IGNOTI NULLA CUPIDO – "Ninguém ama o que não conhece". (Ovídio – poeta romano)

Category Archives: Catolicismo X Idolatria

“Na noite em que ia ser entregue, Jesus pegou o pão, deu graças e o deu aos seus discípulos dizendo: ‘Tomai todos e comei. Isto é o meu Corpo que será entregue por vós’. Do mesmo modo, ao fim da ceia, Jesus tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o entregou a seus discípulos dizendo: ‘Tomai todos e bebei. Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim.’”

E é assim, citando as palavras de Jesus durante a ceia realizada na noite anterior a Sua morte, que o sacerdote que celebra a Santa Missa recorda o momento em que a Sagrada Eucaristia foi instituída. Nesse momento o sacrifício de Jesus, que ocorreu de forma cruel e sangrenta, é renovado diante de nossos olhos, porém de forma incruenta, sem sangue, sem tortura, e o maior milagre que os olhos humanos podem presenciar acontece: o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue, na alma e na divindade de Jesus Cristo. Nosso Senhor se faz presente diante de nós, tornando-se digno de toda adoração e de toda a glória.

Porém há pessoas que não acreditam que esse milagre possa acontecer. Muitos nos chamam de idólatras por estarmos prestando adoração a um pedaço de pão e a um pouco de vinho, que, segundo eles, nada mais são do que o que foi dito: pão e vinho. E é isso que queremos abordar nesse texto. Será que nós católicos estamos delirando ao adorar o pão e o vinho, achando que neles se faz presente o próprio Jesus, ou a nossa atitude é correta e agradável aos olhos de Deus? Essa é a pergunta que pretendemos responder, tudo sempre tendo por base as três fontes que formam a base de nossa Doutrina: a Bíblia, a Sagrada Tradição e o Magistério da Igreja Católica.

A EUCARISTIA

Em primeiro lugar se faz necessário definir qual o significado de Eucaristia. Compreender o seu conceito é de fundamental importância para o entendimento do restante do texto, então vamos lá:

Eucaristia: do Latim EUCHARISTIA, do Grego EUKHARISTHIA, “gratidão, agradecimento”, de EUKHARISTOS, “agradecido”, formado por EU-, “bem”, mais KHARIZESTHAI, “mostrar favor ou agrado por”, de KHARIS, “favor, graça”1.

Trocando em miúdos, eucaristia significa “Ação de graças”.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, partindo agora para o sentido teológico da palavra, a Eucaristia é:

AÇÃO DE GRAÇAS:

“§1359 A Eucaristia, sacramento de nossa salvação realizada por Cristo na cruz, é também um sacrifício de louvor em ação de graças pela obra da criação. No sacrifício eucarístico, toda a criação amada por Deus é apresentada ao Pai por meio da Morte e da Ressurreição de Cristo. Por Cristo, a Igreja pode oferecer o sacrifício de louvor em ação de graças por tudo o que Deus fez de bom, de belo e de justo na criação e na humanidade.”

FONTE E ÁPICE DA VIDA ECLESIAL

“§1324 A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã”. “Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa .””

MEMORIAL

“§1362 A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferta sacramental de seu único sacrifício na liturgia da Igreja, que é o corpo dele. Em todas as orações eucarísticas encontramos, depois das palavras da instituição, uma oração chamada anamnese ou memorial.”

PRESENÇA

“§1374 O modo de presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz com que da seja “como que o coroamento da vida espiritual e o fim ao qual tendem todos os sacramentos”. No santíssimo sacramento da Eucaristia estão “contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo” . “Esta presença chama-se ‘real’ não por exclusão, como se as outras não fossem ‘reais’, mas por antonomásia, porque é substancial e porque por ela Cristo, Deus e homem, se toma presente completo.””

SACRIFÍFIO

“§1363 No sentido da Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens. A celebração litúrgica desses acontecimentos toma-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tomam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.”

