IGNOTI NULLA CUPIDO – "Ninguém ama o que não conhece". (Ovídio – poeta romano)

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A palavra de Deus é a fonte que alimenta a alma dos cristãos e é nosso dever conhecê-la e praticá-la a fim de ter uma vida digna e agradável aos olhos do Senhor. Geralmente quando falamos sobre esse assunto, a primeira coisa que vem a cabeça de qualquer pessoa é a Bíblia, afinal nos quatro cantos do mundo se defende que é através dela que Deus tem transmitido Seus ensinamentos a todos os povos, porém cabe aqui uma pergunta: será realmente que a totalidade dos ensinamentos de Deus encontra-se nas Sagradas Escrituras? E a resposta para essa pergunta pode ser encontrada na própria Bíblia. Vejamos o que ela diz:

“Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro” (São João 20:30)

“Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever” (São João 21:25)

“Apesar de ter mais coisas que vos escrever, não o quis fazer com papel e tinta, mas espero estar entre vós e conversar de viva voz, para que a vossa alegria seja perfeita” (II João 1:12)

“Tinha muitas coisas para te escrever, mas não quero fazê-lo com tinta e pena. Espero ir ver-te em breve e então falaremos de viva voz” (III João 1:14-15)

É fácil notar que houve ensinamentos que não foram escritos na Bíblia, porém isso não a invalida. Tudo o que está nela representa a Verdade revelada por Deus aos homens e é digno de obediência, porém isso não significa que ela contenha toda esta Verdade. A Bíblia contempla tudo aquilo que é necessário “para que creiais que Jesus é o Cristo” (São João 20:31). Ora, para que possamos crer que algo é verdadeiro não é necessário conhecer a totalidade dos fatos, mas uma simples prova se mostra suficiente para passarmos a crer nesse algo e despertar, com isso, a curiosidade de conhecer toda a sua complexidade, concordam? E é através da Sagrada Tradição que a totalidade dos ensinamentos que Deus nos deixou é revelada. Por não ser a Bíblia a única fonte da Verdade revelada por Deus, não devemos achar que por conta dela não narrar determinado fato, este se torna mentiroso ou sem credibilidade. A Tradição Apostólica, por meio de inúmeros textos, confirmam todo e qualquer dogma pregado pelo catolicismo como sendo uma crença que remonta os primeiros séculos.

TIPOS DE TRADIÇÃO

Primeiramente é de vital importância diferenciar duas coisas: a Sagrada Tradição (com “T”) e as tradições religiosas humanas (com “t”).

A Sagrada Tradição representa os ensinamentos que foram transmitidos fielmente pelos apóstolos e seus sucessores ao longo dos séculos. Como exemplos temos a assunção e a virgindade eterna de Maria (que não são citadas explicitamente na Bíblia, pois o objetivo deste livro sempre foi falar de Jesus e da salvação do mundo preparada por Deus, mas acredita-se nisso desde os tempos antigos e na Bíblia vemos alguns sinais implícitos que comprovam a veracidade de tais fatos, mas que serão tratados em outro texto), e o próprio cânon bíblico, pois você não vê em nenhum escrito sagrado uma indicação de quais ou quantos livros devem ser considerados inspirados.

As tradições humanas são tradições criadas pelos homens, mas que não estão em contradição com o que é ensinado pela Santa Igreja, como, por exemplo, as festas religiosas, os dias dedicados aos santos, etc.

Neste texto iremos focar a Sagrada Tradição.

