor, as suas espeluncas; nem perguntes simplesmente onde está a igreja, mas onde está a igreja CATÓLICA; êste é o nome próprio desta santa mãe de todos nós, que é também a espôsa de Nosso Senhor Jesus Cristo” (São Cirilo de Jerusalém, falecido em 386 d.C.)(Instrução Catequética c. 18; nº 26)[10];

“Deve ser seguida por nós aquela religião cristã, a comunhão daquela Igreja que é a CATÓLICA, e CATÓLICA, é chamada não só pelos seus, mas também por todos os seus inimigos” (Santo Agostinho, falecido em † 430 d.C.) (Verdadeira religião c 7; nº 12)[11].

É O QUE AFIRMA O SAGRADO MAGISTÉRIO

“§813. A Igreja é una por sua fonte: “Deste mistério, o modelo supremo e o princípio é a unidade de um só Deus na Trindade de Pessoas, Pai e Filho no Espírito Santo”. A Igreja é una por seu Fundador: “Pois o próprio Filho encarnado, príncipe da paz, por sua cruz reconciliou todos os homens com Deus, restabelecendo a união de todos em um só Povo, em um só Corpo”. A Igreja é una por sua “alma”: “O Espírito Santo que habita nos crentes, que plenifica e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e os une tão intimamente em Cristo, que ele é o princípio de Unidade da Igreja”. Portanto, é da própria essência da Igreja ser una:

[…]

§815. Quais são estes vínculos da unidade? “Sobre tudo isso [está] a caridade, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3,14). Mas a unidade da Igreja peregrinante é também assegurada por vínculos visíveis de comunhão:

– profissão de uma única fé recebida dos Apóstolos;

– a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos;

– a sucessão apostólica, por meio do Sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus.

§816. “A única Igreja de Cristo (…) é aquela que nosso Salvador depois de sua Ressurreição, entregou a Pedro para que fosse seu pastor e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá-la e regê-la… Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na ( “subsistit in”) Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”:

[…]

§820. A unidade, “Cristo a concedeu, desde o início, à sua Igreja, e nós cremos que ela subsiste sem possibilidade de ser perdida na Igreja católica e esperamos que cresça, dia após dia, até a consumação dos séculos”. Cristo dá  sempre à sua Igreja o dom da unidade, mas a Igreja deve sempre orar e trabalhar para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. Por isso Jesus mesmo orou na hora de sua Paixão, e não cessa de orar ao Pai pela unidade de seus discípulos: “… Que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles esteja me nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). O desejo de reencontrar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e convite do Espírito Santo.”[12]

Para encerrar, como já vimos em artigos anteriores, o fundamento visível desta unidade, já dizia a Sagrada Tradição muito antes de o Imperador Constantino nascer e conceder a liberdade de culto aos cristãos em 313 d.C., e mais de mil e duzentos anos antes de Martinho Lutero, é o Romano Pontífice:

O Senhor diz a Pedro: “Eu te digo que és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus…” O Senhor edifica a sua Igreja sobre um só, embora conceda igual poder a todos os apóstolos depois de sua ressurreição, dizendo: “Assim como o Pai me enviou, eu os envio. Recebei o Espírito Santo, se perdoardes os pecados de alguém, ser-lhes-ão perdoados, se os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”. No entanto, para manifestar a unidade, dispõe por sua autoridade a origem desta mesma unidade partindo de um só. Sem dúvida, os demais apóstolos eram, como Pedro, dotados de igual participação na honra e no poder; mas o princípio parte da unidade para que se demonstre ser única a Igreja de Cristo… Julga conservar a fé quem não conserva esta unidade da Igreja? Confia estar na Igreja quem se opõe e resiste à Igreja? Confia estar na Igreja quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?” (Sobre a Unidade da Igreja)”. [13]. (São Cipriano, Bispo de Cartago, falecido em †258 d.C.).

Mas a Igreja não é apenas Una. Ela também é Santa, Católica e Apostólica… mas o que significa isso? Ademais, você, caro leitor, deve estar rindo de minha conhecida ou desconhecida face, balançando a cabeça e dizendo: “Santa, a Igreja Católica? Sei…” Permita-me provocá-lo, então: Santa só não… SANTA E IMACULADA! E não, eu não estou ficando louco! E sim, eu conheço bem a História da Igreja, a Noiva do Cordeiro! Mas, isso é assunto para a próxima parte…

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

[1]AQUINO, Felipe. Escola da Fé. Vol. 1: Sagrada Tradição. 5ª Edição. Lorena: Cléofas, 2000. P. 50.