Resumindo tudo, temos que a Santa Igreja considera a Eucaristia como a memória da vida e da morte e a renovação do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde Ele se encontra presente em corpo, sangue, alma e divindade, sendo, dessa forma, a presença real de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, e é através deste sacrifício que damos graças e louvores a toda a criação de Deus enquanto aguardamos o retorno do Salvador. Sendo a Eucaristia presença real de Cristo, Ela é digna de toda a adoração, pois ao adorarmos a Ela, estamos adorando ao próprio Cristo!

Tendo posse desse conceito, vamos agora estudar a respeito da veracidade dessas afirmações, rebatendo, dessa forma, as acusações feitas contra nós.

Uma das formas que tentam invalidar o mistério da Eucaristia é através da afirmação de que quando Jesus pronunciou as palavras “Fazei isto em memória de mim” (São Lucas 22:19) ele quis dizer que a ceia é apenas uma forma simbólica de lembrar da paixão do Senhor, ou seja, ela deve ser realizada como um simples memorial e que o pão e o vinho não são verdadeiramente o corpo e o sangue de Cristo. Ora, isso não passa de uma armadilha lógica, um falso argumento. O fato de Jesus ter pedido aos apóstolos que tudo fosse feito em memória d’Ele não faz daquele fato algo fictício, simbólico. É, por acaso, impossível realizar algo real e utilizar dessa realidade para relembrar de um fato ou de alguém? Não é o fato do pão e do vinho se tornarem corpo e sangue de Jesus que faz com que esse momento deixe de ser realizado em memória da vida e da morte do Nosso Senhor, afinal de contas quando vemos o padre, que age in persona Christi 2, consagrando a hóstia e o vinho no altar, a primeira coisa que vem em nossas mentes é a imagem da ceia de Cristo! Porém, ainda assim os acusadores dizem que não há provas bíblicas de que haja realmente a transubstanciação (transformação do pão em corpo e do vinho em sangue). Será mesmo?

Desde o início, muito antes da ceia da páscoa, o senhor já dava sinais de que deveríamos nos alimentar de sua carne e de seu sangue:

“’Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo’. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: ‘Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?’ Então Jesus lhes disse: ‘Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.’” (São João 6:51-58)

Alguém conseguiu ver algum sentido figurado nessas palavras proferidas por Jesus? Os discípulos de Jesus também não, tanto que muitos disseram “Isto é muito duro! Quem o pode admitir?” (São João 6:60) e muitos deles “se retiraram e já não andavam com ele” (São João 6:66). Considerem que Jesus percebeu que os discípulos se afastaram dele quando ouviram que deveriam comer de Sua carne e beber do Seu sangue, por terem se escandalizado com a dureza de tais palavras. Vocês não acham que Jesus teria se corrigido se não fosse exatamente isso que Ele quisesse dizer? Será que Jesus, que é o próprio Deus, não se expressou direito e causou um mal entendido que tem durado por cerca de 2000 anos?

Se com isso ainda não ficou claro, vejamos o que São Paulo falou a respeito da ceia do Senhor:

“Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.” (I Coríntios 11:27-29)

Mais uma vez façamos a pergunta: onde está o sentido figurado deste texto? Se o pão e o vinho apenas representassem simbolicamente o corpo e o sangue de Jesus, por que iríamos comer e beber a nossa própria condenação ao comer o pão e beber o vinho indignamente, nos tornando culpáveis do CORPO E DO SANGUE DO SENHOR? Além disso, por que São Paulo é tão claro em dizer que devemos comer do pão e beber do vinho distinguindo o CORPO DO SENHOR?

Também temos que notar que quando Jesus institui a Eucaristia, Ele é bastante enfático ao dizer “Isto é o meu corpo” (São Lucas 22:19). Ele não diz que o pão simboliza o Seu corpo, mas que ele de fato É! O mesmo vale para o vinho! Não há simbolismo no que foi falado, tanto que os apóstolos continuaram celebrando a ceia do Senhor da mesma forma e pronunciando as mesmas palavras ditas por Jesus (cf. I Coríntios 11:24)

Além de tudo isso, ainda podemos contar com o testemunho dos primeiros cristãos para afirmar que tal crença no corpo e sangue de Jesus já existia entre eles. Vejamos um trecho do texto de São Justino de Roma, a “I Apologia”, escrito por volta do ano 155 d.C.:

“Este alimento se chama entre nós Eucaristia, da qual ninguém pode participar, a não ser que creia serem verdadeiros nossos ensinamentos e se lavou no banho que traz a remissão dos pecados e a regeneração e vive conforme o que Cristo nos ensinou. De fato, não tomamos essas coisas como pão comum ou bebida ordinária, mas da maneira como Jesus Cristo, nosso Salvador, feito carne por força do Verbo de Deus, teve carne e sangue por nossa salvação, assim nos ensinou que, por virtude da oração ao Verbo que procede de Deus, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças – alimento com o qual, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossa carne – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado”.

Vemos aí que desde os primórdios do cristianismo a crença na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia já existia, portanto isso não é fruto da tal “paganização do cristianismo promovida por Constantino” (declarado imperador pelas suas tropas no ano 306 d.C.) como muitos costumam afirmar.

Além da acusação refutada acima, também somos acusados de sacrificar novamente a Jesus durante a celebração da missa e dessa forma contrariamos o ensinamento de São Paulo, que disse:

“Eis por que Cristo entrou, não em santuário feito por mãos de homens, que fosse apenas figura do santuário verdadeiro, mas no próprio céu, para agora se apresentar intercessor nosso ante a face de Deus. E não entrou para se oferecer muitas vezes a si mesmo, como o pontífice que entrava todos os anos no santuário para oferecer sangue alheio. Do contrário, lhe seria necessário padecer muitas vezes desde o princípio do mundo; quando é certo que apareceu uma só vez ao final dos tempos para destruição do pecado pelo sacrifício de si mesmo. Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo, assim Cristo se ofereceu uma só vez para tomar sobre si os pecados da multidão, e aparecerá uma segunda vez, não porém em razão do pecado, mas para trazer a salvação àqueles que o esperam” (Hebreus 9:24-28)

Realmente esse ensinamento é verdadeiro e o sacrifício de Jesus ocorreu uma única vez, mas Cristo não é sacrificado novamente durante a celebração eucarística! Como foi dito no início deste post, o sacrifício da missa não é um novo sacrifício, mas a renovação do mesmo sacrifício feito na cruz por Jesus Cristo. Nós celebramos o sacrifício de Jesus, que nos lavou de todos os pecados, renovando, assim, as promessas da Nova Aliança que foi instituída pelo sangue precioso do Senhor enquanto esperamos o retorno de Cristo Jesus (cf. I Conríntios 11:26). Também recorrendo aos costumes e práticas dos primeiros cristãos, vamos ver como eles enxergavam a celebração eucarística:

“Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro. Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado. Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: “Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei – diz o Senhor – e o meu nome é admirável entre as nações”

O texto acima foi extraído do Didaqué, escrito entre os anos 60 e 90 da era cristã. Ele é considerado o primeiro Catecismo da Igreja e transmite ensinamentos atribuídos aos doze apóstolos de Cristo. Dessa forma, podemos afirmar que os próprios apóstolos já consideravam a Eucaristia como a celebração do sacrifício de Jesus, o que torna essa prática mais do que aceitável.

Porém Deus não se conteve em demonstrar a presença de Seu filho na Eucaristia apenas por meios testemunhais. Essa presença também foi atestada através dos chamados milagres eucarísticos. Em vários locais do mundo, durante o decorrer do segundo milênio, foram presenciados vários milagres que demonstraram de forma definitiva àqueles que duvidavam a veracidade do mistério da transubstanciação. Leia a respeito desses milagres no link abaixo:

10 MILAGRES EUCARÍSTICOS – PROF. FELIPE AQUINO

A adoração ao Santíssimo Sacramento é tão antiga quanto o próprio cristianismo e é mais do que necessária na vida de todos os cristãos, pois quando O adoramos, estamos adorando ao próprio Deus feito homem que se deu em sacrifício pela redenção de nossos pecados. É no pão e no vinho que Jesus nos faz participar desse sacrifício, e é participando dele que nós reconhecemos que temos que morrer para o mundo e nascer de novo no Espírito Santo.

