IGNOTI NULLA CUPIDO – "Ninguém ama o que não conhece". (Ovídio – poeta romano)

Monthly Archives: Maio 2012

Muitos a criticam, vários nos acusam de termos alterado seu conteúdo, mas são poucos os que conhecem sua história a fundo. A Bíblia, além de ser o livro mais lido, é um dos mais comentados e criticados do mundo, críticas essas em sua maioria negativas, e todas elas são infundadas e vazias quando falamos em provas dessas acusações. Um estudo aprofundado sobre as Sagradas Escrituras mostra que elas foram muito bem conservadas durante os séculos, que a versão usada pela Igreja Católica Apostólica Romana possui os livros que desde o século IV são aceitos como verdadeiramente inspirados pelo Espírito Santo e que muitas provas de que os eventos narrados na Bíblia são de fato verdadeiros foram encontradas pela arqueologia. E esse é o objetivo desse texto: resumir de forma prática e simples as provas que atestam a veracidade das Sagradas Escrituras, apontando outros textos e vídeos que complementam nossos estudos. Boa leitura!

O TEXTO BÍBLICO FOI ALTERADO NO DECORRER DOS SÉCULOS

Essa é a principal via pela qual atacam a autenticidade da Bíblia, porém há um probleminha (estamos sendo muito bonzinhos ao utilizar o diminutivo aqui) nesse argumento: não há provas que o confirmem! Essa forma de pensar partiu do fato de que até meados de 1947 não havia cópias das Escrituras anteriores ao século IX. Por conta disso, historiados especulavam que, por conta dessa falta de evidências, não era possível confiar no texto bíblico, pois havia a POSSIBILIDADE (prestem atenção que o termo usado não indica uma certeza de 100%, mas uma probabilidade) desses textos terem sido alterados.

Porém um fato que aos olhos de muitos pode ser descrito como um mero acaso ou um golpe de sorte, mas que para nós é a ação da Divina Providência, derrubou qualquer “base” que esse argumento pudesse ter: a descoberta dos Pergaminhos do Mar Morto! Esses pergaminhos, também denominados MANUSCRITOS DE QUMRAN (levam esse nome, pois foram encontrados próximos às ruínas de uma antiga cidade de mesmo nome, que por sua vez fica próxima ao Mar Morto) foram confeccionados entre os anos 200 a.C. e 70 d.C., sendo este último ano o período em que Jerusalém foi invadida e destruída por Roma. Nesses pergaminhos encontram-se vários fragmentos dos livros do Antigo Testamento, além de outros textos de grande valor histórico, e dentre eles o mais bem conservado é o livro de Isaías. Este último é datado do ano 100 a.C., ou seja, cerca de 1.000 anos anterior a cópia mais antiga que existia na época de sua descoberta, porém o que há de mais surpreendente é que seu conteúdo é idêntico ao encontrado nas versões atuais da Bíblia quando falamos em conteúdo!

Manuscritos de Qumran

Diferenças existem, mas referem-se a questões de tradução (se você entrega o mesmo texto para duas pessoas diferentes traduzirem, se elas forem éticas irão chegar ao mesmo conteúdo, porém usando palavras diferentes em algumas partes, concordam?). Esta mesma semelhança foi encontrada nos demais fragmentos dos textos do Antigo Testamento, e mesmo com todas essas evidências ainda há pessoas, e em alguns casos até mesmo fiéis de outras religiões cristãs, que insistem em duvidar da fidelidade das cópias atuais aos textos antigos. Vai entender esse povo.

A BÍBLIA CONTÉM ERROS HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS ALÉM DE CONTRADIÇÕES EM SEUS TEXTOS

Em primeiro lugar temos que entender o seguinte: a Bíblia não é um livro científico, de História ou de Geografia! A intenção das Sagradas Escrituras é de passar aos homens os ensinamentos de Deus e de mostrar a relação que Ele sempre teve conosco desde o princípio da humanidade. Levemos em consideração também que os livros foram escritos por pessoas diferentes em épocas diferentes. Aí pode surgir o questionamento: “Mas muitos livros narram fatos que ocorreram simultaneamente, além de haver em textos diversos narrativas da mesma ocasião. Mesmo nesses casos encontramos contradições”.

A primeira coisa que pode ser dita de um comentário desses é que ele veio de uma pessoa que, no mínimo, tem preguiça de pensar! É realmente obrigatório que um texto que narre determinado momento histórico seja escrito simultaneamente ao episódio descrito? Lógico que não! É possível escrever hoje sobre um período da história que já passou ha séculos, sem ser preciso ter vivenciado esses fatos. Da mesma forma são os textos bíblicos. Vamos a um exemplo: o fato de o livro de Isaías levar o nome deste profeta não quer dizer que tenha sido o próprio Isaías que o escreveu! Esse livro pode ter sido escrito anos depois da época em que os eventos ocorreram por um de seus seguidores. Levando em conta que muitas dessas histórias foram transmitidas oralmente de geração em geração, elas eram transcritas da forma como eram contadas o que faz com que essas aparentes contradições de datas e de locais existam, mas não tenham importância ao se estudar os textos inspirados por Deus²!

Daí surge mais um questionamento que é feito em relação à confiabilidade dos textos bíblicos: “Se foi Deus quem inspirou os Livros Sagrados, por que Ele permitiu que houvesse essas contradições?”. É, foi Deus quem inspirou a redação das Sagradas Escrituras, MAS NÃO FOI ELE QUEM AS ESCREVEU! Temos que ter isso em mente que os homens não têm memória perfeita para lembrar detalhes como dias, quantidade de homens em determinado exército, dentre outras coisas, o que faz com que essas informações com o passar do tempo se percam sem prejudicar, porém, a essência da história contada. E para provar que esses fatos narrados de forma oral e posteriormente transcritos ocorreram de fato, temos a chamada arqueologia bíblica! Inúmeras provas arqueológicas foram encontradas, provando que tudo o que é narrado na nas Sagradas Escrituras é verídico! Como exemplo do que estamos falando aqui, segue um vídeo narrando as incríveis descobertas arqueológicas que comprovam um dos mais importantes acontecimentos descritos pela Bíblia: o êxodo!

ARQUEOLOGIA CONFIRMA O ÊXODO

Além de tudo isso, ainda há muitas dessas “contradições” que são facilmente explicadas pela exegética (análise da verdadeira intenção do autor ao escrever determinado texto) e linguística utilizadas na Bíblia. Um bom exemplo disso está no link abaixo:

DERRUBANDO FALSAS CONTRADIÇÕES

A BÍBLIA DEFENDE COISAS COMO A ESCRAVIDÃO E O MACHISMO E NARRA MUITAS GUERRAS EM QUE O “POVO DE DEUS” DERRAMA MUITO SANGUE EM NOME DE DEUS! SE O LIVRO FOSSE REALMENTE INSPIRADO POR DEUS, ISSO NÃO EXISTIRIA NELE!

Como foi dito mais acima, o Espírito Santo (que é Deus) inspirou os homens a escrever os livros, mas mesmo esses homens tendo sido inspirados, eles não foram desvinculados de suas culturas. Apesar de a Bíblia narrar a relação de Deus com os homens, ela também descreve toda a cultura daquele povo, como guerras, a submissão das mulheres aos homens, a permissão da existência de escravos (apesar destes escravos serem tratados de forma completamente diferente dos escravos negros e indígenas, que foram brutalmente maltratados pelos seus senhores durante a época das grandes navegações e na era colonial), etc. Logo, ao ler a Bíblia devemos entender a cultura da época e entender que ela é completamente diferente da nossa, havendo a necessidade de transferir parte dos ensinamentos para a nossa época (apenas as partes que demonstram aspectos culturais dos judeus da época devem ser repensadas. Muitas das doutrinas ensinadas na Bíblia, no entanto, não podem ser alteradas. Os Dez Mandamentos, por exemplo, são ensinamentos transmitidos por Deus a todas as nações de todas as épocas e não refletem cultura alguma dos judeus, sendo, portanto, imutáveis).