[2] Ibid., Ibidem.

[3] MOURA, Jaime Francisco de.  As diferenças entre a Igreja Católica e Igrejas Evangélicas. São José dos Campos: ComDeus, P. 176.

[4] NAVARRO, Lúcio. Legítima Interpretação da Bíblia. Campanha de instrução religiosa Brasil-Portugal. Recife, Víllares, 1958. P. 243-244. (grifos nossos).

[5]<http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/1276-somos-catolicos-com-muito-orgulho>. Consultado em 08 jul. 2012.

[6] MOURA, Jaime Francisco de.  As diferenças entre a Igreja Católica e Igrejas Evangélicas. São José dos Campos: ComDeus, P. 175.

[7] NAVARRO, Lúcio. Legítima Interpretação da Bíblia. Campanha de instrução religiosa Brasil-Portugal. Recife, Víllares, 1958. P. 244.

[8] Ibid., Ibidem.

[9] Ibid., Ibidem.

[10] Ibid., Ibidem.

[11] Ibid., Ibidem.

[12] Catecismo da Igreja Católica. Edição Típica Vaticana. Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2000. P. 233-236.

[13] AQUINO, Felipe. Escola da Fé. Vol. 1: Sagrada Tradição. 5ª Edição. Lorena: Cléofas, 2000. P. 42.

O Espírito Santo de Deus

“E o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gênesis 1:2)

Antes que tudo o que nós conhecemos passasse a existir, o Espírito Santo, junto com o Pai e o Filho, já existia. O livro do Gênesis relata isso na passagem acima, demonstrando que Ele, o Espírito de Deus, está acima de tudo e de todos, não estando preso ao tempo e existindo por toda eternidade no mistério da Santíssima Trindade. É a Ele que nós recebemos no sacramento do batismo, fazendo-nos participar da glória de Deus como irmãos de Cristo, limpando-nos do pecado original e nos tornando Seu templo e Sua morada (cf. I Coríntios 3:16), despertando em nós os seus sete dons (fortaleza, sabedoria, ciência, conselho, entendimento, piedade e temor a Deus) e nos dando a graça de viver a fé, a esperança e a caridade, virtudes essenciais para sermos chamados de filhos de Deus. É no sacramento da confirmação, ou Crisma, que nós confirmamos a nossa vontade de estar na Sua presença e de deixar que Ele faça em nós a vontade de Deus. E é a respeito d’Ele que nós do Quero saber sobre Deus vamos falar neste texto, procurando despertar em todos a vontade de conhecer esse tão sublime Ser que presenteia com a Sua presença e com a Sua graça a todos os homens da face da Terra.

O ESPÍRITO SANTO É VIDA

Deus, ao criar Adão, soprou em suas narinas o sopro da vida (Gênesis 2:7), dando vida ao corpo feito a partir da terra. Esse sopro da vida, ou ruach em hebraico, é o próprio Espírito Santo que, dessa forma, faz do homem Sua morada e o torna a imagem e semelhança de Deus. O homem é, então, um ser único, feito da terra, mas destinado aos céus e ao deixar que o Espírito de Deus haja em seu íntimo, aceita assim a graça de Deus e torna-se participante da mesma Glória para onde o Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, foi após a Sua ressurreição.

É Ele que torna possível a nossa participação na vida eterna após a nossa morte carnal, pois ao aceitarmos a graça enviada por Ele nos ligamos intimamente a Jesus Cristo aceitando-o como nosso Senhor e irmão, nos tornando, assim, filhos adotivos do Pai eterno.

O ESPÍRITO SANTO É AMOR

Deus é amor e assim também o é o Espírito de Deus, terceira pessoa da Santíssima Trindade, que habita em nós e nos faz a Sua imagem e semelhança. Ao aceitarmos isso, aceitamos também que só podemos encontrar a plenitude de nossa felicidade vivendo plenamente o amor. Esse é o motivo pelo qual estamos sempre em busca desse sentimento. Todos nós precisamos amar e ser amados, seja por nossos pais, por nossos amigos, por nossos esposos e esposas, e quando não amamos e não somos amados no sentimos sozinhos, abandonados, vazios. É por isso que Jesus Cristo definiu como os mandamentos mais importantes amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, e diz que é nesses dois mandamentos que se encontram resumidas todas as leis (cf. São Mateus 22:37-40).