No vídeo abaixo, padre Paulo Ricardo fala a respeito da importância da adoração a Jesus Eucarístico. A palestra completa está dividida em cinco partes:

PARTE 01

PARTE 02

PARTE 03

PARTE 04

PARTE 05


Da mesma forma que os israelitas sacrificaram um cordeiro, macho, sem máculas, se alimentaram de sua carne e o sangue do animal os salvou da morte, conforme foi ordenado por Deus (cf. Êxodo 12:1-14), assim também Deus mandou o seu cordeiro, o Filho do Homem, sem máculas, livre de todo o pecado, para que Ele fosse sacrificado, sua carne fosse dada por alimento e o seu sangue nos livrasse da morte, abrindo-nos o caminho para a vida eterna. Somente através do sacrifício de valor infinito de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é que nós poderíamos apagar a ofensa infinita que fizemos contra Deus no momento em que o pecado entrou no mundo por nossa tão grande culpa. E assim foi feito; e a promessa de Deus foi cumprida.

Fiquem com Deus e que Maria os conduza pelo caminho que leva a Jesus!

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1- Origem Da Palavra, disponível em: http://origemdapalavra.com.br/pergunta/eucaristia/

2- In Persona Christi ou na pessoa de Cristo: a Doutrina Católica ensina que o padre, durante a santa missa, age na pessoa do próprio Cristo enquanto Cabeça da Igreja, ou seja, o próprio Jesus assume o lugar do padre na celebração (Catecismo da Igreja Católica, §1548).

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Idólatra! Essa é uma palavrinha que é dita com muita frequência quando alguém quer falar mal de nós católicos. Eles nos acusam ferozmente de cometer esse pecado, dispensando qualquer demonstração de respeito pela nossa imagem. Porém, quase sempre se engana quem costuma usar essa palavra. Na verdade, quem usa a palavra “idolatria” quase sempre ignora o seu verdadeiro significado.

O que é Idolatria?

“A palavra Idolatria vem do latim eclesiástico idolatria, do grego eidolatres. Formada pela junção das palavras: eidolon = ídolo, e lautreuein = adorar”1.

Ou seja, adorar um ídolo.

E o que é um ídolo?

Ídolo: “Estátua ou objeto cultuado como deus, que o substitui como objeto de adoração. Um falso deus”2.

Ou seja, algo (qualquer coisa) ou alguém (qualquer pessoa) que é posto no lugar de Deus.

E o que é adoração?

Adorar é reconhecimento de algo ou alguém como ser supremo. “É essencialmente um ato da mente e da vontade, mas comumente expresso em atos externos de sacrifício, prece e reverência. A adoração, no sentido estrito, é devida a Deus somente3”.

Render culto à divindade…

Ou seja, reconhecer algo ou alguém como um deus.

SENDO ASSIM…

IDOLATRIA É O ATO DE RECONHECER UM FALSO DEUS COMO SER QUE ESTÁ ACIMA DE TUDO.

DESSA FORMA, O ATO DA IDOLATRIA É IMPOSSÍVEL DE SER PRATICADO POR UMA PESSOA QUE ACREDITA QUE SÓ EXISTE UM DEUS, QUE ACREDITA QUE ELE ESTÁ ACIMA DE TUDO E QUE “AMA A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS” (Primeiro mandamento da lei de Deus).

E COMO É IMPOSSÍVEL SER CATÓLICO DISCORDANDO DESSE MANDAMENTO, ESTÁ MAIS DO QUE CLARO QUE É IMPOSSÍVEL QUE UM CATÓLICO PRATIQUE A IDOLATRIA.

E mais… Segundo o significado da palavra “adorar”, ainda explicamos que é impossível dizer que alguém está cometendo o pecado da idolatria apenas observando suas atitudes, pois uma simples atitude não reflete exatamente o que se passa no coração de uma pessoa. O ato de adorar é algo que não se pode expressar somente em ações, mas vem essencialmente da mente, da vontade e parte do coração.