ANTES DE ESCREVER, TIVERAM QUE FALAR

Nenhum dos livros das Sagradas Escrituras foi escrito ao mesmo tempo em que os fatos ocorreram. Durante anos essas histórias foram transmitidas oralmente de geração em geração, criando uma enorme e rica Tradição, até que alguém tivesse a ideia de passa-las para o papel para que esses fatos não se perdessem (leia mais no texto “Fonte da Verdade: a Bíblia Católica”). Isso ocorreu tanto para os livros do Antigo Testamento quanto para os do Novo Testamento. Exemplos claros disso são os quatro Evangelhos. O Evangelho segundo São Mateus, o primeiro da Bíblia, foi escrito entre os anos 40 e 50 d.C., enquanto que os outros três, São Marcos, São Lucas e São João, foram elaborados entre 55 e 70 d.C., ou seja, todos eles foram escritos muito tempo depois de Cristo ter morrido, ressuscitado e subido aos céus! Além do mais, dos quatro evangelistas somente Mateus e João era discípulos de Jesus e vivenciaram os acontecimentos sobre os quais escreveram. Os outros dois apenas escreveram sobre o que ouviram de outras pessoas. O próprio São Lucas ouviu toda a narrativa da vida, morte e ressurreição de Cristo da boca de São Pedro para que pudesse a escrever. Percebam que nenhum desses quatro homens estava sempre ao lado de Jesus com um caderninho tomando nota das coisas que Ele falava.

A TRADIÇÃO É FUNDAMENTADA NA BÍBLIA

Além de tudo isso, a própria Bíblia confirma que devemos seguir a Tradição oral. Além das Sagradas Escrituras confirmarem que nem tudo foi escrito nelas (passagens do início deste texto), São Paulo em sua segunda carta aos Tessalonicenses, capítulo 2, versículo 15, disse “Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa”. Veja que o apóstolo Paulo fala em duas formas de transmissão dos ensinamentos: por palavras ou por cartas! É necessário falar mais?

A BÍBLIA É FILHA DA TRADIÇÃO

Essa afirmação causa espanto em muitas pessoas. Dizer que a Bíblia é filha da Tradição é uma heresia para aqueles que sustentam que tudo o que Deus quis passar para nós está na Bíblia. Então quer dizer que os demais milagres de Jesus e os ensinamentos que Ele passou para os apóstolos durante os quarenta dias que esteve junto a eles após a Sua ressurreição e que São João expressamente não escreveu não são importantes? Ou então as coisas que João, em sua II carta, queria “conversar de viva voz, para que a vossa alegria seja perfeita” não têm importância alguma, apesar de ser algo que vai aperfeiçoar a nossa alegria? Por que Deus iria querer nos privar de tão belos ensinamentos? E por que Ele nos privou disso, mas revelou a outros? O povo antigo é mais valioso que nós? Será que Deus faz distinção entre Seus filhos?

Agora temos uma simples pergunta: quais foram os critérios para se definir o cânon bíblico? Pergunte isso para um defensor da Sola Scriptura (teoria que diz que só a Bíblia é necessária para transmitir os ensinamentos de Deus e de Cristo) e ele vai responder que “o texto não pode estar em desacordo com a Bíblia”. Simplesmente genial, não fosse um pequeno probleminha: quando definiram o cânon, não havia Bíblia! Como podemos dizer que algo serve de base para definir uma lista se esse algo nem sequer existia quando essa lista foi definida? Impossível, não é mesmo? Então como a lista das Sagradas Escrituras foi definida? A resposta é simples: os livros inspirados tinham que estar de acordo com a Sagrada Tradição Apostólica! E foi isso que fizeram. É então que surge a afirmação “A Bíblia é filha da Tradição e não o contrário”! Porém, como foi dito no início desse texto, isso não reduz a importância da Bíblia para nós católicos. A Bíblia e a Tradição devem ser consideradas como verdadeiras, pois ambas se complementam. A Bíblia, inclusive, faz parte da Tradição: a Tradição Escrita!

TRADIÇÕES CATÓLICAS ATUAIS CONFIRMADAS PELOS ANTIGOS

1. MISSA

Muitos dizem que a missa é um ritual inventado pela “herege Igreja Católica” depois que o cristianismo foi “paganizado” por Constantino. Será mesmo? É fato que a celebração eucarística é muitas vezes citada na Bíblia, mas como isso parece não importar para os nossos acusadores, vejamos o que diz São Justino a esse respeito em uma carta que escreveu por volta do ano 155 d.C. (muito antes de Constantino sequer nascer):

No dia que se chama do sol¹, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: “Amém”. Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos. Os que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme sua livre vontade, dá o que bem lhe parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente.”

