IGNOTI NULLA CUPIDO – "Ninguém ama o que não conhece". (Ovídio – poeta romano)

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Bento XVI

“O Senhor me chama a ‘subir ao monte’, a dedicar-me ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, antes pelo contrário, se Deus me pede isto é precisamente para que possa continuar a servi-la com a mesma dedicação e o mesmo amor com que o fiz até agora, mas de uma forma mais adapta à minha idade e às minhas forças” (Bento XVI)

“O Papa renunciou”! Esta foi a notícia com a qual muitos de nós acordamos no dia 11 de fevereiro. Muitos foram os sentimentos despertados, dentre eles a alegria, isso mesmo, alegria; mulheres tiraram as camisas dentro da Catedral de Notredame em comemoração ao ocorrido; vários foram aqueles que publicaram notícias com as teorias mais estapafúrdias sobre a decisão de Bento XVI, chegando ao ponto de dizer que isso comprometeria o dogma da infalibilidade papal; profecias a respeito do fim do mundo e até mesmo sobre João Paulo II ressuscitando e se tornando o anticristo foram gritadas aos sete ventos; há também aqueles desejosos por um papa mais aberto às mudanças do mundo, que venha para “modernizar” a doutrina católica e permitir coisas que desde sempre foram condenadas, pedindo, para isso, a opinião de “especialistas em catolicismo”! Duas são as conclusões que podemos tirar a partir do que foi dito: ou esse povo é realmente ignorante a respeito do catolicismo ou então são pessoas que odeiam a nossa doutrina e fazem de tudo para denegrir a nossa imagem como povo de Deus e sinal dentre as nações.

No entanto, mesmo diante de tantos bombardeios, nós católicos devemos nos manter serenos e confiantes diante da situação. Nem todos os responsáveis pela mídia se ocuparam de espalhar notícias absurdas a respeito do papa (notícias as quais nós do Quero Saber Sobre Deus pretendemos nos ocupar em comentar nos próximos posts). O próprio Bento XVI, em sua última catequese realizada no dia 27 de fevereiro na praça de São Pedro, diante de uma enorme multidão, agradeceu àqueles que “trabalham para uma boa comunicação”, classificando o trabalho deles como um “importante serviço”. Não devemos nos deixar levar por toda essa algazarra que nos rodeia, mas devemos nos espelhar nessas pessoas que se preocupam seriamente em transmitir a verdade, além de dar uma especial atenção à serenidade do nosso tão amado Papa Joseph Ratzinger (pois mesmo com renúncia ele continuará sendo o nosso Papa Emérito, continuando, inclusive, a usar vestes brancas) e tê-la como exemplo! Um papa que lutou para trazer de volta à unidade da Igreja muitos que a tempos tomaram outro caminho e que conseguiu de fato trazê-los; um papa que, mesmo sendo acusado de ser nazista por muitos, mesmo presenciando crises, lutou contra os erros e as heresias que ameaçam a fé do povo de Deus; um homem que, reconhecendo seus limites, teve humildade de declarar a todo o mundo a sua “incapacidade para exercer bem o ministério”, demonstrando a sua lucidez e o seu desejo de manter a cátedra de Pedro ocupada por alguém capaz de defender todo o depósito de nossa fé (para entender como funciona o conclave, processo de eleição do novo papa, veja o link https://querosabersobredeus.wordpress.com/2012/05/22/146/); um homem que em sua última catequese, com grande humildade, agradeceu a todos os fieis do mundo por suas orações, dizendo que é nelas e nas cartas simples que recebe do grande povo de Deus, que ele sente como se tocasse com a mão no que é a Igreja de Cristo.

Não agradeça, ó santo homem. Nós é que devemos agradecê-lo por toda a dedicação que você teve com esse povo. E em demonstração desse agradecimento, ao invés de dar ouvidos ao que o mundo fala, destilando, em muitos casos, veneno em seus comentários, vamos dar atenção às palavras de nosso santo padre, ouvir o que ele disse e respeitar sua decisão. Estaremos daqui, observando a sua subida ao monte, e que lá, assim como os apóstolos Pedro, Thiago e João puderam presenciar a face gloriosa do Nosso Senhor Jesus Cristo transfigurado (cf. Mc 9,2), que ele possa aguardar em paz o momento de encontrá-lo face a face para também contemplar a visão que os santos apóstolos tiveram.