No entanto esse amor tem sido distorcido. No lugar do amor que reflete a Deus, a sociedade prega um amor que só encontra significado na carne e no pecado. As pessoas cada vez mais vivem um amor egoísta, buscando satisfazer suas próprias vontades; um amor interesseiro, que sempre espera algo em troca; um amor impaciente; um amor cada vez mais humano, mais carnal, e menos divino. Dessa forma os homens pouco a pouco inibem a ação do Espírito de Deus em suas vidas e se afastam cada vez mais da salvação dada a nós por meio do precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. “Então como poderemos viver esse amor proposto por Deus por meio de seu Espírito?”, pode alguém estar se perguntando. E a resposta a essa pergunta encontra-se na descrição de como é esse amor que provém de Deus, dada a nós por meio da primeira carta aos Coríntios, escrita por São Paulo:

“A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (I Coríntios 13:4-7)

Ao se deparar com tal descrição, muitos desanimam e acham impossível viver tal sentimento, mas isso só acontece por que o ser humano insiste em querer fazer tudo por conta própria esquecendo que Jesus nos deixou aquele que virá em nosso auxílio, o paráclito, o Espírito Santo, que permanecerá conosco e em nós (cf. São João 14:16-17). Só por meio da ação do Espírito de Deus seremos capazes de viver plenamente esse amor.

O ESPÍRITO SANTO É INSPIRAÇÃO

Foi o Espírito Santo quem inspirou os escritores das Sagradas Escrituras, sejam elas do Antigo ou do Novo Testamento e é através delas (as escrituras) que nos são reveladas a linguagem, o estilo e a lógica do Espírito Santo. Foi Ele quem inspirou os santos a viverem intensamente como imitadores de Cristo. Foi o Espírito de Deus quem inspirou os grandes pais da Igreja a escreverem as inúmeras cartas que transmitiram durante os séculos e transmitem ainda hoje a Sagrada Tradição da nossa tão amada Igreja.

É Ele quem nos inspira a viver a caridade, a amar ao próximo. É ele quem nos auxilia na conversão de um irmão perdido no mundo. É Ele quem nos dá coragem para enfrentar os desafios propostos pelo mundo, quem nos dá a fé necessária para não sucumbirmos diante das armadilhas e tentações que surgem em nosso caminho. Sozinho o ser humano não é capaz de viver as virtudes da forma como Deus deseja. Esse desejo só pode ser realizado naqueles que recebem e aceitam a graça concedida gratuitamente a todos os homens pelo Espírito Santo.

O ESPÍRITO DE DEUS E A TRINDADE SANTA

Como é fácil notar, não é possível falar do Espírito Santo sem falar em Jesus Cristo e em Deus, pois todos Eles estão intimamente ligados por possuírem a mesma essência, por serem consubstanciais. Já no Gênesis, a figura da Trindade torna-se aparente. Quando Deus diz “façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gênesis 1:26s), Ele não usa a terceira pessoa do plural por acaso. Deus sempre existiu como Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) e o papel do Espírito de Deus, já na descrição da criação do Universo, é evidente quando o Espírito pairou sobre as águas e quando Deus soprou nas narinas de Adão o sopro da vida.

Isaías, ao profetizar a respeito de Cristo em um de seus momentos de inspiração divina, diz “Deus lhe dá o espírito de sabedoria e de compreensão, espírito de prudência e valentia, espírito de conhecimento e temor a Deus” (Isaías 11:2). Ele diz também “Eis o meu servo, dou-lhe meu apoio. Pus nele o meu espírito, ele vai levar o direito as nações” (Isaías 42:1). Vê-se aí a íntima ligação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo sempre presente na história do povo de Deus.

JESUS CRISTO E O ESPÍRITO SANTO

Pelo sim da Virgem Maria o Espírito Santo desceu sobre ela e a fez conceber o Nosso Senhor Jesus Cristo (São Lucas 1:35-38). João Batista anuncia que Cristo virá depois dele para batizar a todos pelo Espírito Santo e pelo fogo (São Mateus 3:11). No momento em que Jesus foi batizado, João, seu primo, viu “os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele” (São Marcos 1:11). Durante toda a sua trajetória, Jesus mostra a sua íntima ligação com o Espírito Santo de Deus e a grande importância que Este tem. Essa importância é notada quando Jesus diz que “todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não lhes será perdoada. Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro¹” (São Mateus 12:31-32).