O CÂNON CATÓLICO (LISTA DOS LIVROS ACEITOS COMO INSPIRADOS PELA SANTA IGREJA) ESTÁ ERRADO! OS LIVROS DEUTEROCANÔNICOS DO ANTIGO TESTAMENTO FORAM INCLUÍDOS NA BÍBLIA APENAS APÓS A REFORMA (1517) PELO CONCÍLIO DE TRENTO (1543 – 1565) PARA DIFERENCIAR A BÍBLIA CATÓLICA DAS DEMAIS VERSÕES!

 Primeiro temos que saber qual a base utilizada para determinar o cânon bíblico dessas versões das Sagradas Escrituras.

A Bíblia Católica tem por base a tradução do Antigo Testamento para o grego, chamada Septuaginta ou versão dos setenta, também conhecida por cânon maior (tradução feita por 72 israelitas durante cerca de 70 dias, fato que dá nome a essa versão bíblica). Nesta versão estão presentes os livros deuterocanônicos (Tobias, Judite, I e II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc, além de partes dos livros de Daniel e Ester. Estes livros são assim chamados por não terem sido aceitos pela totalidade dos cristãos na determinação do cânon bíblico), além de outros livros considerados apócrifos hoje em dia, e das 350 citações do Antigo Testamento que estão presentes no Novo Testamento, 300 foram retiradas deste cânon. Essa versão era amplamente utilizada no tempo de Cristo³.

As demais versões bíblicas pós-reforma, por sua vez, foram baseadas no chamado cânon menor, que foi mais tarde confirmado pelo sínodo de Jâmnia, realizado por volta do ano 90 d.C. por um ramo específico do judaísmo³. O fato de uma parte dos judeus terem aceito esse cânon é, para muitos, um argumento suficiente para invalidar a Bíblia Católica, porém há alguns problemas que surgem ao se afirmar tal coisa:

  1. O Sínodo de Jâmnia foi realizado cerda de 50 anos após a morte de Cristo. Nesta época o Cristianismo já existia e, como foi citado, a versão da Septuaginta já era largamente utilizada;
  2. Como foi dito acima, o sínodo foi determinado por apenas um ramo específico do judaísmo, não sendo aceito pela totalidade do povo judeu, sendo, inclusive, contrário a outros cânones judaicos aceitos na época; e
  3. A doutrina pregada no cânon menor é visivelmente contrária aos ensinamentos cristãos, o que mostra que a sua elaboração foi realizada em oposição ao cristianismo. Um exemplo disso é um dos aspectos determinados no sínodo de Jâmnia para validar um livro como inspirado: o texto tem que ter sido escrito somente em hebraico. Essa regra adotada para determinar os livros inspirados ou não automaticamente invalida a maioria dos livros do Novo Testamento, que foram escritos em grego. Veja só a contradição nos argumentos anti-católicos!

Além disso, temos que lembrar que somos cristãos e não judeus! A lista de livros de nossa Bíblia tem que estar em acordo com as doutrinas cristãs e essa relação só pode ser determinada por aqueles a quem Jesus deu plenos poderes de interpretar e ensinar as Escrituras: Pedro, em conjunto com os demais apóstolos, e seus sucessores!

Em relação à determinação do cânon bíblico, vamos primeiro entender o porquê da necessidade de se firmar tal lista. Durante os primeiros 4 séculos do cristianismo era evidente a divergência entre as diversas igrejas sobre quais livros deveriam ser aceitos como inspirados. Diferentes igrejas aceitavam diferentes cânones e diante dessa problemática a Igreja Católica viu a necessidade de determinar quais os livros que deveriam ser aceitos universalmente. Esse cânon foi, então, determinado pelos concílios de Roma (382 d.C.), Hipona (393 d.C.), Cartago III (397 d.C.) e Cartago IV (419 d.C.), realizados muito antes da reforma ou do concílio de Trento. Esses concílios determinaram exatamente o mesmo cânon utilizado hoje em dia por nós católicos, contrariando o que os nossos acusadores costumam afirmar. Porém, mesmo diante disso, muitos teimam em dizer que não há provas de que a lista dos livros da nossa Bíblia está correta, pois esses concílios foram regionais, ou seja, o Papa não participou deles, tornando então necessária a aprovação do Bispo de Roma antes que eles passassem a ser aceitos pelos católicos. E quem disse que o Papa não os aprovou? Se não houvesse tal aprovação, então por que os papas Inocêncio I, em sua carta Consuleti Tibi (405 d.C.) e São Gelásio, no decreto Gelasiano (495 d.C.) confirmaram o mesmo cânon listado pelos concílios citados? Além do mais, o concílio ecumênico de Florença (1438 – 1445), ecumênico por ter sido realizado pelo papa juntamente com as autoridades eclesiais representantes de todas as igrejas da época, também confirmou a mesma lista de livros inspirados. Com isso é fácil notar que o concílio de Trento apenas repetiu o que já havia sido firmado no decorrer dos 12 séculos anteriores a ele.

A determinação do cânon católico não foi feita ao acaso. Todos os livros hoje aceitos pela Santa Sé estão em total acordo com tudo o que sempre foi ensinado desde os primórdios da Igreja, o que confirma que a Bíblia é filha da Igreja e não o contrário! É isso mesmo que você leu: a Bíblia é fruto da Sagrada Tradição da Igreja! Por conta disso, apesar de tudo que está presente na Bíblia representar a Verdade ensinada por Cristo, nem toda a Verdade se encontra na Bíblia, mas também na Tradição Apostólica, que originou as Escrituras e que complementa as mesmas, porém esse assunto ficará para a nossa próxima postagem.

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

_______________________

1 – http://www.bibliacatolica.com.br/blog/outros/que-importancia-tem-os-manuscritos-do-mar-morto/

2 – http://www.veritatis.com.br/doutrina/113-a-palavra-de-deus/918-origem-e-formacao-da-biblia

3 – http://www.veritatis.com.br/apologetica/106-biblia-tradicao-magisterio/1240-faltam-sete-livros-na-biblia-protestante

Anúncios

Continuando os nossos estudos sobre o nosso grande líder, sucessor de São Pedro, o Papa, Diego Galvão traz em seu segundo texto um breve histórico de como se deu a sucessão daqueles que assumiram o trono petrino, explicando os testemunhos dos primeiros cristãos atestando a autoridade do Bispo de  Roma sobre a Igreja de Cristo e como eram escolhidos esses grandes homens ao longo da história. Boa leitura!

Servos dos Servos

 Diego Souza Galvão de Melo.

Desde sempre, o Papa, Sucessor de São Pedro, foi considerado como sendo o chefe de todos os bispos! Nos três primeiros séculos da era cristã, devido às perseguições a que se exporiam, poucas vezes os bispos de Roma manifestaram o primado (liderança, supremacia) de que eram dotados. Contudo, um grande testemunho do primado na “era das perseguições” nos é dado pelo 4º papa da história da Igreja, São Clemente I (88-97). Sua carta aos coríntios é conhecida como “epifania do primado romano” e, tida como o primeiro documento papal, atesta a autoridade da Sé petrina sobre as outras igrejas de origem apostólica (todas, até então pertencentes a Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja de Cristo). Enviada à Igreja de Corinto, que estava dividida internamente por um cisma, devido à contestação da autoridade dos presbíteros por um grupo de fiéis, São Clemente afirma que “Se algum homem desobedecer às palavras que Deus pronunciou através de nós, saibam que esse tal terá cometido uma grave transgressão, e se terá posto em grave perigo”. Ainda, o Papa incita os coríntios a “obedecer às coisas escritas por nós através do Espírito Santo” (São Clemente, Epístola aos Coríntios).

