IGNOTI NULLA CUPIDO – "Ninguém ama o que não conhece". (Ovídio – poeta romano)

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A Esposa de Cristo não pode adulterar, é fiel e casta. Aquele que se separa dela saiba que se junta com uma adúltera, e que as promessas da Igreja já não o alcança. Aquele que abandona a Igreja não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por mãe na terra”. (São Cipriano, Bispo de Cartago, falecido em †258 d.C.). [1]

Damos graças a Deus pelo fato de que os artigos anteriores lançaram luzes sobre a fé de muitos. Já se falou sobre o Papado, sobre a Sagrada Tradição, sobre a Santíssima Virgem, verdadeiramente Mãe de Deus, sobre o culto dos Santos e das imagens… Louvamos a Deus e damos graças à Virgem Imaculada por nos ter concedido a oportunidade de ajudar a responder muitos questionamentos que irmãos e irmãs trazem dentro da alma a respeito da Igreja Católica.

A IGREJA DE CRISTO

Agora, porém, é chegada a hora de respondermos, de maneira clara e explícita, a outros questionamentos que rondam os corações sinceros de quem busca a Verdade: Cristo, afinal, fundou uma Igreja? Se sim, qual? Apenas ela pode ser a verdadeira? As respostas para esses questionamentos são profundas e extensas, de tal forma que dividirão este artigo em três partes, e embora, ao expormos a conclusão da terceira parte, tais respostas sejam suficientes (esperamos e cremos) não terão, de maneira alguma, esgotado toda a matéria.

Antes de mais nada, cumpre perguntarmos: afinal, o que é a Verdade? Verdade… muitos se questionaram sobre o que ela seria, a buscaram com todo o afinco, escreveram sobre ela… mas, na verdade, os homens não conseguiram chegar a seu pleno conhecimento, pois a Verdade está infinitamente acima deles… Contudo, tudo mudou de perspectiva: a Verdade desceu a nós, se encarnou no seio de uma virgem, nasceu em meio aos homens, caminhou com eles, com eles comeu, se deu a conhecer: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,14). Cristo é a Verdade: “Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” Jo 14,6). Portanto, se reconhecemos, com efeito, que Cristo é Deus e que há um único Deus, reconhecemos que só há uma única Verdade!

Cristo, que é a Verdade, disse a Pedro: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Repare o leitor que Cristo disse que edificaria sua Igreja… logo, Cristo fundou, SIM, uma Igreja, edificada sobre Pedro (como já vimos em artigos anteriores). Sobre esta Igreja, São Paulo nos diz que ela é o Corpo de Cristo: “Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele. Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja. Ele é o Princípio, o primogênito dentre os mortos e por isso tem o primeiro lugar em todas as coisas” (Cl 1, 17-18). O Apóstolo também nos diz que foi por ela, a Igreja, que Cristo se entregou: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja – porque somos membros de seu corpo” (Ef 5, 25-27. 29-30). Mais ainda, São Paulo chama a Igreja de coluna e sustentáculo da verdade: “Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15). Que belíssimas as palavras de São Paulo; se Cristo é a Verdade, a Igreja é a coluna e o sustentáculo dessa Verdade, isto é, ela sustenta o Cristo perante o mundo, ela o dá a conhecer, ela o leva a toda a parte!

Se há apenas uma verdade, a fé deve ser apenas uma, como o disse São Paulo: “Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos” (Ef 4, 3-6). Portanto, só deve haver uma coluna e sustentáculo da verdade… só deve haver um corpo… só deve haver uma Igreja! E, de fato, só há uma… mas qual?

A IGREJA DEVE SER UNA

Que estupendo mistério! Há um único Pai do universo, um único Logos do universo e também um único Espírito Santo, idêntico em todo lugar; há também uma única virgem que se tornou mãe, e me agrada chamá-la de Igreja.” (S. Clemente de Alexandria, falecido em † 215 d.C. ). [2]

Com efeito, a Igreja deve ser uma! Se há uma só Verdade que anunciou um só Evangelho, como aceitar, como se fosse perfeitamente coerente, as divergências entre os mais diversos credos? Que o leitor não se espante com a informação que a seguir lhe daremos, mas compreenda a triste situação que se iniciou no século XVI, com a Reforma Protestante:

“Em 1600, devido à reforma protestante, havia mais de 100 divisões em várias seitas. Antes de 1900, havia 1000 ao redor. Antes de 1981 havia mais que 20.700. Hoje há mais de 33.800  dividindo o Corpo de Cristo, sendo fundadas por meras criaturas humanas. As comunidades protestantes aumentaram em número de aproximadamente 65% em só vinte anos. (Dados da Enciclopédia Cristã mundial, abril de 2001), uma publicação protestante.” [3]

Mais de 33.800 denominações protestantes, cada uma em contradição com a outra, todas se julgando corretas… Em sua maioria, nossos irmãos separados têm a mania de dizer que o Espírito Santo é quem os insta, os inspira, os ensina a verdade… neste caso, o Espírito Santo estaria se contradizendo, pois como poderia Ele, por exemplo, ensinar aos luteranos que Cristo está presente na Eucaristia, mas ensinar aos assembleianos que aquilo é apenas um símbolo? Como Ele poderia mostrar aos Adventistas do Sétimo Dia que o dia de adoração é o sábado, mas aí Ele chega para os batistas e diz que é o domingo? Como pode o Santo Espírito dizer às Testemunhas de Jeová que Cristo não é Deus, mas aí Ele diz aos fiéis da Igreja Universal que é sim? Como pode Ele dizer aos Anglicanos que se batizem crianças, e depois chegar para os Presbiterianos e dizer que não façam isso, pois o batismo infantil é inválido? O espírito que reina no Protestantismo, vê-se, é o espírito da confusão, e espírito de confusão não é Espírito de Deus! E olhe que a Reforma Protestante só tem cerca de 500 anos… há igreja protestante que permite o aborto, que casa homossexuais e por aí vai… ladeira abaixo, porque é esta a consequência desta louca aventura chamada Protestantismo!

O Protestantismo, ao querer se aventurar fora da Igreja, tornou-se uma verdadeira Babel: esses nossos irmãos, das mais diversas denominações (Igreja “A” de Amor, Igreja Menina dos Olhos de Deus, Igreja Automotiva do Fogo Sagrado, Igreja Cristo é Show, Igreja Evangélica Mata Minha Saudade, etc, etc, etc) possuem a mesma Bíblia, mas não falam a mesma língua, não se entendem! Assim, o Protestantismo NÃO PODE SER A IGREJA DE DEUS, POIS NELE NÃO HÁ UNIDADE! E mais: nenhuma das Igrejas Protestantes pode ter a pretensão de ser a Igreja de Cristo, pois Ele já tinha subido aos céus há cerca de 1.500 anos quando elas começaram a aparecer!

Interessantes e oportunas são as palavras de Lúcio Navarro:

“S. Clemente de Alexandria (também do século 2º) responde à objeção dos infiéis que perguntam: “como se pode crer, se há tanta divergência de heresias, e assim a própria verdade nos distrai e fatiga, pois outros estabelecem outros dogmas?” Depois de mostrar vários sinais pelos quais se distingue das heresias a verdadeira Igreja, assim conclui S. Clemente: “Não só pela essência, mas também pela opinião, pelo princípio pela excelência, só há uma Igreja antiga e é a IGREJA CATÓLICA. Das heresias, umas se chamam pelo nome de um homem, como as que são chamadas por Valentino, Marcião e Basílides; outras, pelo lugar donde vieram, como os Peráticos; outras, do povo, como a heresia dos Frígios; outras, de alguma operação, como os Encratistas; outras, de seus próprios ensinos, como os Docetas e Hematistas”. (Stromata 1.7. c. 15). Digamos de passagem: o mesmo argumento podemos formular hoje contra os protestantes. Há uma só Igreja que vem do princípio: é a Igreja Católica.