Jesus promete aos apóstolos que rogará ao Pai para que ele os envie o Espírito da verdade, que ficará eternamente com eles (cf. São João 14:16-17) e ao reaparecer aos apóstolos antes de subir aos céus, soprou sobre eles o Espírito Santo e lhes deu o poder de perdoar os pecados (cf. São João 20:22-23). É por conta dessa enorme intimidade, narrada em detalhes na Bíblia e confirmada pela Sagrada Tradição, que o Espírito Santo nos une a Cristo Jesus, nos fazendo participar de Sua glória e tornando possível que nós sejamos agraciados pela salvação oferecida pelo Filho de Deus ao dar-se em sacrifício por todos os homens.

A IGREJA E O ESPÍRITO SANTO

Desde os primeiros passos da igreja primitiva sobre o mundo, o Espírito de Deus se fez presente, inspirando seus membros a falar para todas as nações e, com isso, converter multidões (cf. Atos dos Apóstolos 2), e é esse mesmo Espírito que ainda hoje guia a sua Igreja, que é una, santa, católica e apostólica, a manter imutáveis os ensinamentos e os costumes ensinados por Jesus e defendidos pelos seus apóstolos durante os séculos, diante de uma sociedade que prega o relativismo; é Ele que mantém a Igreja Católica Apostólica Romana firme durante esses mais de 2.000 anos de história, mesmo sofrendo os inúmeros ataques que ainda hoje sofre; é esse Espírito que move a todos os fiéis seguidores de Cristo, fortalecendo-os na fé, na esperança e na caridade, dando-os o que é necessário para lutar contra as tentações do inimigo e inspirando-os a serem pessoas melhores dispostas a fazer o possível para levar a paz e a felicidade a todos, pois são esses fiéis que integram o corpo do próprio Cristo (cf. I Coríntios 12:27), sendo assim templo e morada do Espírito Santo de Deus.

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

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  1. A blasfêmia contra o Espírito Santo consiste em atribuir por maldade a ação do Espírito de Deus ao espírito do mal. Ela também reflete o completo fechamento do coração humano às graças dadas pelo Espírito. Se o homem se fecha a essa graça, ele fica impossibilitado de receber o perdão de Deus, condenando a si próprio.

Maria – Mãe de Deus e Nossa Mãe

Por Anderson Santos

Poderíamos abordar o tema Maria de várias formas, e todas são, sem dúvida, relevantes para a compreensão da sua importância na vida da Igreja e no plano da salvação. Contudo, abordaremos aqui Maria como aquela que foi a escolhida para ser a Mãe de Jesus Cristo que é Deus com o Pai e com o Espírito Santo. Jesus Cristo que é o Verbo de Deus [1] que se fez homem e habitou entre nós. Deus quis estar no meio de nós para demonstrar que é possível viver de forma saudável a vida que é dom, que é graça, que é dádiva e por isso não pode ser vivida de qualquer jeito. Deste modo, Deus Pai escolheu uma Mulher que deveria ser um espelho de santidade para seu Filho, pois como dito acima, Jesus além de divino também é verdadeiramente homem, exceto no pecado.

Vamos então partir para os fatos relatados nas Sagradas Escrituras, a fim de compreender melhor esta afirmação de que Maria é a Mãe de Deus, e, consequentemente, nossa Mãe.

A ANUNCIAÇÃO DO ANJO

Primeiramente, no evangelho de São Lucas podemos ler o relato da anunciação do anjo Gabriel que foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem que se chamava Maria. “Entrando o anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.” Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.” (Lc 1, 28-29).

Na sequência:

O anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberas e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.” (Lc 1, 30-33)

Maria assusta-se com a notícia e passa a se perguntar como se daria isto, pois ela não havia tido ainda relação alguma com seu esposo José. Contudo, o anjo explica a Maria a forma como será feito o milagre de Deus [2] e assim, ela acolhe a palavra e diz: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” [3].

A VISITA A SANTA ISABEL E A ORAÇÃO A NOSSA SENHORA

Dias depois Maria vai visitar sua prima Isabel em uma cidade de Judá. Ao ouvir a saudação de Maria, a criança (João Batista) que estava no ventre de Isabel estremeceu e ela ficou cheia do Espírito Santo. Após isto, Isabel exclamou em voz alta, aquilo que deveria estar sempre nos lábios de todos os cristãos:

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!” (Lc 1, 42-45).