A autoridade suprema do Sucessor de São Pedro foi, em todos os tempos, reconhecida por clérigos e fiéis, como provam muitos testemunhos, dentre os quais o de São Pedro Crisólogo (+450 ou 451), que falou: “Exorto-vos, veneráveis irmãos, a receber com docilidade os escritos do Santo Papa da cidade de Roma, porque Pedro, sempre presente na sua sede, oferece a fé verdadeira aos que a procuram”. Também como exemplo, podemos citar as palavras de São Jerônimo (+420) que, para encerrar os desentendimentos que afligiam o Oriente, escreveu a São Dâmaso, 37º papa: “Julguei que devia consultar a esse respeito a cadeira de Pedro e a fé Apostólica, pois só em vós está ao abrigo da corrupção o legado de nossos pais”.

Como, contudo, eram escolhidos os Papas? A maneira de se eleger o sumo-pontífice variou ao longo dos séculos, isso é inegável. Na Antiguidade, o clero da cidade de Roma designava um candidato e submetia a escolha ao assentimento dos leigos; os bispos vizinhos também participavam, ao que parece confirmando a escolha. No decorrer da história, contudo, nem sempre as coisas funcionaram como deveriam. Após a fundação dos Estados da Igreja, por exemplo, o papa tornou-se também príncipe temporal (com poderes seculares, materiais), fato que levou certas famílias nobres de Roma a ambicionarem o cargo para determinado ente querido, sem que tais estivessem à altura de tão elevado posto. No início do século XI (também para exemplificar), João Crescênio, patrício, com grande influência fez eleger três papas; em seguida, os Condes de Túsculo também fizeram com que três membros de sua família fossem eleitos.

Contudo, sacerdotes de Roma, os quais deveriam primitivamente constituir o presbitério pontifício (aqueles que, juntos com o Papa, eram responsáveis por determinar as leis da Igreja), aos poucos foram formando um senado, e passaram a ser chamados de “cardeais”, em virtude de serem, principalmente, os que participavam dos ofícios religiosos celebrados pelo sumo-pontífice. O Santo Padre Nicolau II (1058-1061), tornou-os responsáveis pela eleição dos papas, e a partir do século XIII tiveram prioridade sobre bispos, arcebispos e patriarcas. O Papa Inocêncio IV (1243-1254) lhes deu por emblema o chapéu vermelho, ao passo que Urbano VIII (1623-1644), atribuiu-lhes o título de “Eminência”.

A eleição de um novo papa, feita pelos membros do Colégio Cardinalício, os cardeais, é realizada através do famoso “Conclave”, termo latino que significa “com chave”, o qual não pode começar antes de quinze dias nem depois de vinte dias após a morte de um papa, e enquanto perdurar, os cardeais ficam proibidos de ler jornais ou outros periódicos, ouvir rádio e assistir televisão, para evitar pressões da opinião pública. No citado intervalo de quinze a vinte dias, os cardeais não podem discutir, nem mesmo entre si, sobre a sucessão papal. Aqueles que tiverem completado oitenta anos antes do dia da morte do Sucessor de Pedro ou da vacância da Sé Apostólica, não poderão votar, e o número máximo de cardeais eleitores não pode ultrapassar cento e vinte. Depois de cada rodada de votação no conclave, os votos são queimados e a fumaça expelida por uma chaminé no telhado da Capela Sistina pode apresentar duas cores: a negra, que significa que nenhum papa foi eleito, e a branca, que significa que São Pedro tem um novo sucessor, o qual, se ainda não for bispo, antes deverá ser assim ordenado para que então possa ser feito sumo-pontífice! Se dentro do conclave houver tentativa de suborno dos eleitores (a chamada “simonia”), os culpados poderão ser excomungados! Para ser eleito um novo papa, ao menos dois terços dos eleitores devem ter entrado em consenso quanto ao nome.

No artigo anterior já dissemos que o Chefe da Igreja não tinha uma específica denominação, pois também outros bispos eram chamados de “papa” ou “sumo-pontífice”. Passou-se então a se reservar ao Sucessor de Pedro tais designações. São Gregório Magno também acrescentou o título de “Servo dos Servos de Deus”, no sentido de que ele serve aos servos, é serviçal de todos os outros serviçais do Senhor! O primeiro papa a mudar de nome foi Mercúrio, que mudou o nome para João II (533-535), pois Mercúrio era nome de um deus-pagão romano.

Dos 265 pontificados (incluindo o de Bento XVI), os três mais longos foram: em primeiro lugar o de São Pedro, que governou por cerca de 34 ou 37 anos, seguido por Pio IX, que liderou a Igreja por cerca de 31 anos e, em terceiro lugar, vem o reinado de João Paulo II, o qual durou quase 27 anos. Em contrapartida (sem, contudo, que haja consenso nas fontes pesquisadas), Estêvão II, Urbano VII e Bonifácio VI marcaram os três pontificados mais curtos da história da Igreja: o primeiro reinou apenas 3 dias, o segundo 13 dias e o terceiro 16 dias. Ininterruptamente, os 54 primeiros papas foram declarados santos. Bonifácio II, o 55º, quebrou a sequência.

São Gregório Magno

Muitos foram os papas que se destacaram com um pontificado grandioso. Podemos, inclusive, nos alegrar por termos presenciado um dos maiores papas da história: João Paulo II, o nosso querido “João de Deus”. Contudo, Servos dos servos mereceram um título especial: “Magno”, e foram no total de dois, sendo o primeiro São Leão I (440-461) que, tendo sido o 45º Papa, é tido também por doutor da Igreja, e fez chegar até nós 96 Sermões e 173 Cartas. Um de seus grandes feitos foi ter evitado o incêndio de Roma e o morticínio dos que lá habitavam quando o chefe dos Vândalos, Genserico, invadiu a cidade. São Gregório Magno, 64º Papa (590-604), também é tido como doutor da Igreja e, por sua vez, fez chegar a nosso conhecimento 848 Cartas e, dentre outros grandes feitos, podemos citar como exemplos, a promoção da evangelização dos Anglo-Saxões, o trabalho conjunto com a rainha Teodelinda na promoção da paz com os Lombardos e a promoção de uma reforma no canto litúrgico que, de seu nome, veio a denominar-se canto gregoriano!

Normalmente, os conclaves geram expectativas e trazem grandes surpresas. São Pio X (1903-1914), por exemplo, muito pobre que era, tomou dinheiro emprestado para comprar as passagens de trem que o levariam ao conclave que o elegeu papa, tendo as comprado de ida e volta, convencido de que o Espírito Santo não cometeria o “erro” de sugerir ao Colégio cardinalício que o escolhessem como Sucessor de São Pedro. De fato, aqueles que normalmente são tidos como favoritos não são eleitos; com isso, uma frase ficou conhecida na história dos conclaves: “quem entra Papa, sai Cardeal!”. No último conclave, Joseph Ratzinger, braço direito de João Paulo II durante grande parte de seu pontificado, era um dos cotados para a sucessão, mas havia quem achasse sua eleição complicada. A revista VEJA chegou a dizer que sua eleição seria, caso ocorresse, uma grande surpresa e resultada de um conclave particularmente difícil. Em 19 de abril de 2005, apenas no segundo dia do “com chave”, o tradicional “habemus papam” (temos papa) anunciava o fim de uma das eleições mais rápidas da história, na qual Ratzinger tornou-se Bento XVI! Mais uma vez, o Espírito Santo surpreendera a muitos.

