IGNOTI NULLA CUPIDO – "Ninguém ama o que não conhece". (Ovídio – poeta romano)

Monthly Archives: Outubro 2013

duvidaDiante da grande complexidade da moral católica é um tanto comum ficarmos na dúvida se determinada ação nossa foi ou não pecado, e se foi, se ele é mortal ou não. Essa dúvida costuma ser natural, principalmente entre os recém-convertidos, e geralmente ela surge nas horas mais inconvenientes (na fila de comunhão, por exemplo). Essas dúvidas, se não forem devidamente sanadas, podem criar alguns problemas para nós fiéis. Alguns acabam caindo no laxismo, ou seja, chegam a um ponto em que, cansados de se preocupar tanto, passam a não mais ligar para os atos que cometem, como se nada, ou pelo menos quase nada, fosse pecado. Por outro lado, muitos acabam tornando-se muito escrupulosos, achando que tudo é pecado e deixando de comungar por conta de pequenos erros que podem muito bem ser perdoados durante o ato penitencial da missa. Foi pensando nisso que nós do Quero Saber Sobre Deus viemos trazer algumas dicas para não sermos pegos de surpresa por essas dúvidas.

O que vem a ser pecado? E pecado mortal? E venial? 

Interrogação

De forma simples, o pecado é um não que dizemos a Deus. Todo e qualquer ato que atenta contra a caridade (de forma mais simples, o amor), virtude máxima de Deus (cf. I Cor 13), é considerado pecado. E quais seriam esses atos? Todos aqueles que atentam contra os 10 mandamentos, pois estes representam as normas máximas de caridade para com Deus (amar a Deus sobre todas as coisas, não tomar o Seu santo nome em vão e guardar domingos e festas de guarda) e para com o próximo (honrar pai e mãe, não matar, não pecar contra a castidade, não roubar, não levantar falso testemunho, não cobiçar a mulher do próximo – o homem da próxima também – e não cobiçar as coisas alheias). É verdade que para cada mandamento deste existem vários atos que o ferem, pois eles representam princípios a partir dos quais devemos julgar as nossas atitudes. Pecar contra a castidade não se limita a não fazer sexo antes ou fora do casamento, pois a castidade é algo que vai muito além disso. Da mesma forma, nós podemos deixar de amar a Deus sobre todas as coisas das mais diversas maneiras, e para entender bem esses princípios, recomendamos a leitura do Catecismo da Igreja Católica e a realização, se possível diária, de um exame de consciência para que possamos identificar tudo aquilo que fizemos de errado desde a nossa última confissão (Exame de consciência).

Também constitui pecado qualquer ato que seja contrário aos mandamentos da Igreja (participar da missa completa nos domingos e dias de preceito, confessar-se ao menos uma vez por ano, receber a eucaristia ao menos na Páscoa da ressurreição, jejuar e abster-se de carne conforme manda a Santa Mãe Igreja e ajudar a Igreja nas suas necessidades materiais), pois a Igreja é o Corpo de Cristo que Ele próprio deixou para nos guiar durante a nossa peregrinação aqui nesse mundo.

Partindo dessa definição, vamos agora diferenciar pecado grave de mortal. Pecado grave é todo aquele que fere gravemente a caridade, ou seja, que quebra totalmente nosso vínculo de amor com Deus. Existem três requisitos que precisam existir para que um pecado seja considerado mortal, que são:

  1. Haver matéria grave;
  2. Haver conhecimento de que tal ato seja pecado;
  3. Realizar o ato com total consentimento da vontade;

Basicamente, há matéria grave quando, ferindo um dos mandamentos acima, demonstra-se uma total falta de amor para com Deus ou para com o próximo. Um bom exemplo é o sentimento de ódio por alguém. Mesmo não ferindo fisicamente tal indivíduo, quem sente esse desejo já mata essa pessoa em seu coração e, por isso, peca contra o 5º mandamento (não matar). Se quem pratica esse ato o faz livremente, tendo plena consciência de que essa atitude constitui pecado, este se torna mortal.

Quando não há qualquer uma dessas características (matéria grave, pleno conhecimento e pleno consentimento), o pecado passa a ser venial. Esse tipo de pecado, apesar de ferir a caridade, não a elimina. Ela continua, pois, subsistindo, apesar do ato. Vale salientar que vários pecados veniais não constituem um pecado mortal, porém eles tornam a pessoa mais propícia a cometê-lo, pois quanto mais enfraquecida a caridade, mais fácil fica de destruí-la no coração.