Sem dúvida esta proclamação de Isabel é inspirada pelo Espírito Santo e demonstra a vontade de Deus diante da relação que se deve ter com Maria. Por isso repetimos sempre na oração a saudação do anjo Gabriel: “Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco” e a exclamação de Isabel: “Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre”. No final pedimos a sua intercessão, clamando: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte.” Amém.

MARIA É A MÃE DE DEUS FEITO HOMEM

Podemos usar agora um pouco de lógica para ilustrar melhor tudo aquilo que já abordamos acima através dos relatos bíblicos da vida de Jesus e de Maria. Vejamos então estas proposições:

  • Uma mulher que dá à luz a um filho é a mãe deste filho;
  • Maria deu à luz a Jesus,
  • Logo, Maria é a mãe de Jesus.

Vejamos outras proposições e sua conclusão:

  • Maria é a mãe de Jesus;
  • Jesus é Deus (2º Pessoa da Santíssima Trindade)
  • Logo, Maria é a mãe de Deus.

Estamos diante de um argumento válido logicamente e confirmado pela fé através dos milagres apresentados nas sagradas escrituras. Para negar isto seria necessário alegar que Jesus não é Deus ou dizer que Maria não deu à luz a Jesus. Algo este que é totalmente infundado, pois Maria não poderia ser a mãe apenas do Jesus homem. Maria é mãe de Jesus que, é sim, verdadeiro homem, porém é também verdadeiro Deus, ou seja, não se pode dividir Jesus em dois, pois tanto a natureza divina quanto a natureza humana compõem o seu ser.

Diante disto, não podemos simplesmente querer tratar Maria como se fosse uma mulher qualquer, pois ela foi a escolhida para ser a Mãe do Salvador. Nossa atitude para com ela deve ser sempre a mesma dos primeiros cristãos que a acolhiam como Mãe, pois Jesus sempre se colocou como irmão daqueles que cumprem a palavra de Deus, e se formos também, de fato, irmãos de Jesus, somos, por conseguinte, filhos de Maria. Temos nos evangelhos vários exemplos de pessoas que reconheceram a importância de Maria no plano da salvação, como foi o caso de Isabel, do próprio José seu esposo, de João o apóstolo e de vários outros personagens no desenrolar dos acontecimentos. Portanto, não devemos ter medo de reconhecer Maria como alguém de suma importância em nossa caminhada na fé, pois ela é o maior exemplo de mãe, de serva, de intercessora e de solo fértil para o acolhimento da palavra de Deus. Ela é um sinal de salvação, por isso devemos ter respeito e veneração sempre.

Que possamos então caminhar juntos com Maria Mãe de Deus e Nossa Mãe, rumo à Pátria Celeste sem medo de estarmos indo contra a vontade do Pai, como alguns de nossos irmãos acham que fazemos, porque afinal de contas quando chegarmos ao paraíso com certeza a encontraremos, e não será nada bom ter passado essa vida combatendo a própria Mãe de Deus.

 

 

Maria, Santa Mãe de Deus, intercede por nós e nos inspira a sermos da mesma forma que você foi: fiel e temente a Deus. Roga para que consigamos nos entregar de corpo e alma ao serviço de Jesus Cristo, seu Filho único e Senhor nosso.

 

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

___________________________

[1] cf. Jo 1,1-5

[2] cf. Lc 1, 34-37

[3] cf. Lc 1, 38


REFERÊNCIAS

Bíblia Sagrada. 150º Edição. Editora Ave-Maria: São Paulo, 2002.

Catecismo da Igreja Católica: edição típica Vaticana. Edições Loyola, São Paulo: 2000.

Mariologia Essencial. Disponível em: <http://www.padrechrystianshankar.com.br/novo/formacao/mariologia/140-mariologia-essencial>. Acesso em: 13 de jun. 2012.

Corpus Christi: O Corpo de Cristo!

Hoje toda a comunidade Católica celebra a festa de Corpus Christi. Neste dia somos chamados a elevar louvores a Jesus Eucarístico e a adorá-lO plenamente, elevando as nossas preces ao nosso Salvador!

Porém muitas pessoas não conhecem como realmente esta celebração teve início e é com intuito de mostrar as origens da festa do Corpo de Cristo que nós do Quero Saber Sobre Deus trazemos este pequeno vídeo que fala de forma simples e resumida as origens desta tão solene data.

A origem da feste de Corpus Christi

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!


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