Referências Bibliográficas:

  1. MOURA, Jaime Francisco de. As diferenças entre a Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas. São José dos Campos, Editora ComDeus, 2005. Pág. 48-49.
  2. SGARBOSSA, Mario e GIOVANNINI, Luigi. Um Santo para cada dia. 11ª Edição. São Paulo, Editora Paulus, 1983. Pág. 249-250, 264 e 339.
  3. OLIVEIRA, P. Miguel de. História da Igreja. 4ª Edição. Lisboa, União Gráfica, 1959. Pág. 48, 69, 92-93, 107-108 e 117.
  4. http://veja.abril.com.br/especiais/papa/p_018.html
  5. http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_dos_pontificados_por_dura%C3%A7%C3%A3o
  6. http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=papa&artigo=20040709163628&lang=bra
  7. http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/juberto/09.htm

Não é difícil encontrar por aí pessoas e instituições dedicadas na tarefa de caluniar e denegrir a imagem do pastor da Igreja Católica Apostólica Romana, nosso santo padre, o Papa. O que muita gente não compreende ou talvez não busque saber é o porquê de sua existência, qual a sua tarefa e a sua importância.

O papa é nada menos que o pastor dos fiéis da Igreja Católica, escolhido e nomeado pelo próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo! O sucessor de Pedro, aquele sobre o qual Deus fundou a Sua igreja. A igreja que Jesus instituiu para continuar levando seus ensinamentos a todos os povos da terra, depois que Ele próprio tivesse voltado para junto do Pai nos céus. Uma igreja que não foi criada por homens e um pastor para pastorear suas ovelhas, que Jesus disse que não abandonaria até o fim dos tempos.

Quem é o Papa? Como esse posto foi criado e por quem? Por que devo apoiá-lo? Por que precisamos dele e devemos respeitá-lo? É para responder a essas perguntas que nós do Quero Saber Sobre Deus trazemos hoje o artigo escrito pelo nosso irmãozinho Diego Galvão, um advogado cristão, um eterno estudioso e pesquisador dos ensinamentos de Deus que muito tem a contribuir com este humilde espaço de informação criado pela inspiração divina e mantido para honra e glória de Deus.

As respostas de perguntas surgidas a respeito da figura do Papa serão esclarecidas em dois posts, neste que segue abaixo e em outro que será postado em seguida. Boa leitura ao amigo internauta!

DE MÃOS DADAS AO SUCESSOR DE PEDRO

Diego Souza Galvão de Melo

“tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (São Mateus 16:18)

“Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16, 17-19). Essas palavras, ditas por Cristo ao Apóstolo Pedro, ecoaram de tal forma que lançaram os alicerces da Igreja de nosso Senhor que, escolhido pelo próprio Cristo, teria Simão Pedro, irmão de André e filho de Jonas como o chefe da mesma e o fundamento de sua unidade!

De fato, Cristo sabia que não estaria com os seus durante muito tempo, e era seu desejo que seus ensinamentos fossem levados a todos os povos da terra, como declarou expressamente:

Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. (Mt 28, 19-20).

Sabia também que sua santa doutrina e sua morte redentora faria gerar um enorme rebanho. Mas, uma vez agrupado tal rebanho, era necessário alguém que o conduzisse, que o apascentasse, a fim de que o mesmo não se perdesse! Ele, soberano Senhor, que sabia que casa firme é aquela construída sobre a rocha (Mt 7, 24-25), escolheu a Pedro para apascentar seu rebanho:

Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.” ( Jo 21, 15-17).

Simão teve seu nome alterado para pedra, para exprimir o papel que desempenharia na Igreja (Cristo falava aramaico, e “kepha”, palavra aramaica, significa Pedro e pedra), presidiu a escolha de Matias para o lugar de Judas (At 1, 1-25); foi o primeiro a anunciar o Evangelho no dia de Pentecostes e na era da Igreja (At 2, 14-36); acolheu na Igreja o primeiro pagão (At 10,1); no Concílio de Jerusalém, o primeiro da história, foi o principal responsável pela decisão sobre a questão da circuncisão e da evangelização dos pagãos, dizendo a Bíblia, expressamente, que “toda a assembléia silenciou” (At 15, 7-12); seu nome aparece em primeiro lugar em todas as listas que enumeram os Apóstolos, ao passo que o nome de Judas Iscariotes vem sempre por último (Mt 10,2; Mc 3, 16; Lc 6,14; At 1,13); Jesus orou para que “a sua fé não desfalecesse” (Lc 22, 32). Muitas outras evidências colocam Simão em preeminência, mas estas já são suficientes.

Por tudo isso, percebemos claramente que Pedro foi o primeiro líder da Igreja! Sendo Bispo de Roma, lá esteve e lá foi martirizado, como atestam muitos testemunhos dos primeiros séculos, como os de Orígenes, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Santo Irineu, Dionísio, Santo Inácio de Antioquia e outros. Orígenes (+ 254), chegou a dizer: “São Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu que fosse crucificado de cabeça para baixo”. Na década de 1950, geólogos, historiadores e pesquisadores, em escavações na região do Vaticano, encontraram o túmulo do Santo Apóstolo.

Entretanto, com a morte de Pedro, a Igreja não poderia ficar “acéfala”, sem líder! Outro deveria ocupar seu lugar, e assim o foi e deve ser até o fim dos tempos. Cristo, que disse aos Apóstolos que com eles estaria até a consumação dos séculos (Mt 28, 19-20), não abandonaria os sucessores deles. A Igreja deveria continuar, sem que as portas do inferno prevalecessem sobre ela! Os Apóstolos instruiriam a outros, que passariam a exercer suas funções. Podemos citar como exemplo Barnabé, escolhido para a sua missão especial pelo Espírito Santo (At 18, 2), sendo depois chamado também de Apóstolo (At 14, 13). Mas quem ocupou o lugar de Pedro? Quem passou a ser o líder? A história não nos deixa desamparados, e testemunhos dos primeiros séculos apresentam os sucessores do Príncipe dos Apóstolos!

Um destes testemunhos é o de Santo Irineu, Bispo de Lião, escritor do 2º século, que foi discípulo de São Policarpo que, por sua vez, o foi do Apóstolo São João. Pois bem, Santo Irineu disse que “Pedro e Paulo, tendo fundado e instruído a igreja de Roma, transmitiram o episcopado a Lino e lhe sucedeu Anacleto e depois deste, Clemente tem em terceiro lugar o episcopado que vem dos Apóstolos.” Falando nos outros sucessores, Santo Irineu os cita até o 12º, que foi Eleutério, que governou a Igreja de 174 a 189 d. C.

A sucessão no trono de Pedro não parou! Até o século VI o Bispo de Roma não tinha uma denominação fixa, pois outros bispos também eram chamados de papa ou sumo-pontífice (Pontífice é o nome que era utilizado para definir o supervisor das atividades religiosas da antiga Roma. Como a Igreja Católica tem Roma por sede, esse nome passou a ser utilizado para denominar os chefes religiosos e, mais tarde, o Papa). A partir de então, começou-se a reservar apenas ao pontífice-romano o nome de Papa. Atualmente, Joseph Ratzinger, que atende pelo nome de Bento XVI, é o 264º sucessor de São Pedro, e o 265º Papa na história da Igreja.