Quem conseguiu enxergar a missa nesse texto? Acho que todo mundo, não é?

2. CONFISSÃO DOS PECADOS

Jesus, em uma de suas aparições aos apóstolos após sua ressurreição, disse “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (São João 20:22-23). Dessa forma instituiu o sacramento da confissão, dando aos apóstolos a autoridade de perdoar os pecados dos fiéis em nome de Jesus. Porém, mesmo isso sendo tão explícito, nossos acusadores ignoram essa ordem, dizendo que isso não é necessário, pois basta pedir perdão a Deus que já está tudo certo. Será que era isso que os apóstolos pregavam? Vejamos o que diz a Didaqué, texto escrito no século I, ou seja, no período em que os apóstolos ainda estavam vivos, e que reflete os ensinamentos destes:

Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência”

“Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro”

Veja que desde o primeiro século, a confissão dos pecados já era uma prática comum dos cristãos e que era extremamente necessária para participar da Eucaristia.

Esses são apenas dois dos inúmeros exemplos que existem para comprovar a importância da Sagrada Tradição na confirmação dos costumes aceitos ainda hoje por nós católicos.

CONCLUSÃO

A Sagrada Tradição não é contrária a Bíblia e muito menos formada por tradições meramente humanas que foram introduzidas no cristianismo. É graças a ela que nós cristãos podemos conhecer na íntegra tudo aquilo que Deus quis nos passar, seja através dos profetas, seja através de Seu Filho e de seus seguidores. A Bíblia, que representa a Tradição Escrita, sempre andará de mãos dadas com a Sagrada Tradição transmitida oralmente pelos apóstolos e que é refletida em inúmeros escritos que complementam as Sagradas Escrituras e que chegaram até nós graças aos esforços dos primeiros cristãos que se preocuparam em transmitir fielmente toda a riqueza do verdadeiro cristianismo.

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

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1 – Dia do sol era o termo utilizado pelos romanos na antiguidade para chamar o domingo. São Justino, assim como muitos outros escritores posteriores a ele, se utilizavam desse e de outros termos para tornar o texto de fácil compreensão para leitores de outras culturas.


Muitos a criticam, vários nos acusam de termos alterado seu conteúdo, mas são poucos os que conhecem sua história a fundo. A Bíblia, além de ser o livro mais lido, é um dos mais comentados e criticados do mundo, críticas essas em sua maioria negativas, e todas elas são infundadas e vazias quando falamos em provas dessas acusações. Um estudo aprofundado sobre as Sagradas Escrituras mostra que elas foram muito bem conservadas durante os séculos, que a versão usada pela Igreja Católica Apostólica Romana possui os livros que desde o século IV são aceitos como verdadeiramente inspirados pelo Espírito Santo e que muitas provas de que os eventos narrados na Bíblia são de fato verdadeiros foram encontradas pela arqueologia. E esse é o objetivo desse texto: resumir de forma prática e simples as provas que atestam a veracidade das Sagradas Escrituras, apontando outros textos e vídeos que complementam nossos estudos. Boa leitura!

O TEXTO BÍBLICO FOI ALTERADO NO DECORRER DOS SÉCULOS

Essa é a principal via pela qual atacam a autenticidade da Bíblia, porém há um probleminha (estamos sendo muito bonzinhos ao utilizar o diminutivo aqui) nesse argumento: não há provas que o confirmem! Essa forma de pensar partiu do fato de que até meados de 1947 não havia cópias das Escrituras anteriores ao século IX. Por conta disso, historiados especulavam que, por conta dessa falta de evidências, não era possível confiar no texto bíblico, pois havia a POSSIBILIDADE (prestem atenção que o termo usado não indica uma certeza de 100%, mas uma probabilidade) desses textos terem sido alterados.