O PAPA QUE DESCE PARA O ALTO (PE. MARCELO TENÓRIO)

Nesta manhã nublada de uma Roma enternecida

Por que não ficas conosco, mais um pouco, a nos guiar à Verdade sem ocaso da Fé?

No ano da Fé, deixa-nos, então?

Não celebrarás conosco o amanhecer de uma Igreja restaurada por tua palavra e banhada com o sangue de teu silencioso martírio?

O Trono, a glória, os suíços – todo o teu temporal não são capazes de te prender por entre os mármores de Pedro?

Sobre ti estão os olhares da humanidade, e tu recusas o poder?

Como novo Celestino entendes a hora de descer e,

Livremente desces.

Como Bento ,no nome e na graça, preferes o recolhimento na oração às glórias deste mundo, até a partida definitiva.

É próprio de quem é Grande, a descida.

Só os Grandes descem.

Com nobreza queres entregar o leme da Igreja a outro.

Reconhecendo tua fraqueza, renuncias.

Reconhecemos tua força e bradamos:

“Viva o Papa”!

O Papa que desce!

Que desce com tanta dignidade que é mais uma subida,

Que descida.

Mais demonstração de Força,

Que fraqueza.

Ó vós que sentis com a Igreja,

Olhai o papa que desce!

Que desce para o Alto!

E hoje mais do que nunca,

Em honra do Grande, do Forte e do Magno

Brademos juntos,

Mais uma vez:

Viva o Papa que desce para o Alto!

Viva Bento XVI.

Papa-Bento-e-Nossa-Senhora

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva à Jesus!


Continuando os nossos estudos sobre o nosso grande líder, sucessor de São Pedro, o Papa, Diego Galvão traz em seu segundo texto um breve histórico de como se deu a sucessão daqueles que assumiram o trono petrino, explicando os testemunhos dos primeiros cristãos atestando a autoridade do Bispo de  Roma sobre a Igreja de Cristo e como eram escolhidos esses grandes homens ao longo da história. Boa leitura!

Servos dos Servos

 Diego Souza Galvão de Melo.

Desde sempre, o Papa, Sucessor de São Pedro, foi considerado como sendo o chefe de todos os bispos! Nos três primeiros séculos da era cristã, devido às perseguições a que se exporiam, poucas vezes os bispos de Roma manifestaram o primado (liderança, supremacia) de que eram dotados. Contudo, um grande testemunho do primado na “era das perseguições” nos é dado pelo 4º papa da história da Igreja, São Clemente I (88-97). Sua carta aos coríntios é conhecida como “epifania do primado romano” e, tida como o primeiro documento papal, atesta a autoridade da Sé petrina sobre as outras igrejas de origem apostólica (todas, até então pertencentes a Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja de Cristo). Enviada à Igreja de Corinto, que estava dividida internamente por um cisma, devido à contestação da autoridade dos presbíteros por um grupo de fiéis, São Clemente afirma que “Se algum homem desobedecer às palavras que Deus pronunciou através de nós, saibam que esse tal terá cometido uma grave transgressão, e se terá posto em grave perigo”. Ainda, o Papa incita os coríntios a “obedecer às coisas escritas por nós através do Espírito Santo” (São Clemente, Epístola aos Coríntios).

A autoridade suprema do Sucessor de São Pedro foi, em todos os tempos, reconhecida por clérigos e fiéis, como provam muitos testemunhos, dentre os quais o de São Pedro Crisólogo (+450 ou 451), que falou: “Exorto-vos, veneráveis irmãos, a receber com docilidade os escritos do Santo Papa da cidade de Roma, porque Pedro, sempre presente na sua sede, oferece a fé verdadeira aos que a procuram”. Também como exemplo, podemos citar as palavras de São Jerônimo (+420) que, para encerrar os desentendimentos que afligiam o Oriente, escreveu a São Dâmaso, 37º papa: “Julguei que devia consultar a esse respeito a cadeira de Pedro e a fé Apostólica, pois só em vós está ao abrigo da corrupção o legado de nossos pais”.