O Catecismo da Igreja diz: “§882. O Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro, “é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos Bispos, quer da multidão dos fiéis” “Com efeito, o Pontífice Romano, em virtude de seu múnus de Vigário de Cristo e de Pastor de toda a Igreja, possui na Igreja poder pleno, supremo e universal. E ele pode exercer sempre livremente este seu poder.”! E, também, após ratificação do Concílio Vaticano I (1869-1870) de que o Papa é infalível quando proclama algo concernente à fé e à moral: “§891. Goza desta infalibilidade o Pontífice Romano, chefe do colégio dos Bispos, por força de seu cargo quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis e encarregado de confirmar seus irmãos na fé, proclama, por um ato definitivo, um ponto de doutrina que concerne à fé ou aos costumes… A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro”, sobretudo em um Concílio Ecumênico. Quando, por seu Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa “a crer como sendo revelada por Deus” como ensinamento de Cristo, “é preciso aderir na obediência da fé a tais definições”. Esta infalibilidade tem a mesma extensão que o próprio depósito da Revelação divina.” Sobre fé e moral, valem as palavras de Santo Agostinho: “Roma falou, acabou-se a questão!

Pois bem, queridos irmãos, hoje o Papa é atacado por muitos inimigos da Igreja, que desejam ferir o Pastor para que as ovelhas se dispersem. Caluniado, acusado e ridicularizado, constantemente, é o Vigário de Cristo contestado! Com um governo irrepreensível e sem abrir mão dos valores inegociáveis da fé cristã e da moral católica (quando, por exemplo, disse, durante a campanha das eleições presidenciais americanas, ser o aborto e a eutanásia “claro pecado grave”), Bento XVI lidera com pulso firme o rebanho do Cordeiro de Deus.

Com efeito, o que o Papa precisa de nós é de apoio! Precisamos nos deixar guiar por ele! Devemos orar com ele e por ele; comungar em união com ele e por ele; chorar com ele e por ele; e sorrir com ele e por ele. Precisamos escutá-lo e segui-lo: Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” (Lc 10, 16), já disse Cristo aos seus Apóstolos.

Sendo, pois, chefe e fundamento da Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja de Jesus Cristo, a única por Ele instituída, e que atravessou sem desmoronar as Idades Antiga, Média, Moderna, chegando à Contemporânea, e na certeza de que chegará até o fim dos tempos, podemos dizer, como já o fizeram outrora Santo Ambrósio (340-397), Bispo de Milão, e outros: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia” ou “Onde está Pedro, está a Igreja!”.

Referências Bibliográficas:

  1. MOURA, Jaime Francisco de. As diferenças entre a Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas. São José dos Campos, Editora ComDeus, 2005. Pág. 31-32, 34 e 37-38.
  2. NAVARRO, Lúcio. Legítima Interpretação da Bíblia. Campanha de instrução religiosa Brasil-Portugal. Recife, Víllares, 1958. Pág. 234 e 510.
  3. OLIVEIRA, P. Miguel de. História da Igreja. 4ª Edição. Lisboa, União Gráfica, 1959. Pág. 92.
  4. http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=IGREJA&id=igr0565
  5. http://www.frasesfamosas.com.br/de/papa-bento-xvi.html
  6. Catecismo da Igreja Católica. Edição Típica Vaticana. Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2000. Pág. 253 e 255.
  7. Bíblia Ave-Maria. 69ª Edição. Edição Claretiana, São Paulo, Brasil, 2007.

“Na noite em que ia ser entregue, Jesus pegou o pão, deu graças e o deu aos seus discípulos dizendo: ‘Tomai todos e comei. Isto é o meu Corpo que será entregue por vós’. Do mesmo modo, ao fim da ceia, Jesus tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o entregou a seus discípulos dizendo: ‘Tomai todos e bebei. Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim.’”

E é assim, citando as palavras de Jesus durante a ceia realizada na noite anterior a Sua morte, que o sacerdote que celebra a Santa Missa recorda o momento em que a Sagrada Eucaristia foi instituída. Nesse momento o sacrifício de Jesus, que ocorreu de forma cruel e sangrenta, é renovado diante de nossos olhos, porém de forma incruenta, sem sangue, sem tortura, e o maior milagre que os olhos humanos podem presenciar acontece: o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue, na alma e na divindade de Jesus Cristo. Nosso Senhor se faz presente diante de nós, tornando-se digno de toda adoração e de toda a glória.

Porém há pessoas que não acreditam que esse milagre possa acontecer. Muitos nos chamam de idólatras por estarmos prestando adoração a um pedaço de pão e a um pouco de vinho, que, segundo eles, nada mais são do que o que foi dito: pão e vinho. E é isso que queremos abordar nesse texto. Será que nós católicos estamos delirando ao adorar o pão e o vinho, achando que neles se faz presente o próprio Jesus, ou a nossa atitude é correta e agradável aos olhos de Deus? Essa é a pergunta que pretendemos responder, tudo sempre tendo por base as três fontes que formam a base de nossa Doutrina: a Bíblia, a Sagrada Tradição e o Magistério da Igreja Católica.

A EUCARISTIA

Em primeiro lugar se faz necessário definir qual o significado de Eucaristia. Compreender o seu conceito é de fundamental importância para o entendimento do restante do texto, então vamos lá:

Eucaristia: do Latim EUCHARISTIA, do Grego EUKHARISTHIA, “gratidão, agradecimento”, de EUKHARISTOS, “agradecido”, formado por EU-, “bem”, mais KHARIZESTHAI, “mostrar favor ou agrado por”, de KHARIS, “favor, graça”1.

Trocando em miúdos, eucaristia significa “Ação de graças”.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, partindo agora para o sentido teológico da palavra, a Eucaristia é:

AÇÃO DE GRAÇAS:

“§1359 A Eucaristia, sacramento de nossa salvação realizada por Cristo na cruz, é também um sacrifício de louvor em ação de graças pela obra da criação. No sacrifício eucarístico, toda a criação amada por Deus é apresentada ao Pai por meio da Morte e da Ressurreição de Cristo. Por Cristo, a Igreja pode oferecer o sacrifício de louvor em ação de graças por tudo o que Deus fez de bom, de belo e de justo na criação e na humanidade.”

FONTE E ÁPICE DA VIDA ECLESIAL

“§1324 A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã”. “Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa .””

MEMORIAL

“§1362 A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferta sacramental de seu único sacrifício na liturgia da Igreja, que é o corpo dele. Em todas as orações eucarísticas encontramos, depois das palavras da instituição, uma oração chamada anamnese ou memorial.”

PRESENÇA

“§1374 O modo de presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz com que da seja “como que o coroamento da vida espiritual e o fim ao qual tendem todos os sacramentos”. No santíssimo sacramento da Eucaristia estão “contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo” . “Esta presença chama-se ‘real’ não por exclusão, como se as outras não fossem ‘reais’, mas por antonomásia, porque é substancial e porque por ela Cristo, Deus e homem, se toma presente completo.””

SACRIFÍFIO

“§1363 No sentido da Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens. A celebração litúrgica desses acontecimentos toma-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tomam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.”

Resumindo tudo, temos que a Santa Igreja considera a Eucaristia como a memória da vida e da morte e a renovação do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde Ele se encontra presente em corpo, sangue, alma e divindade, sendo, dessa forma, a presença real de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, e é através deste sacrifício que damos graças e louvores a toda a criação de Deus enquanto aguardamos o retorno do Salvador. Sendo a Eucaristia presença real de Cristo, Ela é digna de toda a adoração, pois ao adorarmos a Ela, estamos adorando ao próprio Cristo!

Tendo posse desse conceito, vamos agora estudar a respeito da veracidade dessas afirmações, rebatendo, dessa forma, as acusações feitas contra nós.