Porém um fato que aos olhos de muitos pode ser descrito como um mero acaso ou um golpe de sorte, mas que para nós é a ação da Divina Providência, derrubou qualquer “base” que esse argumento pudesse ter: a descoberta dos Pergaminhos do Mar Morto! Esses pergaminhos, também denominados MANUSCRITOS DE QUMRAN (levam esse nome, pois foram encontrados próximos às ruínas de uma antiga cidade de mesmo nome, que por sua vez fica próxima ao Mar Morto) foram confeccionados entre os anos 200 a.C. e 70 d.C., sendo este último ano o período em que Jerusalém foi invadida e destruída por Roma. Nesses pergaminhos encontram-se vários fragmentos dos livros do Antigo Testamento, além de outros textos de grande valor histórico, e dentre eles o mais bem conservado é o livro de Isaías. Este último é datado do ano 100 a.C., ou seja, cerca de 1.000 anos anterior a cópia mais antiga que existia na época de sua descoberta, porém o que há de mais surpreendente é que seu conteúdo é idêntico ao encontrado nas versões atuais da Bíblia quando falamos em conteúdo!

Manuscritos de Qumran

Diferenças existem, mas referem-se a questões de tradução (se você entrega o mesmo texto para duas pessoas diferentes traduzirem, se elas forem éticas irão chegar ao mesmo conteúdo, porém usando palavras diferentes em algumas partes, concordam?). Esta mesma semelhança foi encontrada nos demais fragmentos dos textos do Antigo Testamento, e mesmo com todas essas evidências ainda há pessoas, e em alguns casos até mesmo fiéis de outras religiões cristãs, que insistem em duvidar da fidelidade das cópias atuais aos textos antigos. Vai entender esse povo.

A BÍBLIA CONTÉM ERROS HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS ALÉM DE CONTRADIÇÕES EM SEUS TEXTOS

Em primeiro lugar temos que entender o seguinte: a Bíblia não é um livro científico, de História ou de Geografia! A intenção das Sagradas Escrituras é de passar aos homens os ensinamentos de Deus e de mostrar a relação que Ele sempre teve conosco desde o princípio da humanidade. Levemos em consideração também que os livros foram escritos por pessoas diferentes em épocas diferentes. Aí pode surgir o questionamento: “Mas muitos livros narram fatos que ocorreram simultaneamente, além de haver em textos diversos narrativas da mesma ocasião. Mesmo nesses casos encontramos contradições”.

A primeira coisa que pode ser dita de um comentário desses é que ele veio de uma pessoa que, no mínimo, tem preguiça de pensar! É realmente obrigatório que um texto que narre determinado momento histórico seja escrito simultaneamente ao episódio descrito? Lógico que não! É possível escrever hoje sobre um período da história que já passou ha séculos, sem ser preciso ter vivenciado esses fatos. Da mesma forma são os textos bíblicos. Vamos a um exemplo: o fato de o livro de Isaías levar o nome deste profeta não quer dizer que tenha sido o próprio Isaías que o escreveu! Esse livro pode ter sido escrito anos depois da época em que os eventos ocorreram por um de seus seguidores. Levando em conta que muitas dessas histórias foram transmitidas oralmente de geração em geração, elas eram transcritas da forma como eram contadas o que faz com que essas aparentes contradições de datas e de locais existam, mas não tenham importância ao se estudar os textos inspirados por Deus²!

Daí surge mais um questionamento que é feito em relação à confiabilidade dos textos bíblicos: “Se foi Deus quem inspirou os Livros Sagrados, por que Ele permitiu que houvesse essas contradições?”. É, foi Deus quem inspirou a redação das Sagradas Escrituras, MAS NÃO FOI ELE QUEM AS ESCREVEU! Temos que ter isso em mente que os homens não têm memória perfeita para lembrar detalhes como dias, quantidade de homens em determinado exército, dentre outras coisas, o que faz com que essas informações com o passar do tempo se percam sem prejudicar, porém, a essência da história contada. E para provar que esses fatos narrados de forma oral e posteriormente transcritos ocorreram de fato, temos a chamada arqueologia bíblica! Inúmeras provas arqueológicas foram encontradas, provando que tudo o que é narrado na nas Sagradas Escrituras é verídico! Como exemplo do que estamos falando aqui, segue um vídeo narrando as incríveis descobertas arqueológicas que comprovam um dos mais importantes acontecimentos descritos pela Bíblia: o êxodo!