Partindo dos significados etimológicos e teológicos que listamos acima, vamos tentar ilustrar isso em uma situação:

Experimente chegar para um católico que tem devoção por algum santo e perguntar a ele quem é maior, Deus ou o santo. Acho que é fácil saber a resposta, não é?

O que acontece é que a acusação da idolatria proferida contra os católicos é completamente sem fundamento.

É justamente com o intuito de desmentir essas falsas acusações que o Quero saber sobre Deus vem falar nesta e na próxima postagem sobre a questão da IDOLATRIA. Primeiro estudaremos o culto que os católicos prestam aos santos e no próximo artigo falaremos da adoração prestada à Sagrada Eucaristia.

CULTO AOS SANTOS

Nós, católicos, cremos no que chamamos de intercessão dos santos, ou seja, que os santos, que foram homens e mulheres de muita fé e muito tementes a Deus em vida, por estarem compartilhando atualmente da glória do Senhor, podem orar por nós diante de Deus pedindo que Ele realize graças em nossas vidas, atendendo às nossas orações.

Veja que a Doutrina Católica não vê um santo como um espírito que tem poderes especiais que faz milagres por conta própria, querendo para si reconhecimento pelo que faz. Um santo não possui poderes próprios. Nós pedimos algo a um santo e ele, por estar vivendo na presença eterna de Deus, ora por nós pedindo que Deus nos conceda a graça.

No final das contas os santos são intercessores e quem realiza os milagres é o único que tem poder para isso: Deus! Mas por que é tão difícil entender algo tão simples? Aí entra a danada da má interpretação bíblica. Quem acusa os católicos tem mania de usar versículos isolados e completamente fora do contexto bíblico para provar suas teorias mirabolantes. Vamos analisar agora as acusações e os argumentos utilizados por eles.

ACUSAÇÃO Nº 1: Deus proibiu que fossem feitas imagens quando disse “Não farás para ti escultura alguma do que está nos céus, ou embaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra” (Êxodo 20:4). Ao rezarem diante de uma imagem vocês estão desrespeitando essa ordem de Deus, além de estarem cometendo Idolatria!

Olhando para isso façamos a seguinte pergunta: será que Deus está se referindo a qualquer tipo de escultura? Se estiver, então devemos considerar que o próprio Deus foi o maior idólatra que já existiu, pois Ele mesmo mandou construir duas estátuas de anjos na Arca da Aliança (Êxodo 25:18), uma imagem de serpente que curava as vítimas de picadas de cobra no deserto (Números 21:8), além do que Deus encheu com Sua glória o templo do rei Salomão, que era repleto de imagens de anjos e animais em suas paredes (I Reis, 7:29). Logicamente, pensar que Deus é um idólatra é ridículo. Então quer dizer que Deus está se contradizendo? Não. Ao analisar um texto bíblico, devemos fazê-lo dentro do contexto em que ele foi escrito.

Em primeiro lugar, se formos analisar a tradução grega da Bíblia, veremos que o termo que foi traduzido como escultura na verdade éeidolon”, que significa ídolo. E como já abrimos este post explicando, um ídolo é tudo aquilo que colocamos no lugar que é exclusivo de Deus. O que por si só já configura um pecado contra o primeiro mandamento que é “Amai a Deus sobre todas as coisas”.

Logo, qualquer coisa pode ser um ídolo: dinheiro, trabalho, mulheres, etc. Podemos então deduzir que Deus não estava falando de qualquer tipo de escultura, mas apenas das que representassem ídolos, ou seja, falsos deuses. Se formos analisar o texto de êxodo 34, Deus, ao pedir que Moisés reescreva os dez mandamentos para substituir a antiga tábua que havia sido quebrada, é muito mais específico ao falar dessas imagens. Segue o texto:

“Não adorarás nenhum outro deus, porque o Senhor, que se chama o zeloso, é um Deus zeloso” (Êxodo 34:14)

“Não farás deuses de metal fundido” (Êxodo 34:17)

Deus poderia ser mais claro do que isso? Aí nós perguntamos: por que esse texto da bíblia também não é levado em consideração quando alguém decide acusar os católicos de idolatria?