Uma das formas que tentam invalidar o mistério da Eucaristia é através da afirmação de que quando Jesus pronunciou as palavras “Fazei isto em memória de mim” (São Lucas 22:19) ele quis dizer que a ceia é apenas uma forma simbólica de lembrar da paixão do Senhor, ou seja, ela deve ser realizada como um simples memorial e que o pão e o vinho não são verdadeiramente o corpo e o sangue de Cristo. Ora, isso não passa de uma armadilha lógica, um falso argumento. O fato de Jesus ter pedido aos apóstolos que tudo fosse feito em memória d’Ele não faz daquele fato algo fictício, simbólico. É, por acaso, impossível realizar algo real e utilizar dessa realidade para relembrar de um fato ou de alguém? Não é o fato do pão e do vinho se tornarem corpo e sangue de Jesus que faz com que esse momento deixe de ser realizado em memória da vida e da morte do Nosso Senhor, afinal de contas quando vemos o padre, que age in persona Christi 2, consagrando a hóstia e o vinho no altar, a primeira coisa que vem em nossas mentes é a imagem da ceia de Cristo! Porém, ainda assim os acusadores dizem que não há provas bíblicas de que haja realmente a transubstanciação (transformação do pão em corpo e do vinho em sangue). Será mesmo?

Desde o início, muito antes da ceia da páscoa, o senhor já dava sinais de que deveríamos nos alimentar de sua carne e de seu sangue:

“’Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo’. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: ‘Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?’ Então Jesus lhes disse: ‘Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.’” (São João 6:51-58)

Alguém conseguiu ver algum sentido figurado nessas palavras proferidas por Jesus? Os discípulos de Jesus também não, tanto que muitos disseram “Isto é muito duro! Quem o pode admitir?” (São João 6:60) e muitos deles “se retiraram e já não andavam com ele” (São João 6:66). Considerem que Jesus percebeu que os discípulos se afastaram dele quando ouviram que deveriam comer de Sua carne e beber do Seu sangue, por terem se escandalizado com a dureza de tais palavras. Vocês não acham que Jesus teria se corrigido se não fosse exatamente isso que Ele quisesse dizer? Será que Jesus, que é o próprio Deus, não se expressou direito e causou um mal entendido que tem durado por cerca de 2000 anos?

Se com isso ainda não ficou claro, vejamos o que São Paulo falou a respeito da ceia do Senhor:

“Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.” (I Coríntios 11:27-29)

Mais uma vez façamos a pergunta: onde está o sentido figurado deste texto? Se o pão e o vinho apenas representassem simbolicamente o corpo e o sangue de Jesus, por que iríamos comer e beber a nossa própria condenação ao comer o pão e beber o vinho indignamente, nos tornando culpáveis do CORPO E DO SANGUE DO SENHOR? Além disso, por que São Paulo é tão claro em dizer que devemos comer do pão e beber do vinho distinguindo o CORPO DO SENHOR?

Também temos que notar que quando Jesus institui a Eucaristia, Ele é bastante enfático ao dizer “Isto é o meu corpo” (São Lucas 22:19). Ele não diz que o pão simboliza o Seu corpo, mas que ele de fato É! O mesmo vale para o vinho! Não há simbolismo no que foi falado, tanto que os apóstolos continuaram celebrando a ceia do Senhor da mesma forma e pronunciando as mesmas palavras ditas por Jesus (cf. I Coríntios 11:24)

Além de tudo isso, ainda podemos contar com o testemunho dos primeiros cristãos para afirmar que tal crença no corpo e sangue de Jesus já existia entre eles. Vejamos um trecho do texto de São Justino de Roma, a “I Apologia”, escrito por volta do ano 155 d.C.:

“Este alimento se chama entre nós Eucaristia, da qual ninguém pode participar, a não ser que creia serem verdadeiros nossos ensinamentos e se lavou no banho que traz a remissão dos pecados e a regeneração e vive conforme o que Cristo nos ensinou. De fato, não tomamos essas coisas como pão comum ou bebida ordinária, mas da maneira como Jesus Cristo, nosso Salvador, feito carne por força do Verbo de Deus, teve carne e sangue por nossa salvação, assim nos ensinou que, por virtude da oração ao Verbo que procede de Deus, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças – alimento com o qual, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossa carne – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado”.

Vemos aí que desde os primórdios do cristianismo a crença na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia já existia, portanto isso não é fruto da tal “paganização do cristianismo promovida por Constantino” (declarado imperador pelas suas tropas no ano 306 d.C.) como muitos costumam afirmar.

Além da acusação refutada acima, também somos acusados de sacrificar novamente a Jesus durante a celebração da missa e dessa forma contrariamos o ensinamento de São Paulo, que disse:

“Eis por que Cristo entrou, não em santuário feito por mãos de homens, que fosse apenas figura do santuário verdadeiro, mas no próprio céu, para agora se apresentar intercessor nosso ante a face de Deus. E não entrou para se oferecer muitas vezes a si mesmo, como o pontífice que entrava todos os anos no santuário para oferecer sangue alheio. Do contrário, lhe seria necessário padecer muitas vezes desde o princípio do mundo; quando é certo que apareceu uma só vez ao final dos tempos para destruição do pecado pelo sacrifício de si mesmo. Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo, assim Cristo se ofereceu uma só vez para tomar sobre si os pecados da multidão, e aparecerá uma segunda vez, não porém em razão do pecado, mas para trazer a salvação àqueles que o esperam” (Hebreus 9:24-28)

Realmente esse ensinamento é verdadeiro e o sacrifício de Jesus ocorreu uma única vez, mas Cristo não é sacrificado novamente durante a celebração eucarística! Como foi dito no início deste post, o sacrifício da missa não é um novo sacrifício, mas a renovação do mesmo sacrifício feito na cruz por Jesus Cristo. Nós celebramos o sacrifício de Jesus, que nos lavou de todos os pecados, renovando, assim, as promessas da Nova Aliança que foi instituída pelo sangue precioso do Senhor enquanto esperamos o retorno de Cristo Jesus (cf. I Conríntios 11:26). Também recorrendo aos costumes e práticas dos primeiros cristãos, vamos ver como eles enxergavam a celebração eucarística:

“Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro. Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado. Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: “Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei – diz o Senhor – e o meu nome é admirável entre as nações”

O texto acima foi extraído do Didaqué, escrito entre os anos 60 e 90 da era cristã. Ele é considerado o primeiro Catecismo da Igreja e transmite ensinamentos atribuídos aos doze apóstolos de Cristo. Dessa forma, podemos afirmar que os próprios apóstolos já consideravam a Eucaristia como a celebração do sacrifício de Jesus, o que torna essa prática mais do que aceitável.

Porém Deus não se conteve em demonstrar a presença de Seu filho na Eucaristia apenas por meios testemunhais. Essa presença também foi atestada através dos chamados milagres eucarísticos. Em vários locais do mundo, durante o decorrer do segundo milênio, foram presenciados vários milagres que demonstraram de forma definitiva àqueles que duvidavam a veracidade do mistério da transubstanciação. Leia a respeito desses milagres no link abaixo:

10 MILAGRES EUCARÍSTICOS – PROF. FELIPE AQUINO

A adoração ao Santíssimo Sacramento é tão antiga quanto o próprio cristianismo e é mais do que necessária na vida de todos os cristãos, pois quando O adoramos, estamos adorando ao próprio Deus feito homem que se deu em sacrifício pela redenção de nossos pecados. É no pão e no vinho que Jesus nos faz participar desse sacrifício, e é participando dele que nós reconhecemos que temos que morrer para o mundo e nascer de novo no Espírito Santo.

No vídeo abaixo, padre Paulo Ricardo fala a respeito da importância da adoração a Jesus Eucarístico. A palestra completa está dividida em cinco partes:

PARTE 01

PARTE 02

PARTE 03

PARTE 04

PARTE 05


Da mesma forma que os israelitas sacrificaram um cordeiro, macho, sem máculas, se alimentaram de sua carne e o sangue do animal os salvou da morte, conforme foi ordenado por Deus (cf. Êxodo 12:1-14), assim também Deus mandou o seu cordeiro, o Filho do Homem, sem máculas, livre de todo o pecado, para que Ele fosse sacrificado, sua carne fosse dada por alimento e o seu sangue nos livrasse da morte, abrindo-nos o caminho para a vida eterna. Somente através do sacrifício de valor infinito de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é que nós poderíamos apagar a ofensa infinita que fizemos contra Deus no momento em que o pecado entrou no mundo por nossa tão grande culpa. E assim foi feito; e a promessa de Deus foi cumprida.