Como, contudo, eram escolhidos os Papas? A maneira de se eleger o sumo-pontífice variou ao longo dos séculos, isso é inegável. Na Antiguidade, o clero da cidade de Roma designava um candidato e submetia a escolha ao assentimento dos leigos; os bispos vizinhos também participavam, ao que parece confirmando a escolha. No decorrer da história, contudo, nem sempre as coisas funcionaram como deveriam. Após a fundação dos Estados da Igreja, por exemplo, o papa tornou-se também príncipe temporal (com poderes seculares, materiais), fato que levou certas famílias nobres de Roma a ambicionarem o cargo para determinado ente querido, sem que tais estivessem à altura de tão elevado posto. No início do século XI (também para exemplificar), João Crescênio, patrício, com grande influência fez eleger três papas; em seguida, os Condes de Túsculo também fizeram com que três membros de sua família fossem eleitos.

Contudo, sacerdotes de Roma, os quais deveriam primitivamente constituir o presbitério pontifício (aqueles que, juntos com o Papa, eram responsáveis por determinar as leis da Igreja), aos poucos foram formando um senado, e passaram a ser chamados de “cardeais”, em virtude de serem, principalmente, os que participavam dos ofícios religiosos celebrados pelo sumo-pontífice. O Santo Padre Nicolau II (1058-1061), tornou-os responsáveis pela eleição dos papas, e a partir do século XIII tiveram prioridade sobre bispos, arcebispos e patriarcas. O Papa Inocêncio IV (1243-1254) lhes deu por emblema o chapéu vermelho, ao passo que Urbano VIII (1623-1644), atribuiu-lhes o título de “Eminência”.

A eleição de um novo papa, feita pelos membros do Colégio Cardinalício, os cardeais, é realizada através do famoso “Conclave”, termo latino que significa “com chave”, o qual não pode começar antes de quinze dias nem depois de vinte dias após a morte de um papa, e enquanto perdurar, os cardeais ficam proibidos de ler jornais ou outros periódicos, ouvir rádio e assistir televisão, para evitar pressões da opinião pública. No citado intervalo de quinze a vinte dias, os cardeais não podem discutir, nem mesmo entre si, sobre a sucessão papal. Aqueles que tiverem completado oitenta anos antes do dia da morte do Sucessor de Pedro ou da vacância da Sé Apostólica, não poderão votar, e o número máximo de cardeais eleitores não pode ultrapassar cento e vinte. Depois de cada rodada de votação no conclave, os votos são queimados e a fumaça expelida por uma chaminé no telhado da Capela Sistina pode apresentar duas cores: a negra, que significa que nenhum papa foi eleito, e a branca, que significa que São Pedro tem um novo sucessor, o qual, se ainda não for bispo, antes deverá ser assim ordenado para que então possa ser feito sumo-pontífice! Se dentro do conclave houver tentativa de suborno dos eleitores (a chamada “simonia”), os culpados poderão ser excomungados! Para ser eleito um novo papa, ao menos dois terços dos eleitores devem ter entrado em consenso quanto ao nome.

No artigo anterior já dissemos que o Chefe da Igreja não tinha uma específica denominação, pois também outros bispos eram chamados de “papa” ou “sumo-pontífice”. Passou-se então a se reservar ao Sucessor de Pedro tais designações. São Gregório Magno também acrescentou o título de “Servo dos Servos de Deus”, no sentido de que ele serve aos servos, é serviçal de todos os outros serviçais do Senhor! O primeiro papa a mudar de nome foi Mercúrio, que mudou o nome para João II (533-535), pois Mercúrio era nome de um deus-pagão romano.

Dos 265 pontificados (incluindo o de Bento XVI), os três mais longos foram: em primeiro lugar o de São Pedro, que governou por cerca de 34 ou 37 anos, seguido por Pio IX, que liderou a Igreja por cerca de 31 anos e, em terceiro lugar, vem o reinado de João Paulo II, o qual durou quase 27 anos. Em contrapartida (sem, contudo, que haja consenso nas fontes pesquisadas), Estêvão II, Urbano VII e Bonifácio VI marcaram os três pontificados mais curtos da história da Igreja: o primeiro reinou apenas 3 dias, o segundo 13 dias e o terceiro 16 dias. Ininterruptamente, os 54 primeiros papas foram declarados santos. Bonifácio II, o 55º, quebrou a sequência.

São Gregório Magno

Muitos foram os papas que se destacaram com um pontificado grandioso. Podemos, inclusive, nos alegrar por termos presenciado um dos maiores papas da história: João Paulo II, o nosso querido “João de Deus”. Contudo, Servos dos servos mereceram um título especial: “Magno”, e foram no total de dois, sendo o primeiro São Leão I (440-461) que, tendo sido o 45º Papa, é tido também por doutor da Igreja, e fez chegar até nós 96 Sermões e 173 Cartas. Um de seus grandes feitos foi ter evitado o incêndio de Roma e o morticínio dos que lá habitavam quando o chefe dos Vândalos, Genserico, invadiu a cidade. São Gregório Magno, 64º Papa (590-604), também é tido como doutor da Igreja e, por sua vez, fez chegar a nosso conhecimento 848 Cartas e, dentre outros grandes feitos, podemos citar como exemplos, a promoção da evangelização dos Anglo-Saxões, o trabalho conjunto com a rainha Teodelinda na promoção da paz com os Lombardos e a promoção de uma reforma no canto litúrgico que, de seu nome, veio a denominar-se canto gregoriano!

Normalmente, os conclaves geram expectativas e trazem grandes surpresas. São Pio X (1903-1914), por exemplo, muito pobre que era, tomou dinheiro emprestado para comprar as passagens de trem que o levariam ao conclave que o elegeu papa, tendo as comprado de ida e volta, convencido de que o Espírito Santo não cometeria o “erro” de sugerir ao Colégio cardinalício que o escolhessem como Sucessor de São Pedro. De fato, aqueles que normalmente são tidos como favoritos não são eleitos; com isso, uma frase ficou conhecida na história dos conclaves: “quem entra Papa, sai Cardeal!”. No último conclave, Joseph Ratzinger, braço direito de João Paulo II durante grande parte de seu pontificado, era um dos cotados para a sucessão, mas havia quem achasse sua eleição complicada. A revista VEJA chegou a dizer que sua eleição seria, caso ocorresse, uma grande surpresa e resultada de um conclave particularmente difícil. Em 19 de abril de 2005, apenas no segundo dia do “com chave”, o tradicional “habemus papam” (temos papa) anunciava o fim de uma das eleições mais rápidas da história, na qual Ratzinger tornou-se Bento XVI! Mais uma vez, o Espírito Santo surpreendera a muitos.

Referências Bibliográficas:

  1. MOURA, Jaime Francisco de. As diferenças entre a Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas. São José dos Campos, Editora ComDeus, 2005. Pág. 48-49.
  2. SGARBOSSA, Mario e GIOVANNINI, Luigi. Um Santo para cada dia. 11ª Edição. São Paulo, Editora Paulus, 1983. Pág. 249-250, 264 e 339.
  3. OLIVEIRA, P. Miguel de. História da Igreja. 4ª Edição. Lisboa, União Gráfica, 1959. Pág. 48, 69, 92-93, 107-108 e 117.
  4. http://veja.abril.com.br/especiais/papa/p_018.html
  5. http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_dos_pontificados_por_dura%C3%A7%C3%A3o
  6. http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=papa&artigo=20040709163628&lang=bra
  7. http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/juberto/09.htm

Não é difícil encontrar por aí pessoas e instituições dedicadas na tarefa de caluniar e denegrir a imagem do pastor da Igreja Católica Apostólica Romana, nosso santo padre, o Papa. O que muita gente não compreende ou talvez não busque saber é o porquê de sua existência, qual a sua tarefa e a sua importância.

O papa é nada menos que o pastor dos fiéis da Igreja Católica, escolhido e nomeado pelo próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo! O sucessor de Pedro, aquele sobre o qual Deus fundou a Sua igreja. A igreja que Jesus instituiu para continuar levando seus ensinamentos a todos os povos da terra, depois que Ele próprio tivesse voltado para junto do Pai nos céus. Uma igreja que não foi criada por homens e um pastor para pastorear suas ovelhas, que Jesus disse que não abandonaria até o fim dos tempos.

Quem é o Papa? Como esse posto foi criado e por quem? Por que devo apoiá-lo? Por que precisamos dele e devemos respeitá-lo? É para responder a essas perguntas que nós do Quero Saber Sobre Deus trazemos hoje o artigo escrito pelo nosso irmãozinho Diego Galvão, um advogado cristão, um eterno estudioso e pesquisador dos ensinamentos de Deus que muito tem a contribuir com este humilde espaço de informação criado pela inspiração divina e mantido para honra e glória de Deus.