Lembrem-se também que durante décadas os israelitas foram escravos dos egípcios, sendo dessa forma expostos a uma cultura idólatra e politeísta. O objetivo de Deus era impedir que essa prática se propagasse.

ACUSAÇÃO Nº 2: Vocês ajoelham-se diante de imagens e fazem orações a elas. Isso é adoração!

Então quer dizer que quando Abraão se ajoelhou diante dos três anjos que estavam passando perto de sua tenda (gênesis 18:2) ele os estava adorando? Mas logo Abraão, o homem chamado de pai da fé, aquele com quem Deus firmou uma aliança? Lógico que não! E olhe que esta é somente uma das inúmeras passagens da Bíblia que mostram uma pessoa se prostrando diante de alguém que não é Deus. Além disso, como já falamos no início desta postagem, as orações que fazemos aos santos são pedidos de intercessão, ou seja, nós pedimos que os santos orem por nós diante de Deus. Não são eles que realizam os milagres, mas o Senhor. Vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica fala a esse respeito:

“O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem” (Catecismo da Igreja Católica, 2131-2132.)

Trocando em miúdos, as imagens nada mais são que representações dos verdadeiros santos. Logo as orações que fazemos em frente a elas são, na verdade, direcionadas a quem elas representam: os santos, que “nos conduzem ao Deus encarnado”. Veja que a própria doutrina católica não vê os santos como deuses, mas os considera como setas que apontam para o único Deus em sua santa Trindade.

Santos são como setas que apontam para Deus em Sua Trindade Santa

ACUSAÇÃO Nº 3: “Jesus é o único mediador entre Deus e os homens” (I Timóteo 2:5), logo outras pessoas não podem mediar essa relação!

O engraçado é que esse argumento prova a nossa primeira explicação, de que tais acusadores analisam o texto bíblico totalmente fora do contexto. Vamos ver o que dizem os versículos imediatamente anteriores a este:

Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (I Timóteo 2:1-4).

No texto acima, São Paulo diz expressamente que devemos orar uns pelos outros e que ISSO É BOM E AGRADÁVEL AOS OLHOS DE DEUS! Mas orar não é mediar (mediar significa estar no meio de dois pontos, servindo de elo para eles)? Então como é que São Paulo nos diz para orar uns pelos outros e logo em seguida diz que só Jesus é mediador? Simples! Concordam conosco que quando Paulo falou que Jesus é o único mediador ele estava referindo-se ao momento em que Jesus falou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (São João 14:6)?

Veja a relação com o versículo 4 de I Timóteo, capítulo 2, que diz que Deus deseja que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da VERDADE. Ou seja, Jesus é a verdade, é o único caminho de salvação, o único que nos mostra o caminho que leva diretamente a Deus! Ninguém, muito menos um santo, pode ser caminho de salvação para ninguém e é nesse sentido que Jesus é chamado de único mediador.

Até porque se analisarmos o versículo 5 de maneira isolada, ele vai dar a entender que teríamos que parar de fazer pregações, cultos e celebrar missas, pois com isso nós estaríamos levando aos outros a palavra de Deus e Seus ensinamentos, logo estaríamos fazendo justamente o que ele diz para não fazer: mediando.

E se fossemos seguir essa interpretação isolada teríamos, inclusive, que destruir todas as Bíblias do mundo! Afinal a Bíblia é considerada a palavra de Deus. Logo, se ela leva os ensinamentos de Deus a todas as criaturas, ela está mediando uma relação de Deus com os homens.

Viu quantas coisas terríveis podem acontecer diante de uma má interpretação da bíblia?!

ACUSAÇÃO Nº 4: Mas Jesus prega a intercessão feita pelos vivos. Os mortos não podem mais nos ouvir e nem podem interceder!