Fiquem com Deus e que Maria os conduza pelo caminho que leva a Jesus!

________________________

1- Origem Da Palavra, disponível em: http://origemdapalavra.com.br/pergunta/eucaristia/

2- In Persona Christi ou na pessoa de Cristo: a Doutrina Católica ensina que o padre, durante a santa missa, age na pessoa do próprio Cristo enquanto Cabeça da Igreja, ou seja, o próprio Jesus assume o lugar do padre na celebração (Catecismo da Igreja Católica, §1548).


Idólatra! Essa é uma palavrinha que é dita com muita frequência quando alguém quer falar mal de nós católicos. Eles nos acusam ferozmente de cometer esse pecado, dispensando qualquer demonstração de respeito pela nossa imagem. Porém, quase sempre se engana quem costuma usar essa palavra. Na verdade, quem usa a palavra “idolatria” quase sempre ignora o seu verdadeiro significado.

O que é Idolatria?

“A palavra Idolatria vem do latim eclesiástico idolatria, do grego eidolatres. Formada pela junção das palavras: eidolon = ídolo, e lautreuein = adorar”1.

Ou seja, adorar um ídolo.

E o que é um ídolo?

Ídolo: “Estátua ou objeto cultuado como deus, que o substitui como objeto de adoração. Um falso deus”2.

Ou seja, algo (qualquer coisa) ou alguém (qualquer pessoa) que é posto no lugar de Deus.

E o que é adoração?

Adorar é reconhecimento de algo ou alguém como ser supremo. “É essencialmente um ato da mente e da vontade, mas comumente expresso em atos externos de sacrifício, prece e reverência. A adoração, no sentido estrito, é devida a Deus somente3”.

Render culto à divindade…

Ou seja, reconhecer algo ou alguém como um deus.

SENDO ASSIM…

IDOLATRIA É O ATO DE RECONHECER UM FALSO DEUS COMO SER QUE ESTÁ ACIMA DE TUDO.

DESSA FORMA, O ATO DA IDOLATRIA É IMPOSSÍVEL DE SER PRATICADO POR UMA PESSOA QUE ACREDITA QUE SÓ EXISTE UM DEUS, QUE ACREDITA QUE ELE ESTÁ ACIMA DE TUDO E QUE “AMA A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS” (Primeiro mandamento da lei de Deus).

E COMO É IMPOSSÍVEL SER CATÓLICO DISCORDANDO DESSE MANDAMENTO, ESTÁ MAIS DO QUE CLARO QUE É IMPOSSÍVEL QUE UM CATÓLICO PRATIQUE A IDOLATRIA.

E mais… Segundo o significado da palavra “adorar”, ainda explicamos que é impossível dizer que alguém está cometendo o pecado da idolatria apenas observando suas atitudes, pois uma simples atitude não reflete exatamente o que se passa no coração de uma pessoa. O ato de adorar é algo que não se pode expressar somente em ações, mas vem essencialmente da mente, da vontade e parte do coração.

Partindo dos significados etimológicos e teológicos que listamos acima, vamos tentar ilustrar isso em uma situação:

Experimente chegar para um católico que tem devoção por algum santo e perguntar a ele quem é maior, Deus ou o santo. Acho que é fácil saber a resposta, não é?

O que acontece é que a acusação da idolatria proferida contra os católicos é completamente sem fundamento.

É justamente com o intuito de desmentir essas falsas acusações que o Quero saber sobre Deus vem falar nesta e na próxima postagem sobre a questão da IDOLATRIA. Primeiro estudaremos o culto que os católicos prestam aos santos e no próximo artigo falaremos da adoração prestada à Sagrada Eucaristia.

CULTO AOS SANTOS

Nós, católicos, cremos no que chamamos de intercessão dos santos, ou seja, que os santos, que foram homens e mulheres de muita fé e muito tementes a Deus em vida, por estarem compartilhando atualmente da glória do Senhor, podem orar por nós diante de Deus pedindo que Ele realize graças em nossas vidas, atendendo às nossas orações.

Veja que a Doutrina Católica não vê um santo como um espírito que tem poderes especiais que faz milagres por conta própria, querendo para si reconhecimento pelo que faz. Um santo não possui poderes próprios. Nós pedimos algo a um santo e ele, por estar vivendo na presença eterna de Deus, ora por nós pedindo que Deus nos conceda a graça.

No final das contas os santos são intercessores e quem realiza os milagres é o único que tem poder para isso: Deus! Mas por que é tão difícil entender algo tão simples? Aí entra a danada da má interpretação bíblica. Quem acusa os católicos tem mania de usar versículos isolados e completamente fora do contexto bíblico para provar suas teorias mirabolantes. Vamos analisar agora as acusações e os argumentos utilizados por eles.

ACUSAÇÃO Nº 1: Deus proibiu que fossem feitas imagens quando disse “Não farás para ti escultura alguma do que está nos céus, ou embaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra” (Êxodo 20:4). Ao rezarem diante de uma imagem vocês estão desrespeitando essa ordem de Deus, além de estarem cometendo Idolatria!

Olhando para isso façamos a seguinte pergunta: será que Deus está se referindo a qualquer tipo de escultura? Se estiver, então devemos considerar que o próprio Deus foi o maior idólatra que já existiu, pois Ele mesmo mandou construir duas estátuas de anjos na Arca da Aliança (Êxodo 25:18), uma imagem de serpente que curava as vítimas de picadas de cobra no deserto (Números 21:8), além do que Deus encheu com Sua glória o templo do rei Salomão, que era repleto de imagens de anjos e animais em suas paredes (I Reis, 7:29). Logicamente, pensar que Deus é um idólatra é ridículo. Então quer dizer que Deus está se contradizendo? Não. Ao analisar um texto bíblico, devemos fazê-lo dentro do contexto em que ele foi escrito.

Em primeiro lugar, se formos analisar a tradução grega da Bíblia, veremos que o termo que foi traduzido como escultura na verdade éeidolon”, que significa ídolo. E como já abrimos este post explicando, um ídolo é tudo aquilo que colocamos no lugar que é exclusivo de Deus. O que por si só já configura um pecado contra o primeiro mandamento que é “Amai a Deus sobre todas as coisas”.

Logo, qualquer coisa pode ser um ídolo: dinheiro, trabalho, mulheres, etc. Podemos então deduzir que Deus não estava falando de qualquer tipo de escultura, mas apenas das que representassem ídolos, ou seja, falsos deuses. Se formos analisar o texto de êxodo 34, Deus, ao pedir que Moisés reescreva os dez mandamentos para substituir a antiga tábua que havia sido quebrada, é muito mais específico ao falar dessas imagens. Segue o texto:

“Não adorarás nenhum outro deus, porque o Senhor, que se chama o zeloso, é um Deus zeloso” (Êxodo 34:14)

“Não farás deuses de metal fundido” (Êxodo 34:17)

Deus poderia ser mais claro do que isso? Aí nós perguntamos: por que esse texto da bíblia também não é levado em consideração quando alguém decide acusar os católicos de idolatria?

Lembrem-se também que durante décadas os israelitas foram escravos dos egípcios, sendo dessa forma expostos a uma cultura idólatra e politeísta. O objetivo de Deus era impedir que essa prática se propagasse.

