IGNOTI NULLA CUPIDO – "Ninguém ama o que não conhece". (Ovídio – poeta romano)

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Por Anderson Santos

Poderíamos abordar o tema Maria de várias formas, e todas são, sem dúvida, relevantes para a compreensão da sua importância na vida da Igreja e no plano da salvação. Contudo, abordaremos aqui Maria como aquela que foi a escolhida para ser a Mãe de Jesus Cristo que é Deus com o Pai e com o Espírito Santo. Jesus Cristo que é o Verbo de Deus [1] que se fez homem e habitou entre nós. Deus quis estar no meio de nós para demonstrar que é possível viver de forma saudável a vida que é dom, que é graça, que é dádiva e por isso não pode ser vivida de qualquer jeito. Deste modo, Deus Pai escolheu uma Mulher que deveria ser um espelho de santidade para seu Filho, pois como dito acima, Jesus além de divino também é verdadeiramente homem, exceto no pecado.

Vamos então partir para os fatos relatados nas Sagradas Escrituras, a fim de compreender melhor esta afirmação de que Maria é a Mãe de Deus, e, consequentemente, nossa Mãe.

A ANUNCIAÇÃO DO ANJO

Primeiramente, no evangelho de São Lucas podemos ler o relato da anunciação do anjo Gabriel que foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem que se chamava Maria. “Entrando o anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.” Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.” (Lc 1, 28-29).

Na sequência:

O anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberas e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.” (Lc 1, 30-33)

Maria assusta-se com a notícia e passa a se perguntar como se daria isto, pois ela não havia tido ainda relação alguma com seu esposo José. Contudo, o anjo explica a Maria a forma como será feito o milagre de Deus [2] e assim, ela acolhe a palavra e diz: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” [3].

A VISITA A SANTA ISABEL E A ORAÇÃO A NOSSA SENHORA

Dias depois Maria vai visitar sua prima Isabel em uma cidade de Judá. Ao ouvir a saudação de Maria, a criança (João Batista) que estava no ventre de Isabel estremeceu e ela ficou cheia do Espírito Santo. Após isto, Isabel exclamou em voz alta, aquilo que deveria estar sempre nos lábios de todos os cristãos:

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!” (Lc 1, 42-45).

Sem dúvida esta proclamação de Isabel é inspirada pelo Espírito Santo e demonstra a vontade de Deus diante da relação que se deve ter com Maria. Por isso repetimos sempre na oração a saudação do anjo Gabriel: “Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco” e a exclamação de Isabel: “Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre”. No final pedimos a sua intercessão, clamando: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte.” Amém.

MARIA É A MÃE DE DEUS FEITO HOMEM

Podemos usar agora um pouco de lógica para ilustrar melhor tudo aquilo que já abordamos acima através dos relatos bíblicos da vida de Jesus e de Maria. Vejamos então estas proposições:

  • Uma mulher que dá à luz a um filho é a mãe deste filho;
  • Maria deu à luz a Jesus,
  • Logo, Maria é a mãe de Jesus.

Vejamos outras proposições e sua conclusão:

  • Maria é a mãe de Jesus;
  • Jesus é Deus (2º Pessoa da Santíssima Trindade)
  • Logo, Maria é a mãe de Deus.

Estamos diante de um argumento válido logicamente e confirmado pela fé através dos milagres apresentados nas sagradas escrituras. Para negar isto seria necessário alegar que Jesus não é Deus ou dizer que Maria não deu à luz a Jesus. Algo este que é totalmente infundado, pois Maria não poderia ser a mãe apenas do Jesus homem. Maria é mãe de Jesus que, é sim, verdadeiro homem, porém é também verdadeiro Deus, ou seja, não se pode dividir Jesus em dois, pois tanto a natureza divina quanto a natureza humana compõem o seu ser.

Diante disto, não podemos simplesmente querer tratar Maria como se fosse uma mulher qualquer, pois ela foi a escolhida para ser a Mãe do Salvador. Nossa atitude para com ela deve ser sempre a mesma dos primeiros cristãos que a acolhiam como Mãe, pois Jesus sempre se colocou como irmão daqueles que cumprem a palavra de Deus, e se formos também, de fato, irmãos de Jesus, somos, por conseguinte, filhos de Maria. Temos nos evangelhos vários exemplos de pessoas que reconheceram a importância de Maria no plano da salvação, como foi o caso de Isabel, do próprio José seu esposo, de João o apóstolo e de vários outros personagens no desenrolar dos acontecimentos. Portanto, não devemos ter medo de reconhecer Maria como alguém de suma importância em nossa caminhada na fé, pois ela é o maior exemplo de mãe, de serva, de intercessora e de solo fértil para o acolhimento da palavra de Deus. Ela é um sinal de salvação, por isso devemos ter respeito e veneração sempre.

Que possamos então caminhar juntos com Maria Mãe de Deus e Nossa Mãe, rumo à Pátria Celeste sem medo de estarmos indo contra a vontade do Pai, como alguns de nossos irmãos acham que fazemos, porque afinal de contas quando chegarmos ao paraíso com certeza a encontraremos, e não será nada bom ter passado essa vida combatendo a própria Mãe de Deus.

 

 

Maria, Santa Mãe de Deus, intercede por nós e nos inspira a sermos da mesma forma que você foi: fiel e temente a Deus. Roga para que consigamos nos entregar de corpo e alma ao serviço de Jesus Cristo, seu Filho único e Senhor nosso.

 

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

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[1] cf. Jo 1,1-5

[2] cf. Lc 1, 34-37

[3] cf. Lc 1, 38


REFERÊNCIAS

Bíblia Sagrada. 150º Edição. Editora Ave-Maria: São Paulo, 2002.

Catecismo da Igreja Católica: edição típica Vaticana. Edições Loyola, São Paulo: 2000.

Mariologia Essencial. Disponível em: <http://www.padrechrystianshankar.com.br/novo/formacao/mariologia/140-mariologia-essencial>. Acesso em: 13 de jun. 2012.



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