Em primeiro lugar, os primeiros cristãos da época apostólica já pediam orações para os que já haviam morrido. Foram encontradas inúmeras inscrições nos túmulos dos primeiros cristãos de pessoas pedindo orações aos mortos. Além disso, existem passagens na Bíblia que comprovam a relação dos santos mortos com os vivos. Seguem algumas delas:

“Eis o que vira: Onias, que foi sumo sacerdote, homem nobre e bom, modesto em seu aspecto, de caráter ameno, distinto em sua linguagem e exercitado desde menino na prática de todas as virtudes, com as mãos levantadas, orava por todo o povo judeu” (II Macabeus 15:12)

Onias, o homem que aparece orando pelos judeus neste texto, já estava morto quando isso aconteceu. Os protestantes, por exemplo, não têm esse livro em suas Bíblias, pois Lutero o retirou por não condizer com suas doutrinas. E olhe que Lutero não retirou esse livro da bíblia protestante por conta da demonstração de intercessão, mas por outros motivos. Na verdade, Lutero era devoto de Nossa Senhora e, por isso, acreditava também na intercessão dos santos.

Durante a transfiguração de Jesus (São Lucas 9:28-36) Moisés e Elias (personagens do antigo testamento, que, portanto, já não estavam mais entre os vivos há séculos) apareceram conversando com Jesus diante dos apóstolos. Se isso não mostra a relação dos santos com Deus e com os homens, não sabemos o que isso pode mostrar!

Na parábola do rico e de Lázaro (São Lucas 16: 19-31), o homem rico, depois de morto e já no inferno, intercede a Abraão (um santo patriarca) pela sua família pra que eles sejam avisados de como o inferno é terrível. É verdade que Abraão não atende o pedido, mas isso acontece não pelo fato de ele não poder, mas porque, segundo o próprio Abraão, não adiantaria fazer isso, pois não iria mudar a crença dos familiares do rico. Ou seja, ele podia, mas não fez por não ser necessário.

Ainda existem aqueles que dizem que quando morremos ficamos literalmente mortos até o dia do juízo. Se fosse assim, Jesus estaria mentindo quando disse: “Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos” (São Mateus 22:31-32), ou quando falou ao ladrão na cruz “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (São Lucas 23:43). Como é óbvio que Jesus não mente, fica claro que os mortos não ficam dormindo à espera do juízo final.

O engraçado é que tudo isso, exceto a passagem de II Macabeus, não está somente na Bíblia católica, mas mesmo assim há quem possua em suas bíblias essas mesmas passagens e ainda assim negue a Doutrina da intercessão dos santos.

Além disso, temos os textos dos grandes pais da Igreja que falam a respeito da oração dos santos, mostrando que essa prática já existe desde os tempos apostólicos:

“O Pontífice [o Papa] não é o único a se unir aos orantes. Os anjos e as almas dos justos também se unem a eles na oração” (Orígenes, 185-254 d.C. Da Oração).4

“Se um de nós partir primeiro deste mundo, não cessem as nossas orações pelos irmãos” (Cipriano de Cartago, 200-258 d.C. Epístola 57) 4

“Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos”. (Santo Hilário de Poitiers, 310-367 d.C) 4

“Por vezes, é a intercessão dos santos que alcança o perdão das nossas faltas [1Jo 5,16; Tg 5,14-15] ou ainda a  misericórdia e a fé” (São João Cassiano. 360-435 d.C. conferência 20) 4

Terminamos por aqui essa primeira parte de nossos estudos sobre a relação entre a idolatria e o catolicismo. Na próxima postagem tentaremos falar um pouco sobre a Sagrada Eucaristia. Ela é realmente o corpo de Cristo? Ela pode ser adorada?

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

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REFERÊNCIAS:

1 – JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. Disponível em: http://sites.google.com/site/dicionarioenciclopedico/idolatria

2 – JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. Disponível em: http://sites.google.com/site/dicionarioenciclopedico/idolatria

3 – Dicionário católico – Diácono Alfredo. Disponível em:  http://www.prestservi.com.br/diaconoalfredo/dicionario/inicial.htm

4 – A Intercessão dos Santos. Disponível em: http://www.veritatis.com.br/apologetica/123-imagens-santos/555-a-intercessao-dos-santos



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