ACUSAÇÃO Nº 2: Vocês ajoelham-se diante de imagens e fazem orações a elas. Isso é adoração!

Então quer dizer que quando Abraão se ajoelhou diante dos três anjos que estavam passando perto de sua tenda (gênesis 18:2) ele os estava adorando? Mas logo Abraão, o homem chamado de pai da fé, aquele com quem Deus firmou uma aliança? Lógico que não! E olhe que esta é somente uma das inúmeras passagens da Bíblia que mostram uma pessoa se prostrando diante de alguém que não é Deus. Além disso, como já falamos no início desta postagem, as orações que fazemos aos santos são pedidos de intercessão, ou seja, nós pedimos que os santos orem por nós diante de Deus. Não são eles que realizam os milagres, mas o Senhor. Vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica fala a esse respeito:

“O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem” (Catecismo da Igreja Católica, 2131-2132.)

Trocando em miúdos, as imagens nada mais são que representações dos verdadeiros santos. Logo as orações que fazemos em frente a elas são, na verdade, direcionadas a quem elas representam: os santos, que “nos conduzem ao Deus encarnado”. Veja que a própria doutrina católica não vê os santos como deuses, mas os considera como setas que apontam para o único Deus em sua santa Trindade.

Santos são como setas que apontam para Deus em Sua Trindade Santa

ACUSAÇÃO Nº 3: “Jesus é o único mediador entre Deus e os homens” (I Timóteo 2:5), logo outras pessoas não podem mediar essa relação!

O engraçado é que esse argumento prova a nossa primeira explicação, de que tais acusadores analisam o texto bíblico totalmente fora do contexto. Vamos ver o que dizem os versículos imediatamente anteriores a este:

Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (I Timóteo 2:1-4).

No texto acima, São Paulo diz expressamente que devemos orar uns pelos outros e que ISSO É BOM E AGRADÁVEL AOS OLHOS DE DEUS! Mas orar não é mediar (mediar significa estar no meio de dois pontos, servindo de elo para eles)? Então como é que São Paulo nos diz para orar uns pelos outros e logo em seguida diz que só Jesus é mediador? Simples! Concordam conosco que quando Paulo falou que Jesus é o único mediador ele estava referindo-se ao momento em que Jesus falou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (São João 14:6)?

Veja a relação com o versículo 4 de I Timóteo, capítulo 2, que diz que Deus deseja que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da VERDADE. Ou seja, Jesus é a verdade, é o único caminho de salvação, o único que nos mostra o caminho que leva diretamente a Deus! Ninguém, muito menos um santo, pode ser caminho de salvação para ninguém e é nesse sentido que Jesus é chamado de único mediador.

Até porque se analisarmos o versículo 5 de maneira isolada, ele vai dar a entender que teríamos que parar de fazer pregações, cultos e celebrar missas, pois com isso nós estaríamos levando aos outros a palavra de Deus e Seus ensinamentos, logo estaríamos fazendo justamente o que ele diz para não fazer: mediando.

E se fossemos seguir essa interpretação isolada teríamos, inclusive, que destruir todas as Bíblias do mundo! Afinal a Bíblia é considerada a palavra de Deus. Logo, se ela leva os ensinamentos de Deus a todas as criaturas, ela está mediando uma relação de Deus com os homens.

Viu quantas coisas terríveis podem acontecer diante de uma má interpretação da bíblia?!

ACUSAÇÃO Nº 4: Mas Jesus prega a intercessão feita pelos vivos. Os mortos não podem mais nos ouvir e nem podem interceder!

Em primeiro lugar, os primeiros cristãos da época apostólica já pediam orações para os que já haviam morrido. Foram encontradas inúmeras inscrições nos túmulos dos primeiros cristãos de pessoas pedindo orações aos mortos. Além disso, existem passagens na Bíblia que comprovam a relação dos santos mortos com os vivos. Seguem algumas delas:

“Eis o que vira: Onias, que foi sumo sacerdote, homem nobre e bom, modesto em seu aspecto, de caráter ameno, distinto em sua linguagem e exercitado desde menino na prática de todas as virtudes, com as mãos levantadas, orava por todo o povo judeu” (II Macabeus 15:12)

Onias, o homem que aparece orando pelos judeus neste texto, já estava morto quando isso aconteceu. Os protestantes, por exemplo, não têm esse livro em suas Bíblias, pois Lutero o retirou por não condizer com suas doutrinas. E olhe que Lutero não retirou esse livro da bíblia protestante por conta da demonstração de intercessão, mas por outros motivos. Na verdade, Lutero era devoto de Nossa Senhora e, por isso, acreditava também na intercessão dos santos.

Durante a transfiguração de Jesus (São Lucas 9:28-36) Moisés e Elias (personagens do antigo testamento, que, portanto, já não estavam mais entre os vivos há séculos) apareceram conversando com Jesus diante dos apóstolos. Se isso não mostra a relação dos santos com Deus e com os homens, não sabemos o que isso pode mostrar!

Na parábola do rico e de Lázaro (São Lucas 16: 19-31), o homem rico, depois de morto e já no inferno, intercede a Abraão (um santo patriarca) pela sua família pra que eles sejam avisados de como o inferno é terrível. É verdade que Abraão não atende o pedido, mas isso acontece não pelo fato de ele não poder, mas porque, segundo o próprio Abraão, não adiantaria fazer isso, pois não iria mudar a crença dos familiares do rico. Ou seja, ele podia, mas não fez por não ser necessário.

Ainda existem aqueles que dizem que quando morremos ficamos literalmente mortos até o dia do juízo. Se fosse assim, Jesus estaria mentindo quando disse: “Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos” (São Mateus 22:31-32), ou quando falou ao ladrão na cruz “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (São Lucas 23:43). Como é óbvio que Jesus não mente, fica claro que os mortos não ficam dormindo à espera do juízo final.

O engraçado é que tudo isso, exceto a passagem de II Macabeus, não está somente na Bíblia católica, mas mesmo assim há quem possua em suas bíblias essas mesmas passagens e ainda assim negue a Doutrina da intercessão dos santos.

Além disso, temos os textos dos grandes pais da Igreja que falam a respeito da oração dos santos, mostrando que essa prática já existe desde os tempos apostólicos:

“O Pontífice [o Papa] não é o único a se unir aos orantes. Os anjos e as almas dos justos também se unem a eles na oração” (Orígenes, 185-254 d.C. Da Oração).4

“Se um de nós partir primeiro deste mundo, não cessem as nossas orações pelos irmãos” (Cipriano de Cartago, 200-258 d.C. Epístola 57) 4

“Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos”. (Santo Hilário de Poitiers, 310-367 d.C) 4

“Por vezes, é a intercessão dos santos que alcança o perdão das nossas faltas [1Jo 5,16; Tg 5,14-15] ou ainda a  misericórdia e a fé” (São João Cassiano. 360-435 d.C. conferência 20) 4

Terminamos por aqui essa primeira parte de nossos estudos sobre a relação entre a idolatria e o catolicismo. Na próxima postagem tentaremos falar um pouco sobre a Sagrada Eucaristia. Ela é realmente o corpo de Cristo? Ela pode ser adorada?

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

________________________

REFERÊNCIAS:

1 – JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. Disponível em: http://sites.google.com/site/dicionarioenciclopedico/idolatria

2 – JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. Disponível em: http://sites.google.com/site/dicionarioenciclopedico/idolatria

3 – Dicionário católico – Diácono Alfredo. Disponível em:  http://www.prestservi.com.br/diaconoalfredo/dicionario/inicial.htm

4 – A Intercessão dos Santos. Disponível em: http://www.veritatis.com.br/apologetica/123-imagens-santos/555-a-intercessao-dos-santos



%d bloggers like this: