“E o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gênesis 1:2)

Antes que tudo o que nós conhecemos passasse a existir, o Espírito Santo, junto com o Pai e o Filho, já existia. O livro do Gênesis relata isso na passagem acima, demonstrando que Ele, o Espírito de Deus, está acima de tudo e de todos, não estando preso ao tempo e existindo por toda eternidade no mistério da Santíssima Trindade. É a Ele que nós recebemos no sacramento do batismo, fazendo-nos participar da glória de Deus como irmãos de Cristo, limpando-nos do pecado original e nos tornando Seu templo e Sua morada (cf. I Coríntios 3:16), despertando em nós os seus sete dons (fortaleza, sabedoria, ciência, conselho, entendimento, piedade e temor a Deus) e nos dando a graça de viver a fé, a esperança e a caridade, virtudes essenciais para sermos chamados de filhos de Deus. É no sacramento da confirmação, ou Crisma, que nós confirmamos a nossa vontade de estar na Sua presença e de deixar que Ele faça em nós a vontade de Deus. E é a respeito d’Ele que nós do Quero saber sobre Deus vamos falar neste texto, procurando despertar em todos a vontade de conhecer esse tão sublime Ser que presenteia com a Sua presença e com a Sua graça a todos os homens da face da Terra.

O ESPÍRITO SANTO É VIDA

Deus, ao criar Adão, soprou em suas narinas o sopro da vida (Gênesis 2:7), dando vida ao corpo feito a partir da terra. Esse sopro da vida, ou ruach em hebraico, é o próprio Espírito Santo que, dessa forma, faz do homem Sua morada e o torna a imagem e semelhança de Deus. O homem é, então, um ser único, feito da terra, mas destinado aos céus e ao deixar que o Espírito de Deus haja em seu íntimo, aceita assim a graça de Deus e torna-se participante da mesma Glória para onde o Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, foi após a Sua ressurreição.

É Ele que torna possível a nossa participação na vida eterna após a nossa morte carnal, pois ao aceitarmos a graça enviada por Ele nos ligamos intimamente a Jesus Cristo aceitando-o como nosso Senhor e irmão, nos tornando, assim, filhos adotivos do Pai eterno.

O ESPÍRITO SANTO É AMOR

Deus é amor e assim também o é o Espírito de Deus, terceira pessoa da Santíssima Trindade, que habita em nós e nos faz a Sua imagem e semelhança. Ao aceitarmos isso, aceitamos também que só podemos encontrar a plenitude de nossa felicidade vivendo plenamente o amor. Esse é o motivo pelo qual estamos sempre em busca desse sentimento. Todos nós precisamos amar e ser amados, seja por nossos pais, por nossos amigos, por nossos esposos e esposas, e quando não amamos e não somos amados no sentimos sozinhos, abandonados, vazios. É por isso que Jesus Cristo definiu como os mandamentos mais importantes amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, e diz que é nesses dois mandamentos que se encontram resumidas todas as leis (cf. São Mateus 22:37-40).

No entanto esse amor tem sido distorcido. No lugar do amor que reflete a Deus, a sociedade prega um amor que só encontra significado na carne e no pecado. As pessoas cada vez mais vivem um amor egoísta, buscando satisfazer suas próprias vontades; um amor interesseiro, que sempre espera algo em troca; um amor impaciente; um amor cada vez mais humano, mais carnal, e menos divino. Dessa forma os homens pouco a pouco inibem a ação do Espírito de Deus em suas vidas e se afastam cada vez mais da salvação dada a nós por meio do precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. “Então como poderemos viver esse amor proposto por Deus por meio de seu Espírito?”, pode alguém estar se perguntando. E a resposta a essa pergunta encontra-se na descrição de como é esse amor que provém de Deus, dada a nós por meio da primeira carta aos Coríntios, escrita por São Paulo:

“A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (I Coríntios 13:4-7)

Ao se deparar com tal descrição, muitos desanimam e acham impossível viver tal sentimento, mas isso só acontece por que o ser humano insiste em querer fazer tudo por conta própria esquecendo que Jesus nos deixou aquele que virá em nosso auxílio, o paráclito, o Espírito Santo, que permanecerá conosco e em nós (cf. São João 14:16-17). Só por meio da ação do Espírito de Deus seremos capazes de viver plenamente esse amor.

O ESPÍRITO SANTO É INSPIRAÇÃO

Foi o Espírito Santo quem inspirou os escritores das Sagradas Escrituras, sejam elas do Antigo ou do Novo Testamento e é através delas (as escrituras) que nos são reveladas a linguagem, o estilo e a lógica do Espírito Santo. Foi Ele quem inspirou os santos a viverem intensamente como imitadores de Cristo. Foi o Espírito de Deus quem inspirou os grandes pais da Igreja a escreverem as inúmeras cartas que transmitiram durante os séculos e transmitem ainda hoje a Sagrada Tradição da nossa tão amada Igreja.