As seitas protestantes, umas são chamadas pelos nomes dos homens que as fundaram, ou cujas opiniões seguem, como: Luteranos (de Lutero), Calvinistas (de Calvino), Zuinglianos (de Zuínglio), Arminianos (de Armínio), Svedenborgianos (de Svedenborg), Socinianos (de Socin), Russelitas (de Russel), Valdenses (de Valdo), Menonitas (de Menno);

outras, do lugar donde vieram: Igreja Livre Evangélica Sueca, Irmão de Plymouth;

outras, de um povo: Anglicanos (da Inglaterra), Irmãos Moravos (da Morávia);

outras, do modo pelo qual se governam, como os Presbiterianos, os Congregacionalistas;

outras, de alguma doutrina que professam, como os Batistas (que rebatizam os que foram batizados em criança ou por infusão), os Adventistas (que anunciam a próxima vinda ou advento do Senhor), os Pentecostais (que pretendem receber os mesmos carismas do dia de Pentecostes), os Ubiquitáios (que dizem que o corpo de Cristo está em toda parte), os Universalistas (que dizem que a predestinação e a salvação são universais);”[4].

Arianismo, Marcionismo, Pelagianismo, Gnosticismo… essas e outras heresias assolaram os primeiros séculos da Igreja, ameaçando sua Unidade. Mas foram vencidas, e a História se encarregou de enterrá-las nas areias do tempo, deixando a Igreja, contudo, de pé, porque o Senhor da História prometeu à sua Esposa que as portas do inferno não prevaleceriam sobre ela! Depois de mais de mil anos, os protestantes resolveram ressuscitar algumas dessas derrotadas heresias. Por exemplo: o Arianismo (de Ário), oficialmente rejeitado pela Igreja no Concílio Ecumênico de Nicéia, em 325 d.C., negava a divindade de Cristo… os Testemunhas de Jeová, surgidos no século XIX, fazem o mesmo! O Nestorianismo (de Nestório), oficialmente condenado pela Igreja no Concílio Ecumênico de Éfeso, em 431 d.C., afirmava que em Cristo haviam duas pessoas: uma humana e uma divina, e que portanto Maria não seria Mãe de Deus, mas sim mãe do “Cristo homem”… A Igreja venceu esta heresia, afirmando que na ÚNICA PESSOA DO CRISTO existem duas naturezas, a humana e a divina, unidas SEM SEPARAÇÃO, sendo o Cristo TODO homem e TODO Deus! E o Nestorianismo foi então esquecido… até que o Protestantismo (não todos, porque eles não têm unidade) o desenterrou sob nova roupagem (podemos chamar de “Semi-Nestorianismo”): Cristo é uma só pessoa (estamos de acordo!); com duas naturezas, humana e divina (ok, perfeito!); Maria não é mãe de Deus, mas sim mãe do “Cristo homem” (hã??? Como é que é o negócio???). Então Maria é mãe da “natureza humana” de uma pessoa e não mãe “da” pessoa? Por essa lógica, minha mãe não é minha mãe, mas mãe da metade de mim, pois para a minha geração contribuiu apenas com 23 cromossomos, e os outros 23 vieram de meu pai. Mas o pior não é isso, mas isto: dividir Cristo ao meio atrai ao Cristianismo uma ruína repentina! Afinal, se Maria é apenas mãe do “Cristo homem” (pois Deus não pode ter mãe), quem morreu na Cruz foi o “Cristo homem” ou o “Cristo Deus”? Se foi o “Cristo homem” então não ocorreu redenção, pois o sacrifício não foi de valor infinito (porque não foi divino) e, se não houve redenção, o Paraíso não está aberto, a graça não nos ajuda na salvação (até porque, se não houve redenção, as comportas da graça estão fechadas), Cristo morreu à toa e o Pai, que prometeu que em Cristo reconciliaria o mundo consigo, ou mentiu, ou ao menos falhou inegavelmente em sua promessa… tudo isso simplesmente por negar que Maria é Mãe de Deus… com isso não concordamos nem em 431, nem 1000 anos depois, nem hoje e nem NUNCA!

Fora da Igreja não há Unidade, pois “Um homem Cristão é Católico enquanto vive no corpo; decepado deste, torna-se um herege. O Espírito não segue um membro amputado.” (Santo Agostinho, falecido em † 430 d.C.)[5]. O próprio Martinho Lutero, pai dos reformadores e o qual, para muitos de nossos irmãos separados, foi inspirado por Deus para fazer a reforma (mas o engraçado é que esses mesmos irmãos não são luteranos) chegou a lamentar o resultado de sua rebelião; ainda no primeiro século da reforma, já dizia: “Este aqui não ouvirá falar do Batismo, e aquele nega o sacramento, outro põe um mundo entre isto e o último dia: alguns ensinam que Cristo não é Deus, alguns dizem isto, alguns dizem isso: há tantas seitas e credos como há tantas cabeças. “Nenhum rústico é tão rude quando ele tiver sonhos e fantasias, e pensar que é inspirado pelo Espírito santo e deve ser um profeta.”
(De Wette III, 61. citado em O’Hare, Os fatos sobre Lutero, 208.)
[6]

A Igreja deve ser Una por vontade do Senhor!