ARQUEOLOGIA CONFIRMA O ÊXODO

Além de tudo isso, ainda há muitas dessas “contradições” que são facilmente explicadas pela exegética (análise da verdadeira intenção do autor ao escrever determinado texto) e linguística utilizadas na Bíblia. Um bom exemplo disso está no link abaixo:

DERRUBANDO FALSAS CONTRADIÇÕES

A BÍBLIA DEFENDE COISAS COMO A ESCRAVIDÃO E O MACHISMO E NARRA MUITAS GUERRAS EM QUE O “POVO DE DEUS” DERRAMA MUITO SANGUE EM NOME DE DEUS! SE O LIVRO FOSSE REALMENTE INSPIRADO POR DEUS, ISSO NÃO EXISTIRIA NELE!

Como foi dito mais acima, o Espírito Santo (que é Deus) inspirou os homens a escrever os livros, mas mesmo esses homens tendo sido inspirados, eles não foram desvinculados de suas culturas. Apesar de a Bíblia narrar a relação de Deus com os homens, ela também descreve toda a cultura daquele povo, como guerras, a submissão das mulheres aos homens, a permissão da existência de escravos (apesar destes escravos serem tratados de forma completamente diferente dos escravos negros e indígenas, que foram brutalmente maltratados pelos seus senhores durante a época das grandes navegações e na era colonial), etc. Logo, ao ler a Bíblia devemos entender a cultura da época e entender que ela é completamente diferente da nossa, havendo a necessidade de transferir parte dos ensinamentos para a nossa época (apenas as partes que demonstram aspectos culturais dos judeus da época devem ser repensadas. Muitas das doutrinas ensinadas na Bíblia, no entanto, não podem ser alteradas. Os Dez Mandamentos, por exemplo, são ensinamentos transmitidos por Deus a todas as nações de todas as épocas e não refletem cultura alguma dos judeus, sendo, portanto, imutáveis).

O CÂNON CATÓLICO (LISTA DOS LIVROS ACEITOS COMO INSPIRADOS PELA SANTA IGREJA) ESTÁ ERRADO! OS LIVROS DEUTEROCANÔNICOS DO ANTIGO TESTAMENTO FORAM INCLUÍDOS NA BÍBLIA APENAS APÓS A REFORMA (1517) PELO CONCÍLIO DE TRENTO (1543 – 1565) PARA DIFERENCIAR A BÍBLIA CATÓLICA DAS DEMAIS VERSÕES!

 Primeiro temos que saber qual a base utilizada para determinar o cânon bíblico dessas versões das Sagradas Escrituras.

A Bíblia Católica tem por base a tradução do Antigo Testamento para o grego, chamada Septuaginta ou versão dos setenta, também conhecida por cânon maior (tradução feita por 72 israelitas durante cerca de 70 dias, fato que dá nome a essa versão bíblica). Nesta versão estão presentes os livros deuterocanônicos (Tobias, Judite, I e II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc, além de partes dos livros de Daniel e Ester. Estes livros são assim chamados por não terem sido aceitos pela totalidade dos cristãos na determinação do cânon bíblico), além de outros livros considerados apócrifos hoje em dia, e das 350 citações do Antigo Testamento que estão presentes no Novo Testamento, 300 foram retiradas deste cânon. Essa versão era amplamente utilizada no tempo de Cristo³.