É Ele quem nos inspira a viver a caridade, a amar ao próximo. É ele quem nos auxilia na conversão de um irmão perdido no mundo. É Ele quem nos dá coragem para enfrentar os desafios propostos pelo mundo, quem nos dá a fé necessária para não sucumbirmos diante das armadilhas e tentações que surgem em nosso caminho. Sozinho o ser humano não é capaz de viver as virtudes da forma como Deus deseja. Esse desejo só pode ser realizado naqueles que recebem e aceitam a graça concedida gratuitamente a todos os homens pelo Espírito Santo.

O ESPÍRITO DE DEUS E A TRINDADE SANTA

Como é fácil notar, não é possível falar do Espírito Santo sem falar em Jesus Cristo e em Deus, pois todos Eles estão intimamente ligados por possuírem a mesma essência, por serem consubstanciais. Já no Gênesis, a figura da Trindade torna-se aparente. Quando Deus diz “façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gênesis 1:26s), Ele não usa a terceira pessoa do plural por acaso. Deus sempre existiu como Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) e o papel do Espírito de Deus, já na descrição da criação do Universo, é evidente quando o Espírito pairou sobre as águas e quando Deus soprou nas narinas de Adão o sopro da vida.

Isaías, ao profetizar a respeito de Cristo em um de seus momentos de inspiração divina, diz “Deus lhe dá o espírito de sabedoria e de compreensão, espírito de prudência e valentia, espírito de conhecimento e temor a Deus” (Isaías 11:2). Ele diz também “Eis o meu servo, dou-lhe meu apoio. Pus nele o meu espírito, ele vai levar o direito as nações” (Isaías 42:1). Vê-se aí a íntima ligação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo sempre presente na história do povo de Deus.

JESUS CRISTO E O ESPÍRITO SANTO

Pelo sim da Virgem Maria o Espírito Santo desceu sobre ela e a fez conceber o Nosso Senhor Jesus Cristo (São Lucas 1:35-38). João Batista anuncia que Cristo virá depois dele para batizar a todos pelo Espírito Santo e pelo fogo (São Mateus 3:11). No momento em que Jesus foi batizado, João, seu primo, viu “os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele” (São Marcos 1:11). Durante toda a sua trajetória, Jesus mostra a sua íntima ligação com o Espírito Santo de Deus e a grande importância que Este tem. Essa importância é notada quando Jesus diz que “todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não lhes será perdoada. Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro¹” (São Mateus 12:31-32).

Jesus promete aos apóstolos que rogará ao Pai para que ele os envie o Espírito da verdade, que ficará eternamente com eles (cf. São João 14:16-17) e ao reaparecer aos apóstolos antes de subir aos céus, soprou sobre eles o Espírito Santo e lhes deu o poder de perdoar os pecados (cf. São João 20:22-23). É por conta dessa enorme intimidade, narrada em detalhes na Bíblia e confirmada pela Sagrada Tradição, que o Espírito Santo nos une a Cristo Jesus, nos fazendo participar de Sua glória e tornando possível que nós sejamos agraciados pela salvação oferecida pelo Filho de Deus ao dar-se em sacrifício por todos os homens.

A IGREJA E O ESPÍRITO SANTO

Desde os primeiros passos da igreja primitiva sobre o mundo, o Espírito de Deus se fez presente, inspirando seus membros a falar para todas as nações e, com isso, converter multidões (cf. Atos dos Apóstolos 2), e é esse mesmo Espírito que ainda hoje guia a sua Igreja, que é una, santa, católica e apostólica, a manter imutáveis os ensinamentos e os costumes ensinados por Jesus e defendidos pelos seus apóstolos durante os séculos, diante de uma sociedade que prega o relativismo; é Ele que mantém a Igreja Católica Apostólica Romana firme durante esses mais de 2.000 anos de história, mesmo sofrendo os inúmeros ataques que ainda hoje sofre; é esse Espírito que move a todos os fiéis seguidores de Cristo, fortalecendo-os na fé, na esperança e na caridade, dando-os o que é necessário para lutar contra as tentações do inimigo e inspirando-os a serem pessoas melhores dispostas a fazer o possível para levar a paz e a felicidade a todos, pois são esses fiéis que integram o corpo do próprio Cristo (cf. I Coríntios 12:27), sendo assim templo e morada do Espírito Santo de Deus.

Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!

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  1. A blasfêmia contra o Espírito Santo consiste em atribuir por maldade a ação do Espírito de Deus ao espírito do mal. Ela também reflete o completo fechamento do coração humano às graças dadas pelo Espírito. Se o homem se fecha a essa graça, ele fica impossibilitado de receber o perdão de Deus, condenando a si próprio.
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