É O QUE AFIRMAM AS SAGRADAS ESCRITURAS

“Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha.” (Mt 12, 30);

Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos” (Ef 4, 3-6);

Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17, 20-21);

Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da doutrina que recebestes. Evitai-os!” (Ro 16, 17);

Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão.” (1 Cor. 10, 17);

A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum.” (At 4,32)

Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento.” (1Cor 1, 10);

Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.” ( Jo 10, 16);

Cântico das peregrinações. De Salomão. Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem. Se o Senhor não guardar a cidade, debalde vigiam as sentinelas.” (Sl 126, 1).

É O QUE AFIRMA A SAGRADA TRADIÇÃO APOSTÓLICA

“É necessário que eu tenha em mente a IGREJA CATÓLICA, difundida desde o Oriente até o Ocidente” (São Frutuoso, falecido em †259 d.C.)(Ruinart. Acta martyrum pág 192 nº 3)[7];

“Só a IGREJA CATÓLICA é que conserva o verdadeiro culto. Esta é a fonte da verdade; do qual se alguém sair, está privado da esperança de vida e salvação eterna” (Lactâncio, falecido em †300 d.C.)(Livro 4º cap. 3)[8];

“Como, depois dos Apóstolos, apareceram as heresias e com nomes diversos procuram cindir e dilacerar em partes aquela que é a rainha, a pomba de Deus, não exigia um sobrenome o povo apostólico, para que se distinguisse a unidade do povo que não se corrompeu pelo erro?… Portanto, entrando por acaso hoje numa cidade populosa e encontrando marcionistas, apolinarianos, catafrígios, novacianos e outros deste gênero, que se chamam cristãos, com que sobrenome eu reconheceria a congregação de meu povo, se não se chamasse CATÓLICA? (São Paciano de Barcelona, falecido em † 392)(Epístola a Simprônio nº 3) [9];

“Se algum dia peregrinares pelas cidades, não indagues simplesmente onde está a casa do Senhor, porque também as outras seitas de ímpios e as heresias querem coonestar com o nome de casa do Senhor, as suas espeluncas; nem perguntes simplesmente onde está a igreja, mas onde está a igreja CATÓLICA; êste é o nome próprio desta santa mãe de todos nós, que é também a espôsa de Nosso Senhor Jesus Cristo” (São Cirilo de Jerusalém, falecido em 386 d.C.)(Instrução Catequética c. 18; nº 26)[10];

“Deve ser seguida por nós aquela religião cristã, a comunhão daquela Igreja que é a CATÓLICA, e CATÓLICA, é chamada não só pelos seus, mas também por todos os seus inimigos” (Santo Agostinho, falecido em † 430 d.C.) (Verdadeira religião c 7; nº 12)[11].

É O QUE AFIRMA O SAGRADO MAGISTÉRIO

“§813. A Igreja é una por sua fonte: “Deste mistério, o modelo supremo e o princípio é a unidade de um só Deus na Trindade de Pessoas, Pai e Filho no Espírito Santo”. A Igreja é una por seu Fundador: “Pois o próprio Filho encarnado, príncipe da paz, por sua cruz reconciliou todos os homens com Deus, restabelecendo a união de todos em um só Povo, em um só Corpo”. A Igreja é una por sua “alma”: “O Espírito Santo que habita nos crentes, que plenifica e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e os une tão intimamente em Cristo, que ele é o princípio de Unidade da Igreja”. Portanto, é da própria essência da Igreja ser una:

[…]

§815. Quais são estes vínculos da unidade? “Sobre tudo isso [está] a caridade, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3,14). Mas a unidade da Igreja peregrinante é também assegurada por vínculos visíveis de comunhão:

– profissão de uma única fé recebida dos Apóstolos;

– a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos;

– a sucessão apostólica, por meio do Sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus.

§816. “A única Igreja de Cristo (…) é aquela que nosso Salvador depois de sua Ressurreição, entregou a Pedro para que fosse seu pastor e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá-la e regê-la… Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na ( “subsistit in”) Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”:

[…]

§820. A unidade, “Cristo a concedeu, desde o início, à sua Igreja, e nós cremos que ela subsiste sem possibilidade de ser perdida na Igreja católica e esperamos que cresça, dia após dia, até a consumação dos séculos”. Cristo dá  sempre à sua Igreja o dom da unidade, mas a Igreja deve sempre orar e trabalhar para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. Por isso Jesus mesmo orou na hora de sua Paixão, e não cessa de orar ao Pai pela unidade de seus discípulos: “… Que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles esteja me nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). O desejo de reencontrar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e convite do Espírito Santo.”[12]

Para encerrar, como já vimos em artigos anteriores, o fundamento visível desta unidade, já dizia a Sagrada Tradição muito antes de o Imperador Constantino nascer e conceder a liberdade de culto aos cristãos em 313 d.C., e mais de mil e duzentos anos antes de Martinho Lutero, é o Romano Pontífice:

O Senhor diz a Pedro: “Eu te digo que és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus…” O Senhor edifica a sua Igreja sobre um só, embora conceda igual poder a todos os apóstolos depois de sua ressurreição, dizendo: “Assim como o Pai me enviou, eu os envio. Recebei o Espírito Santo, se perdoardes os pecados de alguém, ser-lhes-ão perdoados, se os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”. No entanto, para manifestar a unidade, dispõe por sua autoridade a origem desta mesma unidade partindo de um só. Sem dúvida, os demais apóstolos eram, como Pedro, dotados de igual participação na honra e no poder; mas o princípio parte da unidade para que se demonstre ser única a Igreja de Cristo… Julga conservar a fé quem não conserva esta unidade da Igreja? Confia estar na Igreja quem se opõe e resiste à Igreja? Confia estar na Igreja quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?” (Sobre a Unidade da Igreja)”. [13]. (São Cipriano, Bispo de Cartago, falecido em †258 d.C.).

Mas a Igreja não é apenas Una. Ela também é Santa, Católica e Apostólica… mas o que significa isso? Ademais, você, caro leitor, deve estar rindo de minha conhecida ou desconhecida face, balançando a cabeça e dizendo: “Santa, a Igreja Católica? Sei…” Permita-me provocá-lo, então: Santa só não… SANTA E IMACULADA! E não, eu não estou ficando louco! E sim, eu conheço bem a História da Igreja, a Noiva do Cordeiro! Mas, isso é assunto para a próxima parte…

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

[1]AQUINO, Felipe. Escola da Fé. Vol. 1: Sagrada Tradição. 5ª Edição. Lorena: Cléofas, 2000. P. 50.

[2] Ibid., Ibidem.

[3] MOURA, Jaime Francisco de.  As diferenças entre a Igreja Católica e Igrejas Evangélicas. São José dos Campos: ComDeus, P. 176.

[4] NAVARRO, Lúcio. Legítima Interpretação da Bíblia. Campanha de instrução religiosa Brasil-Portugal. Recife, Víllares, 1958. P. 243-244. (grifos nossos).

[5]<http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/1276-somos-catolicos-com-muito-orgulho>. Consultado em 08 jul. 2012.

[6] MOURA, Jaime Francisco de.  As diferenças entre a Igreja Católica e Igrejas Evangélicas. São José dos Campos: ComDeus, P. 175.

[7] NAVARRO, Lúcio. Legítima Interpretação da Bíblia. Campanha de instrução religiosa Brasil-Portugal. Recife, Víllares, 1958. P. 244.

[8] Ibid., Ibidem.

[9] Ibid., Ibidem.

[10] Ibid., Ibidem.

[11] Ibid., Ibidem.

[12] Catecismo da Igreja Católica. Edição Típica Vaticana. Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2000. P. 233-236.

[13] AQUINO, Felipe. Escola da Fé. Vol. 1: Sagrada Tradição. 5ª Edição. Lorena: Cléofas, 2000. P. 42.



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