As respostas de perguntas surgidas a respeito da figura do Papa serão esclarecidas em dois posts, neste que segue abaixo e em outro que será postado em seguida. Boa leitura ao amigo internauta!

DE MÃOS DADAS AO SUCESSOR DE PEDRO

Diego Souza Galvão de Melo

“tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (São Mateus 16:18)

“Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16, 17-19). Essas palavras, ditas por Cristo ao Apóstolo Pedro, ecoaram de tal forma que lançaram os alicerces da Igreja de nosso Senhor que, escolhido pelo próprio Cristo, teria Simão Pedro, irmão de André e filho de Jonas como o chefe da mesma e o fundamento de sua unidade!

De fato, Cristo sabia que não estaria com os seus durante muito tempo, e era seu desejo que seus ensinamentos fossem levados a todos os povos da terra, como declarou expressamente:

Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. (Mt 28, 19-20).

Sabia também que sua santa doutrina e sua morte redentora faria gerar um enorme rebanho. Mas, uma vez agrupado tal rebanho, era necessário alguém que o conduzisse, que o apascentasse, a fim de que o mesmo não se perdesse! Ele, soberano Senhor, que sabia que casa firme é aquela construída sobre a rocha (Mt 7, 24-25), escolheu a Pedro para apascentar seu rebanho:

Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.” ( Jo 21, 15-17).

Simão teve seu nome alterado para pedra, para exprimir o papel que desempenharia na Igreja (Cristo falava aramaico, e “kepha”, palavra aramaica, significa Pedro e pedra), presidiu a escolha de Matias para o lugar de Judas (At 1, 1-25); foi o primeiro a anunciar o Evangelho no dia de Pentecostes e na era da Igreja (At 2, 14-36); acolheu na Igreja o primeiro pagão (At 10,1); no Concílio de Jerusalém, o primeiro da história, foi o principal responsável pela decisão sobre a questão da circuncisão e da evangelização dos pagãos, dizendo a Bíblia, expressamente, que “toda a assembléia silenciou” (At 15, 7-12); seu nome aparece em primeiro lugar em todas as listas que enumeram os Apóstolos, ao passo que o nome de Judas Iscariotes vem sempre por último (Mt 10,2; Mc 3, 16; Lc 6,14; At 1,13); Jesus orou para que “a sua fé não desfalecesse” (Lc 22, 32). Muitas outras evidências colocam Simão em preeminência, mas estas já são suficientes.

Por tudo isso, percebemos claramente que Pedro foi o primeiro líder da Igreja! Sendo Bispo de Roma, lá esteve e lá foi martirizado, como atestam muitos testemunhos dos primeiros séculos, como os de Orígenes, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Santo Irineu, Dionísio, Santo Inácio de Antioquia e outros. Orígenes (+ 254), chegou a dizer: “São Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu que fosse crucificado de cabeça para baixo”. Na década de 1950, geólogos, historiadores e pesquisadores, em escavações na região do Vaticano, encontraram o túmulo do Santo Apóstolo.

Entretanto, com a morte de Pedro, a Igreja não poderia ficar “acéfala”, sem líder! Outro deveria ocupar seu lugar, e assim o foi e deve ser até o fim dos tempos. Cristo, que disse aos Apóstolos que com eles estaria até a consumação dos séculos (Mt 28, 19-20), não abandonaria os sucessores deles. A Igreja deveria continuar, sem que as portas do inferno prevalecessem sobre ela! Os Apóstolos instruiriam a outros, que passariam a exercer suas funções. Podemos citar como exemplo Barnabé, escolhido para a sua missão especial pelo Espírito Santo (At 18, 2), sendo depois chamado também de Apóstolo (At 14, 13). Mas quem ocupou o lugar de Pedro? Quem passou a ser o líder? A história não nos deixa desamparados, e testemunhos dos primeiros séculos apresentam os sucessores do Príncipe dos Apóstolos!

Um destes testemunhos é o de Santo Irineu, Bispo de Lião, escritor do 2º século, que foi discípulo de São Policarpo que, por sua vez, o foi do Apóstolo São João. Pois bem, Santo Irineu disse que “Pedro e Paulo, tendo fundado e instruído a igreja de Roma, transmitiram o episcopado a Lino e lhe sucedeu Anacleto e depois deste, Clemente tem em terceiro lugar o episcopado que vem dos Apóstolos.” Falando nos outros sucessores, Santo Irineu os cita até o 12º, que foi Eleutério, que governou a Igreja de 174 a 189 d. C.

A sucessão no trono de Pedro não parou! Até o século VI o Bispo de Roma não tinha uma denominação fixa, pois outros bispos também eram chamados de papa ou sumo-pontífice (Pontífice é o nome que era utilizado para definir o supervisor das atividades religiosas da antiga Roma. Como a Igreja Católica tem Roma por sede, esse nome passou a ser utilizado para denominar os chefes religiosos e, mais tarde, o Papa). A partir de então, começou-se a reservar apenas ao pontífice-romano o nome de Papa. Atualmente, Joseph Ratzinger, que atende pelo nome de Bento XVI, é o 264º sucessor de São Pedro, e o 265º Papa na história da Igreja.

O Catecismo da Igreja diz: “§882. O Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro, “é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos Bispos, quer da multidão dos fiéis” “Com efeito, o Pontífice Romano, em virtude de seu múnus de Vigário de Cristo e de Pastor de toda a Igreja, possui na Igreja poder pleno, supremo e universal. E ele pode exercer sempre livremente este seu poder.”! E, também, após ratificação do Concílio Vaticano I (1869-1870) de que o Papa é infalível quando proclama algo concernente à fé e à moral: “§891. Goza desta infalibilidade o Pontífice Romano, chefe do colégio dos Bispos, por força de seu cargo quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis e encarregado de confirmar seus irmãos na fé, proclama, por um ato definitivo, um ponto de doutrina que concerne à fé ou aos costumes… A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro”, sobretudo em um Concílio Ecumênico. Quando, por seu Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa “a crer como sendo revelada por Deus” como ensinamento de Cristo, “é preciso aderir na obediência da fé a tais definições”. Esta infalibilidade tem a mesma extensão que o próprio depósito da Revelação divina.” Sobre fé e moral, valem as palavras de Santo Agostinho: “Roma falou, acabou-se a questão!

Pois bem, queridos irmãos, hoje o Papa é atacado por muitos inimigos da Igreja, que desejam ferir o Pastor para que as ovelhas se dispersem. Caluniado, acusado e ridicularizado, constantemente, é o Vigário de Cristo contestado! Com um governo irrepreensível e sem abrir mão dos valores inegociáveis da fé cristã e da moral católica (quando, por exemplo, disse, durante a campanha das eleições presidenciais americanas, ser o aborto e a eutanásia “claro pecado grave”), Bento XVI lidera com pulso firme o rebanho do Cordeiro de Deus.

Com efeito, o que o Papa precisa de nós é de apoio! Precisamos nos deixar guiar por ele! Devemos orar com ele e por ele; comungar em união com ele e por ele; chorar com ele e por ele; e sorrir com ele e por ele. Precisamos escutá-lo e segui-lo: Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” (Lc 10, 16), já disse Cristo aos seus Apóstolos.

Sendo, pois, chefe e fundamento da Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja de Jesus Cristo, a única por Ele instituída, e que atravessou sem desmoronar as Idades Antiga, Média, Moderna, chegando à Contemporânea, e na certeza de que chegará até o fim dos tempos, podemos dizer, como já o fizeram outrora Santo Ambrósio (340-397), Bispo de Milão, e outros: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia” ou “Onde está Pedro, está a Igreja!”.

Referências Bibliográficas:

  1. MOURA, Jaime Francisco de. As diferenças entre a Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas. São José dos Campos, Editora ComDeus, 2005. Pág. 31-32, 34 e 37-38.
  2. NAVARRO, Lúcio. Legítima Interpretação da Bíblia. Campanha de instrução religiosa Brasil-Portugal. Recife, Víllares, 1958. Pág. 234 e 510.
  3. OLIVEIRA, P. Miguel de. História da Igreja. 4ª Edição. Lisboa, União Gráfica, 1959. Pág. 92.
  4. http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=IGREJA&id=igr0565
  5. http://www.frasesfamosas.com.br/de/papa-bento-xvi.html
  6. Catecismo da Igreja Católica. Edição Típica Vaticana. Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2000. Pág. 253 e 255.
  7. Bíblia Ave-Maria. 69ª Edição. Edição Claretiana, São Paulo, Brasil, 2007.


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