As demais versões bíblicas pós-reforma, por sua vez, foram baseadas no chamado cânon menor, que foi mais tarde confirmado pelo sínodo de Jâmnia, realizado por volta do ano 90 d.C. por um ramo específico do judaísmo³. O fato de uma parte dos judeus terem aceito esse cânon é, para muitos, um argumento suficiente para invalidar a Bíblia Católica, porém há alguns problemas que surgem ao se afirmar tal coisa:

  1. O Sínodo de Jâmnia foi realizado cerda de 50 anos após a morte de Cristo. Nesta época o Cristianismo já existia e, como foi citado, a versão da Septuaginta já era largamente utilizada;
  2. Como foi dito acima, o sínodo foi determinado por apenas um ramo específico do judaísmo, não sendo aceito pela totalidade do povo judeu, sendo, inclusive, contrário a outros cânones judaicos aceitos na época; e
  3. A doutrina pregada no cânon menor é visivelmente contrária aos ensinamentos cristãos, o que mostra que a sua elaboração foi realizada em oposição ao cristianismo. Um exemplo disso é um dos aspectos determinados no sínodo de Jâmnia para validar um livro como inspirado: o texto tem que ter sido escrito somente em hebraico. Essa regra adotada para determinar os livros inspirados ou não automaticamente invalida a maioria dos livros do Novo Testamento, que foram escritos em grego. Veja só a contradição nos argumentos anti-católicos!

Além disso, temos que lembrar que somos cristãos e não judeus! A lista de livros de nossa Bíblia tem que estar em acordo com as doutrinas cristãs e essa relação só pode ser determinada por aqueles a quem Jesus deu plenos poderes de interpretar e ensinar as Escrituras: Pedro, em conjunto com os demais apóstolos, e seus sucessores!

Em relação à determinação do cânon bíblico, vamos primeiro entender o porquê da necessidade de se firmar tal lista. Durante os primeiros 4 séculos do cristianismo era evidente a divergência entre as diversas igrejas sobre quais livros deveriam ser aceitos como inspirados. Diferentes igrejas aceitavam diferentes cânones e diante dessa problemática a Igreja Católica viu a necessidade de determinar quais os livros que deveriam ser aceitos universalmente. Esse cânon foi, então, determinado pelos concílios de Roma (382 d.C.), Hipona (393 d.C.), Cartago III (397 d.C.) e Cartago IV (419 d.C.), realizados muito antes da reforma ou do concílio de Trento. Esses concílios determinaram exatamente o mesmo cânon utilizado hoje em dia por nós católicos, contrariando o que os nossos acusadores costumam afirmar. Porém, mesmo diante disso, muitos teimam em dizer que não há provas de que a lista dos livros da nossa Bíblia está correta, pois esses concílios foram regionais, ou seja, o Papa não participou deles, tornando então necessária a aprovação do Bispo de Roma antes que eles passassem a ser aceitos pelos católicos. E quem disse que o Papa não os aprovou? Se não houvesse tal aprovação, então por que os papas Inocêncio I, em sua carta Consuleti Tibi (405 d.C.) e São Gelásio, no decreto Gelasiano (495 d.C.) confirmaram o mesmo cânon listado pelos concílios citados? Além do mais, o concílio ecumênico de Florença (1438 – 1445), ecumênico por ter sido realizado pelo papa juntamente com as autoridades eclesiais representantes de todas as igrejas da época, também confirmou a mesma lista de livros inspirados. Com isso é fácil notar que o concílio de Trento apenas repetiu o que já havia sido firmado no decorrer dos 12 séculos anteriores a ele.

A determinação do cânon católico não foi feita ao acaso. Todos os livros hoje aceitos pela Santa Sé estão em total acordo com tudo o que sempre foi ensinado desde os primórdios da Igreja, o que confirma que a Bíblia é filha da Igreja e não o contrário! É isso mesmo que você leu: a Bíblia é fruto da Sagrada Tradição da Igreja! Por conta disso, apesar de tudo que está presente na Bíblia representar a Verdade ensinada por Cristo, nem toda a Verdade se encontra na Bíblia, mas também na Tradição Apostólica, que originou as Escrituras e que complementa as mesmas, porém esse assunto ficará para a nossa próxima postagem.

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

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1 – http://www.bibliacatolica.com.br/blog/outros/que-importancia-tem-os-manuscritos-do-mar-morto/

2 – http://www.veritatis.com.br/doutrina/113-a-palavra-de-deus/918-origem-e-formacao-da-biblia

3 – http://www.veritatis.com.br/apologetica/106-biblia-tradicao-magisterio/1240-faltam-sete-livros-na-biblia-protestante



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