O perdão dos pecados: a importância da confissão

É importante diferenciar um pecado mortal de um venial, por conta das consequências dos mesmos. Um pecado mortal afasta Confissaocompletamente a pessoa da graça de Deus, prejudicando, assim, a salvação da mesma. Tal pessoa, por não estar mais em estado de Graça, não pode comungar e a única forma de se obter o perdão é através do sacramento da penitência, mais conhecido como confissão. Já um pecado venial não separa a pessoa da Graça Santificante, podendo ser perdoado durante o ato penitencial da missa. É importante salientar que, em qualquer um dos casos, para que haja o perdão, é necessário haver verdadeiro arrependimento e um desejo de não mais cometer tal pecado. Se alguém procura confessar-se, mas tem plena consciência que não deixará de cometer determinado ato pecaminoso, o perdão não será concedido. O mesmo vale para o arrependimento.

Pode-se notar, com isso, a tamanha importância de bem confessar-se. Certos pecados só podem ser perdoados mediante esse sacramento e é por isso que precisamos leva-lo a sério. Apesar de o segundo mandamento da Igreja orientar os fiéis a uma confissão anual, esse mandamento é entendido simplesmente como o mínimo que uma pessoa deve fazer para se beneficiar, mesmo que um pouco, da Graça de Deus. Muitos padres aconselham se não semanal, pelo menos uma confissão mensal. Dessa forma é possível fortalecer cada vez mais a nossa relação com Deus.

Diante de tal explicação, muitos ainda podem achar um tanto difícil determinar se tal atitude é ou não pecaminosa, se o pecado é ou não mortal, se deve ou não recorrer ao sacramento da penitência. Nesse caso sugerimos aos leitores duas alternativas para auxiliá-los.

  1. Aconselhe-se com alguém confiável 

É sempre bom pedir conselhos, principalmente quando a dúvida é de difícil solução. O ideal, neste caso, é procurar um sacerdote, porém existem muitos leigos bem preparados e que podem ajudar a tirar certas dúvidas.

É bom, no entanto, ter um pouco de cuidado com quem se está buscando ajuda. Infelizmente há casos de padres e leigos que, levados por essa onda de relativismo que prega que a Igreja deve se abrir à modernidade, deixando para trás os conceitos e ensinamentos que, segundo eles, são “medievais” e “retrógrados”, aconselham mal aqueles que os procuram, falando coisas contrárias ao que ensina a Santa Igreja. Também pode ocorrer o caso de pessoas que, por não conhecerem a fundo a doutrina católica, acabam por dar maus conselhos. Deve-se, portanto, procurar saber quem é tal pessoa a qual se pede determinado conselho. Ela é católica praticante? Realmente conhece a respeito do que se fala? Para identificar tais casos, é importante, além de buscar conhecer bem a pessoa com quem se pretende aconselhar, estudar a respeito do que a doutrina fala nos documentos da Igreja.

  1. Procurar os documentos da Igreja 

No Catecismo da Igreja Católica podemos encontrar toda a doutrina da Igreja. O catecismo é o meio mais acessível para entender o que ela ensina. Além dele, vários são os documentos que ensinam a doutrina da católica, como o Código de Direito Canônico, as encíclicas papais, etc. O local mais fácil para se encontrar todos esses documentos gratuitamente é o site do Vaticano. Também recomendamos livros e/ou vídeos de autores conceituados, como o professor Felipe Aquino e o padre Paulo Ricardo. Tendo esse acervo em mãos, fica mais fácil entender o que ensina a Igreja e, assim, ter um melhor entendimento a respeito da moral católica e como ela influencia no nosso dia a dia. Com esse entendimento, fica mais fácil identificar quando alguém nos fala algo, digamos, estranho.

Concluindo… 

A melhor forma de lutar contra a dúvida é buscar conhecimento. Vamos procurar ler mais a Bíblia, tendo sempre em mente que a única Igreja capaz de interpretá-la de acordo com os ensinamentos de Cristo é a Igreja Católica por meio de seu Magistério. Busque ter um confessor único, confiável, que possua uma base verdadeiramente católica, além de amigos que tentam viver a doutrina da Igreja, pois assim sempre haverá meios de sanar eventuais dúvidas e construir uma consciência fiel aos ensinamentos de divinos.

Nascimento de Jesus

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva à Jesus!



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